quinta-feira, 28 de novembro de 2019

Ainda sobre o Nosso Novembro Negro 2019....



No dia 21/11, o Projeto Força Feminina – Unidade da Rede Oblata em Salvador participou do evento do Dia da Consciência Negra no Espaço Viva Mulher em Feira de Santana (BA). Foi um reencontro ILUMINADO, repleto de boas vibrações, partilhas e saberes.









Agradecemos a todas as assistidas e equipe do Espaço Viva Mulher – FSA (BA) por nos acolheram com tanto carinho e respeito! Obrigada.


#redeoblatas
#projetoforcafeminina
#espacovivamulher
#novembronegro
#diadaconsciencianegra


quarta-feira, 20 de novembro de 2019

Consciência Negra todos os meses do ano!


O Projeto Força Feminina - Rede Oblata Brasil esta na luta e no enfrentamento constante contra o racismo. 





“Numa sociedade racista, não basta não ser racista. É necessário ser antirracista.”  Ângela Davis

sexta-feira, 1 de novembro de 2019

Cirandas Parceiras


O Encontro do Cirandas Parceiras é uma atividade que integra o projeto de sensibilização social da Unidade Força Feminina da Rede Oblata. Visa expandir o conhecimento público acerca da realidade das mulheres que exercem a prostituição sensibilizando a rede de atendimento, para qualificar e ampliar o processo de garantia de direitos das mulheres.
Atualmente a atividade de Cirandas Parceiras, além de alcançar a rede de enfrentamento, incorporou também a seu público, à sociedade civil.

DATA: 27 DE NOVEMBRO
HORÁRIO: 14 HORAS
LOCAL: Projeto Força Feminina
Rua Saldanha da Gama, n º19, 1º andar, Pelourinho, Salvador (BA)





Inscrições abertas!

Bora?!

Outubro Rosa no Projeto Força Feminina




Neste Outubro Rosa, mês internacional de conscientização do câncer de mama, colocar o tema em pauta é tão necessário quanto importante. Segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca), este tipo de câncer é o que mais atinge as mulheres. Só em 2019, a incidência prevista é de 59.700 mulheres diagnosticadas, o que resulta em uma taxa de 51,29 casos a cada 100 mil.

Em sinergia com Outubro Rosa abraçamos o cuidado integral da Mulher, refletimos para além do Câncer de Mama, o cuidado com o corpo, a mente e alma. Mas também, aspectos socioculturais relacionados ao gênero como: vários tipos de violências, sexualidade, aleitamento materno e planejamento familiar que são temáticas discutidas no Programa de Assistência Integral à Saúde da Mulher, o PAISM - uma luta de anos para afirmar que pensar na mulher não é apenas refletir a saúde sexual e reprodutiva.

O PAISM modernizou o discurso oficial da saúde diagnosticando a realidade complexa da saúde das mulheres e alargando a oferta de ações de assistência com avançados princípios da autonomia decisória das mulheres e dos casais sobre sexualidade e maternidade. Para isso, incentivou as práticas educativas que passaram a integrar o elenco das ações oferecidas como rotina do cuidado à saúde com o objetivo de garantir maior participação das mulheres nas decisões e condutas diagnosticas e terapêuticas, além de incidir sobre as relações assimétricas de poder existentes entre profissionais de saúde e mulheres.” (Centro Brasileiro de Estudos de Saúde - 2013)

Durante todo mês o Projeto Força Feminina desenvolveu ações voltada para esse  cuidado integral, contando com a colaboração de parceiros da Rede, mas também participamos de eventos externos para sensibilização da causa.

Seguem:

- Semana Criativa: rodas de conversas, formações com o Posto de Saúde São Francisco, roda viva, espiritualidade refletindo sobre o cuidado com o corpo, pré-atendimentos no Cantinho da Beleza explanamos a importância de acesso a direitos à saúde.
- Participação no Programa Dedinho de Prosa com Heloísa Pires na Rádio Excelsior 
- Participação na 2ª Semana de Visibilidade da Mulher na Faculdade de Direito na UFBA com o tema: "P(a)uta em debate: Regulamentação, saúde e violência na prostituição"
- Aniversariantes do mês sobre o cuidado









segunda-feira, 21 de outubro de 2019

Celebração do Santíssimo Redentor


“Abre de par em par as portas ao Redentor...”


