quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Formação continuada - Rede Oblata 2017

Na manhã de segunda-feira, 31 de julho, no Projeto Força Feminina, Unidade Oblata em Salvador, aconteceu mais uma Formação para a Rede Oblata 2017 “Direitos das mulheres que exercem a prostituição à luz da missão”.


As educadoras sociais Daniela Moura e Rosilene Ferreira compartilharam saberes e propiciaram discussões a cerca da prostituição, dos seus agentes, de possíveis motivos e da prostituição vivida por brasileiros no exterior. Essa formação teve como fundamentação teórica os estudos do livro “Prostituição à Brasileira” de Luis Carlos Sebe B. Meihy e dos textos “Prostituição e Feminismo” de Marlene Rodrigues e “Movimento Feminino em Disputa” de Aline Godois Tavares. Daniela e Rosilene conduziram esse momento de forma lúdica, como se fosse uma roda de conversa, um bate-papo informal, no qual, as vidas de cinco pessoas que vivem a prostituição atualmente fora do Brasil foram expostas desde a sua infância até o momento presente. Os demais trabalhadores sociais contribuíram bastante com questionamentos, inquietações e acréscimos de informações, o que enriqueceu de modo muito singular a discussão.

Com a intenção de sensibilizar os colegas, demais trabalhadores sociais do PFF, foi executada a música “Prostituta” de Negra Gizza e eles foram convidados a ler depoimentos de mulheres atendidas na unidade espalhados pela sala a fim de fazer um paralelo entre a realidade já conhecida, mas não menos chocante e a realidade relatada através dos depoimentos explanados no livro. A música “Sonhos Roubados” de Maria Gadú embalou esse momento.





A partilha do que foi estudado iniciou-se com as educadoras sociais apresentando a proposta do encontro e os conteúdos e as discussões argumentadas no livro, sempre as relacionando com as realidades vivenciadas no PFF e no país. Como esse assunto instiga cada pessoa diferentemente, cada um dos trabalhadores sociais se manifestou naquilo que mais lhe tocou.





"O discurso fica engessado em duas polaridades que não cabem mais nos dias atuais e que precisa ser melhor estudado porque por mais que a prostituição esteja no emaranhado do capitalismo, o qual obedece à regras rígidas, as vidas das pessoas, os prostitutos e as prostitutas não devem mais se perder nesse jogo mercadológico, como se nada valessem.
Os direitos pessoais se perdem no espaço internacional e isso protege os trânsitos de toda ordem: tráfico de pessoas, de órgão, de animais, de armas.
Como o Capital Internacional , a prostituição  - e nela a vida das putas – funciona como moeda de troca. O capital, porém, tem autonomias e isenções, a prostituição não."


terça-feira, 15 de agosto de 2017

Amamos mulheres!

