sexta-feira, 13 de setembro de 2019

Força Feminina no Grito dos Excluídos 2019


VIDA EM PRIMEIRO LUGAR

"Este sistema não vale: LUTAMOS POR JUSTIÇA, DIREITOS E LIBERDADE"





UM GRITO DIFERENTE 

Um grito contra o furacão de arrogância e do autoritarismo,
Metralhadora verbal que, em todos os momentos e direções,
Cospe fogo e bala sobre qualquer crítico e opositor de bom senso;
Tidos todos como inimigos, comunistas, perigosos, baderneiros...
 
Um grito contra a guerra às instâncias e instituições democráticas,
Guerra que espalha confusão e intriga entre os poderes e competências,
Semeando insultos, ataques e ofensas entre os diferentes órgãos,
Desqualificando visões, pensamento e valores contrários...
 
Um grito contra a institucionalização da mentira histórica,
Que desenterra tiranos e rebeldes, torturadores e vítimas,
No sentido de exaltar a ditadura como o melhor dos regimes,
Desdizendo os fatos há muito consolidados pela historiografia...
 
Um grito contra a falta de políticas públicas de bem comum,
Que possam defender os direitos básicos e a dignidade humana
Dos povos indígenas, das comunidades quilombolas, dos migrantes
E de todas as pessoas e grupos cuja vida se encontra mais ameaçada...
 
Um grito contra o patrimonialismo, o nacionalismo e o nepotismo:
Um porque mistura, confunde e baralha o campo público e privado;
Outro porque se nutre de bravatas, agressões e retórica populista;
E outro ainda porque privilegia o clã familiar em detrimento da nação....
 
Um grito contra a cultura da violência que libera o uso e abuso das armas,
Divide o campo de batalha em “bons” e “maus”, os “nossos” e “eles”,
Governa de arma em punho, apontada para os que estão do lado de fora,
Vendo fantasmas em cada esquina, em cada mensageiro, em cada sombra...
 
Um grito contra o desmonte de políticas dura e longamente construídas:
Em favor da preservação do meio ambiente e da biodiversidade,
Em favor dos povos e riquezas, da fauna e flora da região amazônica,
Em favor da pesquisa científica e da educação para o diálogo...
 
Um grito contra a cultura do confronto, da vingança e da morte;
Que após se espalhar pelo país tem ultrapassado suas fronteiras,
Jogando cizânia em meio ao trigo das boas maneiras diplomáticas,
Isolando o Brasil e provocando retaliações nas relações econômicas...
 
Um grito contra um sistema que não vale, pois exclui, descarta e mata;
Em favor da mobilização e da luta por justiça, direitos e liberdade;
Pela reconstrução de um projeto em vista do “Brasil que queremos”
Pelo resgate da democracia na esfera local, nacional e global...
 
Um grito pela vida, vida para todos, vida em primeiro lugar!...

Pe. Alfredo J. Gonçalves, cs – Rio de Janeiro, 6 de setembro de 2019





quarta-feira, 11 de setembro de 2019

A cada quatro horas uma menina com menos de 13 anos é estuprada no Brasil

Dados são do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, que mostram que assassinatos no Brasil caíram 11%, enquanto mortes nas mãos da polícia aumentaram 19%, cujas vítimas são homens (99%), negros (75%) e jovens (78%)