"Fortes na fé, alegres na esperança fervorosas na caridade, inflamadas no zelo, humildes e sempre dadas à oração". Eis aí o rosto da família Redentorista, em poucas palavras, um ideal de vida, de onde nasce esse projeto? Nasce do seguimento do Cristo Redentor, cuja festa as Irmãs Oblatas do Santíssimo Redentor celebram no 3º domingo do mês de outubro.”

Nossa espiritualidade é enraizada em Cristo!

Jesus assumiu com responsabilidade a Missão que o Pai lhe deu: Anunciar o Reino ao mundo. E é Dele que nos vem a Salvação. Nós também como equipe do Projeto Força feminina somos chamadas e enviadas a anunciar a Boa notícia às Mulheres. Ser para elas sinal de esperança, fazer do Foça Feminina um Lugar Sagrado de Encontros.

É nessa sintonia que na última sexta-feira, 18 de outubro, a Unidade Salvador celebrou o Santíssimo Redentor, com uma missa presidida pelo Padre José Carlos. Juntos e Juntas, as mulheres, parceiros da Rede, equipe e irmãs Oblatas da Comunidade de Nossa Senhora de Guadalupe estivemos em comunhão para refletirmos a caminhada da Congregação e as ações desenvolvidas pelas equipes pastorais e de missão.

Nos enche de alegria ver a luz de Cristo brilhar em tantas vidas Redimidas, através de nosso Carisma e Missão, e muitas destas pessoas se tornaram promotoras e propagadoras da Redenção.

A perseverança da Família Oblata, faz com que realizemos a missão de amor de Nosso Jesus Redentor através da missão iniciada por nossos Fundadores: Madre Antônia e Padre Serra.

Nossa Gratidão à todas e todos que realizam esta missão conosco, e que bebem desta fonte de amor inesgotável.



sexta-feira, 11 de outubro de 2019

POLÍTICA NEOLIBERAL, TRÁFICO HUMANO E A INDÚSTRIA SEXUAL



Por Rose Cristiane Salvador

     Valores neoliberais, globalização, pornografia, tráfico de seres humanos para fins de prostituição, legalização e normatização com bases liberais de comércio e proteção ilusória para a prestação de serviços sexuais, assumem um discurso em que a pauta passa a ser sobre direito, liberdade e trabalho.

     Mas até que ponto isso é verdadeiro? É possível confiar na lógica neoliberal? Países como Suíça, Austrália, Nova Zelândia, Países Baixos legalizaram a prostituição em nome dessa “autonomia”. Onde o discurso dúbio e muitas vezes cínico da ideologia liberal de moralidade, lentamente foi cedendo espaço à formulação de uma ideia de “liberdade” - outrora negada. Mudança essa que se apóia no crescimento da indústria do sexo e sua demanda e na globalização neoliberal, fenômenos esses que se entrelaçam e que em muitos momentos se fortalecem.

     Não obstante, países que vivenciaram a experiência da regulamentação da prostituição comprovam o crescimento da indústria do sexo e por conseqüência o fortalecimento do tráfico de pessoas para fins de exploração sexual. A esse exemplo temos os índices dos Países Baixos: Em 1981 foram tabuladas 2500 pessoas prostituídas e traficadas, 10 mil em 1985, 20 mil em 1989 e 30 mil em 2001. Vale ressaltar que, 80% dessas pessoas em situação de prostituição vieram do exterior e que dentre estas, 70% não possuem documentação, características claras da ação dos traficantes de seres humanos.


Entende-se como tráfico de pessoas à captação, o transporte, a translado, a acolhimento ou recepção de pessoas, recorrendo à ameaça ao uso da força ou a outras formas de coação, ao rapto, à fraude, ao engano, ao abuso de autoridade ou de situação de vulnerabilidade ou à concessão ou recebimento de pagamentos ou benefícios para obter o consentimento de uma pessoa que tenha autoridade sobre outra, para fins de exploração. Essa exploração incluirá no mínimo, a exploração da prostituição de outrem ou outra forma de exploração sexual, o trabalho ou serviços forçados, a escravatura ou práticas análogas à escravatura, a servidão ou extração de órgãos”.[1]


      Importante ressaltar que, estimava-se que a legalização da prostituição pudesse impedir ou reprimir a exploração sexual de menores. Triste engano. Pois, se percebeu que o número de menores explorados sexualmente passou de 4 mil em 1996 para 15 mil em 2001, dos quais 5 mil são de origem estrangeira e oriundas do tráfico. Apenas durante o primeiro ano da legalização da prostituição nos Países Baixos pode-se perceber um crescimento de 25% na indústria do sexo (POULIN, 2005) [2].