Amamos mulheres! Desde que elas se depilem totalmente a ponto de parecerem crianças. Sim, vaginas "infantis" são ovacionadas. Nenhum pêlo! Que nojo mulher com pêlo! Mulher tem pêlo? É sério? Depilação com cera, por favor! E finge que não dói.
Amamos mulheres! Essas divas. Mas parto normal, não. Vai estragar o brinquedinho? Vagina de cocotinha, lembra? Vagina de cocotinha não é capaz de colocar uma criança no mundo. Cirurgia, por favor!
Amamos mulheres! Com peitos durinhos. Põe silicone, ué! Uma cirurgia a mais, uma a menos, não faz diferença. Peitos que jorram leite pra alimentar um bebê? Isso existe? Com tanta latinha na farmácia... Não, amamentar, não. Que pretensão é essa de poder produzir o alimento do seu filho? Seca, leite. Você não consegue. Peito é pra fins sexuais. Apenas. Servidão.
Amamos mulheres! Que nojo de menstruação... Mulher menstrua? Sangue? Ai, vou desmaiar. Esconde esse absorvente. Shhhhh. Ninguém pode saber que sai sangue de você todo mês. Tem jeito de não menstruar. Vai! Faz isso! Que nojo! Hormônio pra dentro. Tá tudo bem.
Amamos mulheres! De barriga chapada: por que a sua não é? Lipoaspiração. Abdominoplastia. Cinta que tira o fôlego. Tudo a seu favor. O que não vale é ter a sua própria barriga. Onde já se viu? Que audácia amar seus pneuzinhos!
Amamos mulheres! Mas essa vagina não é igual ao do filme pornô. Vai lá! Tem cirurgia íntima! O Brasil é recordista mundial em cirurgias íntimas femininas. Uma cirurgia a mais, uma menos... Mais uma dose de cirurgia, por favor. Labioplastia ou ninfoplastia. Ninfo. Aproveita que também existe clareamento anal. Tudo rosinha. Ninfo. Rosinha. Sua vagina não serve. Nem seu ânus.
Amamos mulheres! De sobrancelha feita, cabelo pintado, escovado, maquiada, com esmalte, depilada, vagina e ânus rosadinhos, salto, sem menstruação, sem leite jorrando do peito, sem ver um filho passando em sua vagina. Mulheres... Cirurgias. Produtos pra maquiar. Naturalidade feminina? Nojo!
Amamos mulheres! Doces. Já tomou seu rivotril hoje? Gritou? Tá louca. The mad woman in the attic. Mulheres. Jovens. Eternamente. Um fio de cabelo branco é sinal de desleixo. Compra tinta, maquiagem, faz cirurgia, toma hormônio, rivotril, sinta a dor de cada pelinho sendo arrancado com cera quente. Vai em frente!
Amamos mulheres! Jovens, maquiadas, moldadas, dormentes, lipoaspiradas, siliconadas, alisadas, clareadas, refinadas, "limpas", de salto - nem sua altura serve! - desumanizadas, anestesiadas para a próxima cirurgia. São tantas Galateas...
Amamos mulheres! Já viu o 'the perfectv'? Novidade no mercado. Iluminador para a vagina. Rosa. Iluminada. Ninfa. Cocotinha. Depilada. Infantil.
Amamos mulheres! Desde que elas não sejam mulheres. Apenas estátuas moldadas. Apenas Galateas esculpidas por Pygmalion. Sem vida. Estão todas dopadas. Seja por remédios ou pela mídia.

"Gostamos de mulheres femininas": mentira! Porque vocês odeiam tudo o que é feminino: pêlos, sangue, parto, leite, cheiro natural de vagina, cores e sabores. Vocês não gostam de fêmeas. Vocês gostam que mulheres performem feminilidade. A qualquer custo. Que não sejam elas mesmas. Chora, Galatea. Em silêncio pra não incomodar.


VIA: Quartinho da Dany

Fonte: Facebook BECO DO POETA

DIÁLOGOS SOBRE DIREITOS DAS MULHERES

Na segunda-feira, 07 de agosto, Valtemi Barreto, da Equipe do Projeto Força Feminina, Unidade Oblata em Salvador, conduziu mais uma das formações para a REDE Oblata 2017. Com base no filme “As Sufragistas” de Sarah Gavron, a formação ocorreu com a participação intensa das trabalhadoras sociais que discutiram sobre a validação de direitos já conquistados pelas mulheres e se realmente esses direitos estão sendo respeitados na sociedade atual.


Bem como as sufragistas do início do século XX, as mulheres de hoje também têm muito a conquistar. Percebe-se a pouca participação das mulheres nos cargos de comando e na política, a dependência econômica em relação aos seus companheiros... É visível também o machismo no padrão do vestuário das mulheres em empresas ditas sérias, organizadas e de grande porte, visto que, nesses locais a mulher deve se “fantasiar” de homem para poder exercer o seu trabalho a fim de não despertar atenção / interesse sexual dos colegas homens, e ser respeitada, entre tantos outros casos de falta de respeito e desigualdades.