O adolescente Marcus Vinícius da Silva, de 14 anos, e sete pessoas mais morreram por disparos durante uma operação policial no Complexo da Maré, no Rio, numa quarta-feira de junho do ano passado. O garoto ia para a escola quando foi atingido por um tiro estômago. A fria estatística indica que naquele dia 17 brasileiros foram mortos por tiros da polícia. Eles representam um inquietante fenômeno que está crescendo no Brasil. As mortes em ações policiais aumentaram 19% no ano passado, embora os assassinatos em geral tenham caído 11%, segundo o detalhado Anuário de Segurança Pública 2019 elaborado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, apresentado nesta terça-feira em São Paulo. Os especialistas (acadêmicos, policiais, juízes, procuradores) que elaboraram o relatório de 200 páginas ressaltaram que não existe relação de causa e efeito entre os dois índices.
Uma análise dos dados por Estado mostra, segundo a diretora-executiva do Fórum, Samira Bueno, que “não existe uma correlação direta em que uma coisa se explica pela outra. Os crimes não diminuem mais onde há mais mortes nas mãos da polícia”.
A mãe do adolescente Marcus Vinicius da Silva, morto após ser baleado na Maré.
A mãe do adolescente Marcus Vinicius da Silva, morto após ser baleado na Maré.FERNANDO SOUSA
As mortes em confrontos com as forças de segurança aumentaram em relação ao ano anterior. Em 2018, houve 17 mortes diárias, em comparação com as 14 por dia em 2017, quando também ocorreu um aumento significativo.
As tréguas entre facções criminosas são um dos fatores, mas não o único, como insistem os especialistas, que explicam o fato de as mortes violentas terem caído depois de atingir o número recorde de 64.000 em 2017. O Brasil, com 210 milhões de habitantes, é quase duas vezes maior que a União Europeia, e é o país do mundo com mais mortes intencionais.
Este anuário é uma detalhada radiografia da violência durante o ano que antecedeu a chegada de Jair Bolsonaro ao poder, impulsionado, entre outros fatores, por um discurso de linha dura contra os criminosos, que convenceu milhões de brasileiros preocupados com a criminalidade. Diante de um Governo que pretende flexibilizar a compra e posse de armas, assim como as circunstâncias nas quais os policiais que matam suspeitos são isentados de culpa, os especialistas do Fórum criticaram as duas iniciativas, considerando-as ineficazes para combater a violência.
A comparação com países vizinhos indica que a polícia brasileira está entre as mais letais da América Latina. Bueno detalhou que, embora a dinâmica da violência no Brasil seja semelhante à da Colômbia, lá as vítimas das forças policiais representam 1,5% dos homicídios em geral, sete vezes menos do que no Brasil. A porcentagem brasileira é equivalente à de El Salvador, de quase 11%. Ambos estão muito abaixo da Venezuela, onde as mortes em ações policiais representam arrepiantes 25% dos homicídios, em um país que o anuário destaca que não é democrático.
As vítimas da polícia brasileira são homens (99%), negros (75%), jovens (78%). Um dos especialistas do Fórum apontou o racismo estrutural que existe no Brasil entre os fatores que explicam o fato de que muito mais negros do que seus compatriotas brancos são mortos por tiros da polícia.

Educação sobre igualdade de gênero

O anuário inclui dados estarrecedores, como o de que uma menina com menos de 13 anos é estuprada a cada quatro horas. A violência sexual atinge principalmente os mais vulneráveis, agredidos geralmente em suas casas − por seus pais, padrastos, tios, vizinhos ou primos. Por isso, o fórum destacou a importância de que as escolas eduquem sobre igualdade de gênero e violência sexual. As menores de 13 anos representam mais da metade (54%) das vítimas dos 66.000 estupros registrados, um dramático recorde no Brasil. As vítimas do sexo masculino são ainda mais jovens, a maioria tinha menos de sete anos. Tanto as vítimas de estupro como de feminicídio aumentaram 4%, com mais de 1.200 mulheres assassinadas principalmente por seus companheiros ou ex-companheiros em um país onde há uma denúncia por violência doméstica a cada dois minutos. O anuário inclui também dados animadores, como o de que os crimes contra o patrimônio caíram 14%.
FONTE: EL PAÍS

terça-feira, 3 de setembro de 2019

recuperar nossos corpos

Texto original de Andrea Franulic . Tradução: fêmea brava.