     O número de pessoas em situação de prostituição/exploração sexual, em sua grande maioria, é de mulheres e crianças de origem estrangeira e vítimas do tráfico pessoas - fenômeno mundial. Países como a Dinamarca exemplificam muito bem essa situação, de 1995 a 2005 o número de pessoas vitimas do tráfico foi multiplicada por dez. Na Austrália 90% das pessoas em situação de prostituição são estrangeiras, na Itália entre 67% e 80%, na Alemanha entre 75% e 85%.  Na Grécia estima-se que aproximadamente 20 mil pessoas por ano são vítimas de tráfico para fins de exploração sexual, tendo crescido mais de 300% em apenas dez anos.

     Entre os anos de 1990 e 2000 aproximadamente 77.500 jovens mulheres estrangeiras e em sua maioria menores, foram negociadas no mercado paralelo europeu por aproximadamente 500 euros cada, podendo ser renegociadas diversas vezes e revendida para inúmeros outros destinos/rotas. Vale ressaltar que, o lucro decorrente da exploração sexual dessas meninas é incomensurável. E que devido a essa extrema lucratividade, prolifera-se em larga escala uma gigantesca rede de tráfico de seres humanos. Estima-se que essa grande rede seja composta por bares, clubes noturnos, salões de massagens, saunas e etc. e que se apóiam nessa economia paralela grande redes de hotéis, companhias aéreas, taxistas, policiais corruptos e parte da indústria do turismo voltada para o comércio sexual. A Tailândia é um excelente exemplo para termos noção de até aonde vão os tentáculos dessa rede: em 1995, foi calculado que os lucros da prostituição na Tailândia constituem entre 59% e 60% do orçamento desse país. Ficando claro que seus próprios governantes se beneficiam dessa situação, visto que, em 1997 foi utilizada como promoção do turismo local a seguinte frase: “A única fruta da Tailândia mais deliciosa que o durian (fruto local) são as jovens mulheres” (POULIN, 2005)[3]. Destaca-se a relação análoga feita pelo atual presidente do Brasil (2019), que vergonhosamente estimulou a apologias a exploração sexual de meninas e mulheres brasileiras por parte dos turistas – ação misógina repudiada nacionalmente.


“O Brasil através de seu órgão responsável, a EMBRATUR – Empresa Brasileira de Turismo iniciou campanhas de propaganda tentando vender o País como um destino de turismo dos mais ricos no mundo. A propaganda utilizada pela EMBRATUR nos anos 70 e 80 enaltecia não só as belezas naturais, mais também a sexualidade da mulher brasileira, os cartazes de divulgação, folders, filmes publicitários e a participação em congressos mundiais de turismo, a participação da mulata e negra brasileira era presença certa, sempre vestida trajes sumários”. (ARAÚJO, 2003) [4]


     Faz-se imprescindível pontuar que as políticas governamentais compõem fator fundamental para coibir ou proliferar essa realidade.  A desordem social, pobreza, miséria, guerras e por conseqüência um alto índice de migrações em diversas regiões do hemisfério, muitas vezes favorecem a proliferação de atividades voltadas às mais variadas formas de tráfico e comercialização de seres humanos.
No caso do Brasil, as principais dificuldades encontradas no combate ao tráfico de pessoas são: a gigantesca extensão territorial; a longa extensão de fronteira seca, facilitando o trânsito entre países; o contingente ínfimo de policiais federais se comparados à extensão territorial brasileira.


“As políticas migratórias internacionais mostram uma tendência pouco esperançosa. A construção de barreiras nas fronteiras, tanto legislativas (Acordo de Schengen) quanto físicas (os muros nos EUA e em Israel...) e a criminalização dos migrantes favorecem sua vulnerabilidade, tanto os regulares, quanto os irregulares. A “lei do tráfico” ensina: Quanto mais rigorosas as leis de migração, mais floresce o tráfico de pessoas. Enquanto isso, a Convenção da ONU sobre a Proteção de todos os Trabalhadores Migrantes e seus Familiares não foi ratificada por nenhum dos principais países de destino de migração internacional”. (SNJ, 2008) [5]


     É vergonhoso perceber que o binômio mulher-corpo ainda continua enraizada no cotidiano e no senso comum da sociedade mundial que insiste em retroalimentar características machistas, racistas, escravocratas e exploratórias mesmo em pleno século XXI.

     Se faz necessário perceber que existe uma relação direta entre exploração sexual e tráfico de pessoas com o modelo de desenvolvimento econômico neoliberal. Deve-se observar que nesta linha teórica a assistência pública é mantida sempre a níveis mínimos. Onde teóricos neoliberais justificam essa não interferência do Estado, através do frágil argumento de que a promoção de uma assistência pública robusta poderia desestimular a participação do indivíduo no mercado de trabalho. Colocar o mercado acima do bem-estar social é garantir o fortalecimento da exploração de seres humanos e a precarização da sua força de trabalho, tornando o trabalhador cada vez mais vulnerável, especialmente as mulheres. É constituir o cenário perfeito para o desenvolvimento de uma prática exploratória de degradação humana sem precedentes, fortalecendo o capital em detrimento do SER.
  


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ARAÚJO, Maria das N. R. Prostituição: Trabalho sexual ou escravidão sexual? In: Trabalho ou Escravidão Sexual? Lima, 2003.
Convenção das Nações Unidas Contra o Crime Organizado Transnacional e aprovado pelo Congresso Nacional Brasileiro, através do Senado Federal, por meio da resolução 231 de 29/05/03.
ESPINHEIRA, Gey. Transcrição de palestra proferida no Instituto da Irmãs Oblatas do Santíssimo Redentor – Projeto Força Feminina. 16 de outubro de 2002.
LAKATOS, Eva Maria; MARCONI, Marina de Andrade. Metodologia científica.  4ª Ed. – São Paulo: Atlas, 2004.
MARX, Karl & ENGELS, Fredrich. O manifesto Comunista. São Paulo: Paz e Terra, 2000. 6ª edição.
MOTTA, Cândido. Prostituição, Polícia de Contumes, Lenocínio. Relatório apresentado ao Exmo. Dr. Chefe de Polícia, São Paulo, 1897.
NAVARRO, Tânia Swain.  Estudos Feministas. Revista Unimantes Científica. Vol.6, n 2. Brasil: dezembro 2004.
OAB – Bahia: Comissão de Proteção aos Direitos da Mulher. Campanha Publicitária (2019).
Organização Internacional do Trabalho: Cidadania, Direitos Humanos e Tráfico de Pessoas (Manual para Promotoras Legais Populares). Brasil, 2009.
POULIN, Richard. Quinze teses sobre o capitalismo e Sistema mundial de Prostituição. In: Caderno Sempre Viva. Desafios do Livre Mercado para o Feminismo. São Paulo: SOF. 2005.
SINGER, Paul. O Capitalismo: sua evolução, sua lógica e sua dinâmica. São Paulo, Moderna, 1987.
Zimmermann, Clóvis. O Princípio da desmercantilização nas Políticas Públicas. In: Caderno CRH, v. 22, n. 56, Salvador, Maio/agosto 2009.




[1] Convenção das Nações Unidas Contra o Crime Organizado Transnacional e aprovado pelo Congresso Nacional Brasileiro, através do Senado Federal, por meio da resolução 231 de 29/05/03.
[2] POULIN, Richard. Quinze teses sobre o capitalismo e Sistema mundial de Prostituição. In: Caderno Sempre Viva. Desafios do Livre Mercado para o Feminismo. São Paulo: SOF. 2005.
[3] POULIN, op. cit; 2005.
[4]  ARAÚJO, Maria das N. R. Prostituição: Trabalho sexual ou escravidão sexual? In: Trabalho ou Escravidão Sexual? Lima, 2003.
[5] Política Nacional de Combate ao Tráfico de Pessoas/Secretaria Nacional de Justiça. 2. Ed. Brasília: SNJ, 2008.

quinta-feira, 10 de outubro de 2019

Bem-aventurada Dulce dos Pobres!