Ter um corpo sexuado não é um fato biológico. Ou, melhor dizendo, não se pode separar a biologia da semiologia, na espécie humana. Isso significa dizer que o corpo não é um embrulho, como se fôssemos uma comida quentinha, confortável para o estômago. Isso significa dizer que “somos” um corpo: com o corpo falamos, damos sentido ao mundo, nos relacionamos, damos sentido à realidade, criamos cultura, ordem simbólica etc. E este corpo é sexuado. A cultura do Homem, ainda em vigor, nega o corpo sexuado da mulher, e faz isso de muitas maneiras diferentes: o despedaça, se apropria dele, o absorve, o silencia, o distorce, o desloca… e também o viola, o mata, o desmembra, o submete à prostituição, o apaga, o coisifica. E mais, uma importante e inteligente operação que esta cultura realiza para negar o corpo sexuado da mulher é defini-lo como gênero feminino; e é aí que o barulho das correntes nos confunde e ensurdece.
Apesar disto, e esta é a boa notícia, muitas mulheres têm significado livremente nossa diferença sexual várias vezes na história, quebrando as convenções, saindo do sistema, recusando-se a casar e dar à luz, rejeitando o regime político da heterossexualidade compulsória, burlando as religiões, rindo das bandeiras, cuidando de animais e outras espécies, amando outras mulheres, respeitando meninas e meninos, relacionando-se sem a lógica da guerra, desprezando a política e o conhecimento de quem detém o poder, não desejando poder, cuspindo em Hegel.
A criatividade do feminismo surge quando nós, mulheres, recuperamos nossos corpos.
É que ter um clitóris, cuja única finalidade é o prazer, nos faz pensar em outro modelo sexual, não fundamentado na reprodução, ou na relação sexual, ou na penetração e nas suas consequências terríveis — como o papel consagrado da família, entre outras. Eu nomeio o clitóris para dar apenas um exemplo da potência transformadora do nosso corpo sexuado, e lembrem-se, amigas, que a criatividade do feminismo surge quando nós, mulheres, recuperamos nossos corpos.
Fonte: QG Feminista - Medium 

terça-feira, 20 de agosto de 2019

Cirandas Prceiras

O Encontro do Cirandas Parceiras é uma atividade que integra o projeto de sensibilização social da Unidade Força Feminina da Rede Oblata. Visa expandir o conhecimento público acerca da realidade das mulheres que exercem a prostituição sensibilizando a rede de atendimento, para qualificar e ampliar o processo de garantia de direitos das mulheres.
Atualmente a atividade de Cirandas Parceiras, além de alcançar a rede de enfrentamento, incorporou também a seu público, à sociedade civil.
Em 2019 o Encontro está de formato diferente, as palestras estão ocorrendo nas sedes dos nossos parceiros. 


Agora é no Casarão da Diversidade!!!!!!!!!!!!


Data: 12/09/2019 – 14h
Local: Casarão da Diversidade – Centro Histórico do Salvador
Endereço: Rua do Tijolo, 8 - Centro, Salvador - BA, 40020-290.

PALESTRANTES:

Keila Simpson - PresidenTRA da Antra (Associação Nacional de Travestis e Transexuais). Coordena o espaço de Sociabilidade e Convivência do Centro de Promoção e Defesa dos Direitos LGBT da Bahia.

Symmy Larrat - PresidenTRA da Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Intersexos (ABGLT). Coordenadora da rede de enfrentamento a violência contra LGBT.

Temas Trabalhados pelas palestrantes:

Symmy: Direitos Humanos e Políticas Públicas para a População LGBT
Keyla: Mulheres Transsexuais e Travestis em situação de Prostituição

FAÇA JÁ SUA INSCRIÇÃO!