Os Primeiros Passos

Segunda filha do dentista Augusto Lopes Pontes, professor da Faculdade de Odontologia, e de Dulce Maria de Souza Brito Lopes Pontes, ao nascer em 26 de maio de 1914, em Salvador, Irmã Dulce recebeu o nome de Maria Rita de Souza Brito Lopes Pontes. O bebê veio ao mundo na Rua São José de Baixo, 36, no bairro do Barbalho, na freguesia de Santo Antônio Além do Carmo. A menina Maria Rita foi uma criança cheia de alegria, adorava brincar de boneca, empinar arraia e tinha especial predileção pelo futebol - era torcedora do Esporte Clube Ypiranga, time formado pela classe trabalhadora e os excluídos sociais.

Aos sete anos, em 1921, perde sua mãe Dulce, que tinha apenas 26 anos. No ano seguinte, junto com seus irmãos Augusto e Dulce (a querida Dulcinha), faz a primeira comunhão na Igreja de Santo Antônio Além do Carmo.

A vocação para trabalhar em benefício da população carente teve a influência direta da família, uma herança do pai que ela levou adiante, com o apoio decisivo da irmã, Dulcinha. Aos 13 anos, graças a seu destemor e senso de justiça, traços marcantes revelados quando ainda era muito novinha, Irmã Dulce passou a acolher mendigos e doentes em sua casa, transformando a residência da família – na Rua da Independência, 61, no bairro de Nazaré, num centro de atendimento. A casa ficou conhecida como ‘A Portaria de São Francisco’, tal o número de carentes que se aglomeravam a sua porta. Também é nessa época que ela manifesta pela primeira vez, após visitar com uma tia áreas onde habitavam pessoas pobres, o desejo de se dedicar à vida religiosa.
Em 08 de fevereiro de 1933, logo após a sua formatura como professora, Maria Rita entra então para a Congregação das Irmãs Missionárias da Imaculada Conceição da Mãe de Deus, na cidade de São Cristóvão, em Sergipe. Em 13 de agosto de 1933, recebe o hábito de freira das Irmãs Missionárias e adota, em homenagem a sua mãe, o nome de Irmã Dulce.

A primeira missão de Irmã Dulce como freira foi ensinar em um colégio mantido pela sua congregação, no bairro da Massaranduba, na Cidade Baixa, em Salvador. Mas, o seu pensamento estava voltado mesmo para o trabalho com os pobres. Já em 1935, dava assistência à comunidade pobre de Alagados, conjunto de palafitas que se consolidara na parte interna do bairro de Itapagipe. Nessa mesma época, começa a atender também os operários que eram numerosos naquele bairro, criando um posto médico e fundando, em 1936, a União Operária São Francisco – primeira organização operária católica do estado, que depois deu origem ao Círculo Operário da Bahia. Em 1937, funda, juntamente com Frei Hildebrando Kruthaup, o Círculo Operário da Bahia, mantido com a arrecadação de três cinemas que ambos haviam construído através de doações – o Cine Roma, o Cine Plataforma e o Cine São Caetano. Em maio de 1939, Irmã Dulce inaugura o Colégio Santo Antônio, escola pública voltada para operários e filhos de operários, no bairro da Massaranduba.

O amor e o serviços aos pobres e doentes

Em 1939, Irmã Dulce invade cinco casas na Ilha dos Ratos, para abrigar doentes que recolhia nas ruas de Salvador. Expulsa do lugar, ela peregrina durante uma década, levando os seus doentes por vários locais da cidade. Por fim, em 1949, Irmã Dulce ocupa um galinheiro ao lado do Convento Santo Antônio, após autorização da sua superiora, com os primeiros 70 doentes. A iniciativa deu origem à tradição propagada há décadas pelo povo baiano de que a freira construiu o maior hospital da Bahia a partir de um simples galinheiro. Já em 1959, é instalada oficialmente a Associação Obras Sociais Irmã Dulce e no ano seguinte é inaugurado o Albergue Santo Antônio.

O incentivo para construir a sua obra, Irmã Dulce teve do povo baiano, de brasileiros de diversos estados e de personalidades internacionais. Em 1988, ela foi indicada pelo então presidente da República, José Sarney, com o apoio da Rainha Sílvia, da Suécia, para o Prêmio Nobel da Paz. Oito anos antes, no dia 7 de julho de 1980, Irmã Dulce ouvia do Papa João Paulo II, na sua primeira visita ao país, o incentivo para prosseguir com a sua obra.

Irmã Dulce e o Papa João Paulo II voltariam a se encontrar em 20 de outubro de 1991, na segunda visita do Sumo Pontífice ao Brasil. João Paulo II fez questão de quebrar o rigor da sua agenda e foi ao Convento Santo Antônio visitar a religiosa baiana, cuja saúde já se encontrava bastante debilitada em função de problemas respiratórios. Cinco meses depois da visita do Papa, os baianos chorariam a morte do Anjo Bom do Brasil.

Irmã Dulce morreu em 13 de março de 1992, pouco tempo antes de completar 78 anos. No velório, na Igreja de Nossa Senhora da Conceição da Praia, em Salvador, políticos, empresários, artistas, se misturavam a dor de milhares de pessoas simples e anônimas. A fragilidade com que viveu os últimos 30 anos da sua vida – tinha 70% da capacidade respiratória comprometida - não impediu que ela construísse e mantivesse uma das maiores e mais respeitadas instituições filantrópicas do país, uma verdadeira obra de amor aos pobres e doentes.

O início da causa


A causa da Canonização de Irmã Dulce foi iniciada em janeiro de 2000. Com o início do processo, seus restos mortais, que desde 1992 (ano de seu falecimento) estavam na Igreja da Conceição da Praia, foram então transferidos para a Capela do Convento Santo Antônio, na sede das Obras Sociais Irmã Dulce (OSID), também em Salvador. A validação jurídica do virtual milagre presente no processo foi emitida pela Santa Sé em junho de 2003. Já em abril de 2009, o Papa Bento XVI reconheceu as virtudes heróicas da Serva de Deus Dulce Lopes Pontes, autorizando oficialmente a concessão do título de Venerável à freira baiana. O título foi o reconhecimento de que Irmã Dulce viveu, em grau heróico, as virtudes cristãs da Fé, Esperança e Caridade.

O voto favorável e unânime da Congregação para a Causa dos Santos, que levou ao título de Venerável, havia sido concedido em 2008 e anunciado em janeiro de 2009 pelo colégio de cardeais, bispos e teólogos após a análise da Positio – documento canônico misto de relato biográfico e das virtudes e resumo dos testemunhos do processo. Os teólogos que estudaram a vida e as obras de Irmã Dulce a definiram como a “Madre Teresa do Brasil”, pelas semelhanças do seu testemunho cristão com a Beata de Calcutá, sendo “um conforto para os pobres e um exame de consciência para os ricos”.

No dia 9 de junho de 2010 é realizada a exumação e transferência das relíquias (termo utilizado para designar o corpo ou parte do corpo dos beatos ou santos) da Venerável Dulce para sua capela definitiva, localizada na Igreja da Imaculada Conceição da Mãe de Deus, situada ao lado da sede da OSID. A Capela das Relíquias foi construída na própria Igreja da Imaculada Conceição, erguida no local do antigo Cine Roma e do Círculo Operário da Bahia, construídos pela freira na década de 40.


Beatificação: o milagre reconhecido



Em outubro de 2010, a Congregação para a Causa dos Santos, através de voto favorável e unânime de seu colégio de cardeais e bispos, reconheceu a autenticidade de um milagre atribuído à Irmã Dulce, cumprindo, dessa forma, a penúltima etapa do processo de Canonização: estágio que levaria à beatificação da religiosa no ano seguinte. O anúncio foi feito no dia 27 de outubro de 2010 pelo então Arcebispo Primaz do Brasil, cardeal D. Geraldo Majella Agnelo, em coletiva realizada na sede das Obras Sociais Irmã Dulce, em Salvador.

O referido milagre ocorreu na cidade de Itabaiana, em Sergipe, quando, após dar à luz a seu segundo filho, Gabriel, Claudia Cristina dos Santos sofreu uma forte hemorragia, durante 18 horas, tendo sido submetida a três cirurgias na Maternidade São José. Diante da gravidade do quadro, o obstetra Antônio Cardoso avisou a família que apenas “uma ajuda divina” poderia salvar a vida de Cláudia. Em desespero, a família da miraculada chamou o padre José Almí para ministrar a unção dos enfermos. O padre, no entanto, decidiu fazer uma corrente de oração pedindo a intercessão de Irmã Dulce e deu a Cláudia uma pequena relíquia da Bem-Aventurada. A hemorragia cessou subitamente.