sexta-feira, 16 de agosto de 2019

As Mulheres Negras na Encruzilhada das Opressões




Por Iracema Oliveira

Feminismo Negro no mundo

O Feminismo Negro ressurge enquanto luta organizada entre as décadas de 1960 e 1980, marcado especialmente pela criação da National Black FeministOrganization  (1973), nos Estados Unidos. Esta organização possuía o objetivo de discutir questões relevantes a sobre a vida das mulheres negras.
O movimento de mulheres negras se debruça e reflete sobre o lugar das mulheres negras na encruzilhada das opressões[i].A proposição desta luta e resistência organizada era (e sempre será!) pensar os efeitosdo intercruzamento de opressões e violências em suas vidas.
O Feminismo Negro para além das lutas de mulheres negras, possuem sensibilidade para acolher e lutar por todas as minorias que estão em processo de exclusão. Desde o discurso proferido por SojonerTrut[ii]na Women’sRightsConvention em Akron, Ohio, Estados Unidos, em 1851 as mulheres negras explicitaram para o mundo a consciência que já tinham sobre a sua condição de não lugar e injustiça.
As mulheres negras perceberam (sabiamente) a tempos que organizações feministas não acolhiam as especificidades de suas pautas. Entenderamtambém quea luta antirracista não tratava com a devidaimportânciaas pautas feministas.Observando essas incongruências dos dois movimentos citados as mulheres negras se reorganizam e pautam as suas próprias demandas. Gerando agendas internacionais de mobilização e lutas.
Ainda sobre a esteira do movimento,nadécada de 90, durante o 1º  Encontro da Rede de Mulheres Negras Afro-latina e Caribenha em Santo Domingo –naRepublica Dominicana –  nasce o Dia da Mulher Negra Latino Americana e Caribenha (1992). Fato que irá reacender e fortalecer o movimento de mulheres negras.

Ø  Sugestões intelectuais negras decoloniais: KimberleCrenshaw, PatriciaHillColins, AngelaDavis e bellhooks. 

Sobre Feminismo Negro no Brasil:

Já no Brasil, o movimento ganhou força no final dos anos 1970. Apesar das mulheres naquela época já terem o direito ao voto (conquistado desde de fevereiro de 1932), as negras, em específico, se sentiam deslocadas dos movimentosfeministas e antiracista. Fatores como a hipersexualização do corpo feminino negro, machismo, sexismo e racismo em diversas estruturas e também os reflexos do processo de escravização influenciaram diretamente manutenção daresistência e luta por um país mais justo e equitativo. Desta articulação e resistência resulta aLei nº 12.987/2014, que sancionada pela presidenta Dilma Rousseff, institui o Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra. 
O dia 25 de Julho em Salvador desde 2013 é fortalecidopela agenda do Julho das Pretas, que promove uma série de atividade durante todos o mês e se estende até o mês de agosto. A agenda do Julho das Pretas na Bahia é articulada pelo Odara - Instituto da Mulher Negra com apoio de outras organizações baianas.

Ø  Sugestões intelectuais negras decolonias: Lélia Gonzalez, Sueli Carneiro, Jurema       Verneck, Carla Akotirene, Djamilia Ribeiro e Joice Berth.

Mulheres negras e dados estatístico:

Será que realmente a vida das mulheres negras no nosso país anda tão difícil? Os dados apresentados abaixo refletem a realidade das mulheres negras em nosso país na atualidade:

  •          Em violência doméstica são: 58,68%;  (Disque 180, a Central de Atendimento à Mulher)
  •          Em violência obstétrica são: 65,4%; (Fiocruz)
  •          Em mortalidade materna são: (53,6%);(Ministério da Saúde)
  •      Em 2015, 88,7% das(os) trabalhadoras(es) domésticas(os) entre 10 e 17 anos no Brasil eram meninas e 71% eram negras (PNAD Contínua Trimestral do IBGE)
  •        No trabalho informal são 52%; (IBGE)
  •     01 mulher é morta a cada 1h30min;(IPEA)
  • São 61% das mulheres assassinadas; (Atlas da Violência 2019 - IPEA)
  • Dos 513 parlamentares, 52 são mulheres, sendo 07 mulheres negras (menos de 01%); (IBGE)

Os dados nos permitem inferir que as mulheres negras são:

  • as mais pauperizadas;
  • as que tem menos acesso aos diretos básicos (saúde e educação de qualidade, moradia digna);
  • as que tem pouca (quase nenhuma) mobilidade social;
  • as que ocupam os piores postos de trabalho;
  • as mais vulnerabilizadas, oprimidas e exploradas;