O caso de Cláudia foi analisado por dez peritos médicos brasileiros e seis italianos. Segundo o médico Sandro Barral, um dos integrantes da comissão científica que analisou o milagre, “ninguém conseguiu explicar o porquê daquela melhora, de forma tão rápida, numa condição tão adversa”. O milagre passou por três etapas de avaliação: uma reunião com peritos médicos (que deram o aval científico), com teólogos, e, finalmente, a aprovação final do colégio cardinalício, tendo sua autenticidade reconhecida de forma unânime em todos os estágios.

Já no dia 10 de dezembro de 2010, o Papa Bento XVI autoriza então a promulgação do decreto do milagre que transformava a Venerável Dulce em Beata, ou Bem-Aventurada. A autorização foi dada pelo pontífice ao prefeito da Congregação para as Causas dos Santos, Cardeal Angelo Amato, em audiência privada no Vaticano.
Com o reconhecimento final do Papa, abriu-se caminho então para a realização da Cerimônia de Beatificação de Irmã Dulce, evento ocorrido no dia 22 de maio de 2011, em Salvador. Na ocasião, a freira baiana passou a ser reconhecida com o título de "Bem-Aventurada Dulce dos Pobres", tendo o dia 13 de agosto como data oficial de celebração de sua festa litúrgica.
Atualmente, Irmã Dulce está em processo final de Canonização, etapa que teve início em dezembro de 2010, a partir do decreto papal. Para a canonização é necessária a aprovação de um novo milagre atribuído à intercessão do beato. Contudo, essa nova graça, para ser analisada pelo Vaticano como potencial milagre de sua santificação ou canonização, precisará ter ocorrido após o dia 11 de dezembro de 2010 – data da promulgação do decreto papal sobre o primeiro milagre. No momento da canonização, o Santo Padre, em virtude da sua infalibilidade, declara que o beato está entre os santos do céu e inscreve seu nome na lista oficial (cânon) dos Santos da Igreja.

Canonização


Em 13 de maio de 2019, o Papa Francisco promulgou o decreto que reconhece o segundo milagre atribuído à intercessão de Irmã Dulce, cumprindo-se assim a última etapa do processo de Canonização da beata baiana. Em julho de 2019, durante reunião do Consistório, no Vaticano, o Santo Padre anuncia que Irmã Dulce será canonizada no dia 13 de outubro de 2019. Oficialmente, ela passará a ser chamada de Santa Dulce dos Pobres, a primeira santa brasileira da nossa época e terá como data litúrgica o dia 13 de agosto.
O homem agraciado com o segundo milagre da Mãe dos Pobres é José Maurício Moreira. Natural de Salvador, Maurício, aos 22 anos, teve o diagnóstico de um glaucoma muito sério, descoberto tardiamente e já em estado avançado. O tratamento, que durou dez anos, não foi suficiente para impedir que o nervo ótico – responsável pela comunicação com o cérebro – fosse destruído. Desse modo, na virada do ano de 1999 para 2000, ele ficou totalmente cego de ambos os olhos e assim permaneceu por mais de 14 anos. Em 2014, já morando em Recife, Maurício teve uma conjuntivite muito grave e sofrendo com fortes dores, pegou a imagem de Irmã Dulce que pertencera a sua mãe, a colocou sobre os olhos e, com muita fé, fez uma oração pedindo a intercessão do Anjo Bom para que aliviasse as dores da conjuntivite. “Ao acordar, comecei a ver a minha mão. Entendi que Irmã Dulce tinha operado um milagre. Ela me deu muito mais do que eu pedi: eu voltei a enxergar”.

O segundo milagre validado pelo Vaticano passou por três etapas de avaliação: uma reunião com peritos médicos (que deram o aval científico), com teólogos, e, finalmente, a aprovação final do colégio cardinalício, tendo sua autenticidade reconhecida de forma unânime em todos os estágios. Uma graça só é considerada milagre após atender a quatro pontos básicos: a instantaneidade, que assegura que a graça foi alcançada logo após o apelo; a perfeição, que garante o atendimento completo do pedido; a durabilidade e permanência do benefício e seu caráter preternatural (não explicado pela ciência). O processo de Canonização de Irmã Dulce é o terceiro mais rápido da história (27 anos após seu falecimento), atrás apenas da santificação do Papa João Paulo II (9 anos após sua morte) e de Madre Teresa de Calcutá (19 anos após o falecimento da religiosa).