Força Feminina e as mulheres atendidas

            A Rede Oblata é um organismo mobilizador que atende e acompanha mulheres prostitutas que são de maioria mulheres negras, respeitando as escolhas e os direitos das profissionais, não podemos deixar de ratificar que o exercício da prostituição (nesta encruzilhada de opressões) agrava, ainda mais, as situações de violações de direitos vivenciada por nossas atendidas.
O projeto aqui em Salvador atende anualmente cerca de 420 mulheres que, em sua maioria, apresentam baixo grau de escolaridade. Segundo pesquisa diagnóstica realizada pelo Projeto Força Feminina em 2007, 80% das mulheres atendidas são negras e cerca de 70% possuem o ensino fundamental incompleto, o que por sua vez, inviabiliza maiores possibilidades de superação de violação e acesso a inclusão social. São mulheres provindas de famílias pauperizadas, marcada por conflitos familiares, pobreza e fome, 58% delas sustentam suas casas e tem na prostituição a única fonte de renda familiar. 12 anos se passaram e a realidade, a estatística só aumenta.
           
Estratégias de enfrentamento (muitas perguntas!):

Observando os dados apresentados acima podemos ratificar a importância de pensarmos nos desafios enfrentados pelas mulheres negras em nosso país? Quais seriam as estratégias mais eficazes para enfrentarmos esta situação desastrosa? Apontamos como caminhos de resistência ações de educação e sensibilização que discutamcom as mulheres como as violências se manifestam e apresentamos formas de buscar a garantia de seusdireitos. Acreditamos ser estratégico dialogarmos sobre as variadas formas de opressão de gênero.
Os dados citados que tratam da vida das mulheres, sobretudo as mulheres negras são estarrecedores. A sociedade brasileira (enfatizamos, não somente o movimento de mulheres negras) precisa se debruçar sobre a situação evidenciada nos dados estatísticos. Não será possível resolver a questão das desigualdades sociais, o racismo, o sexismo, a violência de gênero, a lgbtfobia, a violência contra mulher, encarceramento em massa, extermínio da juventude negra sem pensar na melhoria da qualidade de vida das mulheres negras em nosso país. O entendimento de Ângela Davis proferido no encontro internacional sobre feminismo negro decolonial em Cachoeira (2017):

“Quando a mulher negra se movimenta, toda a estrutura da sociedade se movimenta com ela, porque tudo é desestabilizado a partir da base da pirâmide social onde se encontram as mulheres negras, muda-se a base do capitalismo".

traduz nosso sentimento e desejo de continuar disseminado a ideia de autocuidado, resiliência, empatia e sororidade e sobretudo união para resolvermos esta mazela que vem perdurando neste país desde os tempos das “invasões” portuguesas.

Por entender que a luta das mulheres negras é uma luta do povo brasileiro o Projeto Força Feminina participou de várias ações da Agenda do Julho das Pretas em Salvador:

  •          Mediando a roda de bate papo sobre Mulheres Negras: Representatividade e Liderança Roda de Conversa CRAS Nordeste 18/07
  •         Mediando a roda de bate papo sobre Mulheres Negras: Representatividade e Liderança Roda de Conversa CRAS São Cristovão 25/07
  •          Mediando a roda de bate papo sobre Mulheres Negras: Representatividade e Liderança Roda de Conversa CRAS Calabetão 26/07
  •          Mediando a roda de bate papo sobre Mulheres Negras: Representatividade e Liderança Roda de Conversa CRAS Lobato no dia 31/07
  •          Marcha de Mulheres Negras(Julho das Pretas e Instituto Odara)
  •          Seminário Educação Popular: debatendo e fortalecendo no dia 06/07 (EQUIP) 
  •          Seminário Mulheres, política e poder: Construindo redes e garantindo Direitos no dia 06/07 (MUPPS)
  •          Seminário: Educadoras na diáspora africana – fé e lei 10.639/03 no dia 24/07 (CUXI)
  •          Seminário de Biopolíticas de Mulheres Negras – Práticas e Experiências contra racismo e o sexismo nos dias 25 e 26 deJulho (MPBA)

Na Unidade Força Feminina todo mês de julho foram desenvolvidas ações para mulheres atendidas a partir do eixo temático pré-estabelecido, como:

  •         Rodas de conversa sobre a importância da origem do dia da Mulher Negra, Latino–Americana e Caribenha e representações de mulheres negras no Brasil;
  •          Contribuição da Empresa Óleos da Mi sobre empoderamento Crespo;
  •          Exibição do documentário: “Virou o jogo: A história de Pintadas”;
  •          Oficina de cartazes para a Marcha das Mulheres;
  •          Momento de Espiritualidade refletindo a luta diária das mulheres negras na atualidade;
  •          Nas abordagens sociais (visita aos locais de prostituição) foi lembrada e refletida a data de 25 de julho.

As mulheres visualizarem esse mês de luta tornou o espaço de aprendizagem ainda mais rico. Elas, participaram ativamente das atividades propostas trazendo seus entendimentos acerca da temática e contribuindo para o crescimento da luta que ainda percorrerá um longo caminho.

“Eles combinaram de nos matar, mas nós combinamos de não morrer!”
Conceição Evaristo
Nós continuaremos em marcha!

Referencias                                                                             
ü  E não sou uma mulher? – SojournerTruth - https://www.geledes.org.br/e-nao-sou-uma-mulher-sojourner-truth/
ü  Dupla opressão: mulheres negras -https://www.geledes.org.br/dupla-opressao-mulheres-negras/
ü  Angela Davis: “Quando a mulher negra se movimenta, toda a estrutura da sociedade se movimenta com ela” - https://brasil.elpais.com/brasil/2017/07/27/politica/1501114503_610956.html
ü  Dialogando com KimberleCrenshaw (ou: porque falar de interseccionalidades nos limita):
ü  Mulheres negras são as maiores vítimas de feminicídio no Brasil
ü  Mulheres negras se mobilizam para ampliar presença na política
ü  Dois terços das mulheres assassinadas no Brasil são negras. Por que elas morrem mais?
ü  Akotirene, Carla. O Que é Interseccionalidade? São Paulo (SP): Sueli Carneiro: Polen. 2019. (Coleção: Feminismos Plurais)
ü  Lisboa, Gilmara Santos. Narrativas Das Mulheres Em Situação De Prostituição Do Centro Histórico De Salvador: Reflexões Sobre Gênero, Raça E Classe. Revista Feminismos. Vol6. Nº2. 2018.
ü  RIBEIRO, Djamila. O que é lugar de fala? São paulo (SP): Sueli Carneiro: Polen. 2019. (Coleção: Feminismos Plurais)
ü  RIBEIRO, Djamila. Quem tem medo do feminismo negro? São Paulo: Companhia das Letras, 2018.



[…] o peso combinado das estruturas de raça e das estruturas de gênero marginaliza as mulheres que estão na base. As discriminações racial e de gênero procuram por mulheres na intersecção e as compactam e impactam diretamente. Portanto, as mulheres negras são afetadas, de maneira específica, pela combinação destas duas formas diferentes de discriminação (CRENSHAW, 2002, p. 12-13) apud LISBOA. 2018) .

[ii] SojounerTruth nasceu escrava em Nova Iorque, sob o nome de Isabella Van Wagenen, em 1797, foi tornada livre em 1787, em função da NorthwestOrdinance, que aboliu a escravidão nos Territórios do Norte dos Estados Unidos (ao norte do rio Ohio). A escravidão nos Estados Unidos, entretanto, só foi abolida nacionalmente em 1865, apos a sangrenta guerra entre os estados do Norte e do Sul, conhecida como Guerra da Secessão. Sojourner viveu alguns anos com um família Quaker, onde recebeu alguma educação formal. Tornou-se uma pregadora pentecostal, ativa abolicionista e defensora dos direitos das mulheres. Em 1843 mudou seu nome para SojournerTruth (Peregrina da Verdade). Na ocasião do discurso já era uma pessoa notória e tinha 54 anos. A versão mais conhecida foi recolhida pela abolicionista e feminista branca Frances Gage e publicada em 1863, essa é a versão traduzida aqui a partir de diversas fontes online.