Fonte: irmadulce.org.br

quarta-feira, 2 de outubro de 2019

Nós apoiamos essa causa!


Movimento internacional de conscientização para o controle do câncer de mama, o Outubro Rosa foi criado no início da década de 1990 pela Fundação Susan G. Komen for the Cure. A data é celebrada anualmente, com o objetivo de compartilhar informações e promover a conscientização sobre a doença; proporcionar maior acesso aos serviços de diagnóstico e de tratamento e contribuir para a redução da mortalidade. 

segunda-feira, 23 de setembro de 2019

23 de setembro - Dia Internacional contra a Exploração Sexual e o Tráfico de Mulheres e Crianças




No mundo, estima-se que existam 2,4 milhões de pessoas que são forçadas a realizar trabalhos forçados de acordo com a Organização Internacional do Trabalho (OIT). Na maioria dos casos, 80% são mulheres ou meninas.
Ainda de acordo com a entidade, lucros ilícitos totais de trabalho forçado são estimados em cerca de 32 bilhões de dólares por ano, dos quais 76% vem da exploração sexual, classificado como o terceiro negócio mais lucrativo em todo o mundo depois do tráfico de drogas e de armas vendas.
Entendendo a importância de denuncia e combater este tipo de crime, o dia 23 de setembro é lembrado como o Dia Internacional contra a Exploração Sexual e o Tráfico de Mulheres e Crianças.








FONTE: BRASIL DE FATO

sexta-feira, 13 de setembro de 2019

Força Feminina no Grito dos Excluídos 2019


VIDA EM PRIMEIRO LUGAR

"Este sistema não vale: LUTAMOS POR JUSTIÇA, DIREITOS E LIBERDADE"





UM GRITO DIFERENTE 

Um grito contra o furacão de arrogância e do autoritarismo,
Metralhadora verbal que, em todos os momentos e direções,
Cospe fogo e bala sobre qualquer crítico e opositor de bom senso;
Tidos todos como inimigos, comunistas, perigosos, baderneiros...
 
Um grito contra a guerra às instâncias e instituições democráticas,
Guerra que espalha confusão e intriga entre os poderes e competências,
Semeando insultos, ataques e ofensas entre os diferentes órgãos,
Desqualificando visões, pensamento e valores contrários...
 
Um grito contra a institucionalização da mentira histórica,
Que desenterra tiranos e rebeldes, torturadores e vítimas,
No sentido de exaltar a ditadura como o melhor dos regimes,
Desdizendo os fatos há muito consolidados pela historiografia...
 
Um grito contra a falta de políticas públicas de bem comum,
Que possam defender os direitos básicos e a dignidade humana
Dos povos indígenas, das comunidades quilombolas, dos migrantes
E de todas as pessoas e grupos cuja vida se encontra mais ameaçada...
 
Um grito contra o patrimonialismo, o nacionalismo e o nepotismo:
Um porque mistura, confunde e baralha o campo público e privado;
Outro porque se nutre de bravatas, agressões e retórica populista;
E outro ainda porque privilegia o clã familiar em detrimento da nação....
 
Um grito contra a cultura da violência que libera o uso e abuso das armas,
Divide o campo de batalha em “bons” e “maus”, os “nossos” e “eles”,
Governa de arma em punho, apontada para os que estão do lado de fora,
Vendo fantasmas em cada esquina, em cada mensageiro, em cada sombra...
 
Um grito contra o desmonte de políticas dura e longamente construídas:
Em favor da preservação do meio ambiente e da biodiversidade,
Em favor dos povos e riquezas, da fauna e flora da região amazônica,
Em favor da pesquisa científica e da educação para o diálogo...
 
Um grito contra a cultura do confronto, da vingança e da morte;
Que após se espalhar pelo país tem ultrapassado suas fronteiras,
Jogando cizânia em meio ao trigo das boas maneiras diplomáticas,
Isolando o Brasil e provocando retaliações nas relações econômicas...
 
Um grito contra um sistema que não vale, pois exclui, descarta e mata;
Em favor da mobilização e da luta por justiça, direitos e liberdade;
Pela reconstrução de um projeto em vista do “Brasil que queremos”
Pelo resgate da democracia na esfera local, nacional e global...
 
Um grito pela vida, vida para todos, vida em primeiro lugar!...

Pe. Alfredo J. Gonçalves, cs – Rio de Janeiro, 6 de setembro de 2019