Em prol de melhores oportunidades e de igualdade para ambos os sexos e gêneros, é que o Projeto Força Feminina entra nesse tema a fim de entender e dialogar sobre os direitos das mulheres que foram tão oprimidas e silenciadas durante séculos, sem direito a exercer a sua sexualidade, sem direito ao planejamento familiar, sem direito de escolher a formação acadêmica que desejavam, enfim, sem direito a ter direitos...

O filme “As Sufragistas” toca nesse ponto central, ao retratar o que a personagem principal passa desde a sua infância até a fase adulta:
“É natural para Maud aceitar as péssimas condições de trabalho que lhe são impostas. É natural para Maud acreditar que ela deve ser grata ao patrão que a explora desde a mais tenra infância e chega até mesmo a abusar sexualmente dela e de suas companheiras de jornada. É natural para Maud, sentir-se inferior.”


A discussão seguiu-se e foi exibido o documentário “Virou o Jogo - A História de Pintadas” – com depoimentos dos moradores desta cidade localizada no interior da Bahia. Este fortaleceu no grupo a crença de que a educação é sim transformadora. Foi surpreendente observar o esclarecimento e a transformação de costumes relatada pelas pessoas entrevistadas, especialmente por pessoas de mais idade e em uma cidade do interior, onde muitas vezes os costumes são considerados mais atrasados.

Foi exibida a apresentação “Mulheres que Fizeram História”, desde Leila Diniz à Irmã Dulce e Madre Tereza de Calcutá, ao som de “Pra Não dizer que Não Falei de Flores” do músico Geraldo Vandré.

E tecendo uma rede, a equipe verbalizou frases de direitos e empoderamento que precisam ser conquistados e postos em prática não só pelas mulheres, mas pela sociedade como um todo.



Às mulheres, força! Pois a luta ainda continua...




terça-feira, 8 de agosto de 2017

Médico alerta sobre perigos do câncer do colo do útero

Hospital Santa Izabel disponibiliza atendimento integralizado em oncologia

Terceiro tumor mais frequente na população feminina, atrás apenas do câncer de mama e do colorretal, e a quarta causa de morte de mulheres por câncer no Brasil, o câncer do colo do útero, também chamado de câncer cervical, é causado por uma infecção persistente por alguns tipos do papilomavírus humano - o HPV. “O vírus do HPV é fundamental para o desenvolvimento da neoplasia cervical e pode ser detectado em 99% dos cânceres de colo uterino”, afirma Dálvaro Castro Junior, oncologista do Hospital Santa Izabel.

O médico ressalta, no entanto, que a presença do vírus, por si só, não significa que a paciente irá desenvolver um quadro de câncer. “Estima-se que entre 75 e 80% dos adultos sexualmente ativos adquirem o HPV antes dos 50 anos de idade, mas a maioria das infecções é transitória. Entre os mais de 40 tipos já identificados do vírus, aproximadamente 15 são conhecidos como oncogênicos. Quando a infecção por HPV persiste, o tempo desde a infecção inicial até o desenvolvimento de neoplasia intraepitelial cervical de alto grau e, finalmente, o câncer invasivo leva em média 15 anos, embora tenham sido relatados cursos mais rápidos”, alerta o oncologista.
Dessa forma, a detecção da doença é realizada durante as consultas regulares com um médico ginecologista. “O rastreamento do câncer de colo uterino detecta lesões pré-malignas e em estágio inicial, e, nesses casos, o tratamento diminui a incidência e a taxa de mortalidade. O principal método de rastreamento é o teste de papanicolau (citologia oncótica). O exame clínico permite o diagnóstico das verrugas genitais. As lesões subclínicas podem ser diagnosticadas por meio de exames citopatológicos, histopatológicos e de biologia molecular ou pelo uso de instrumentos com poder de aumentar sua visualização após a aplicação de reagentes químicos para contraste”, acrescenta o oncologista.
Nos casos em que o câncer já foi identificado, o tratamento deve ser iniciado imediatamente. “O câncer de colo uterino é uma doença potencialmente curável. Quanto mais precoce for o diagnóstico, maior será a chance de cura. Quando o câncer é descoberto num estágio inicial, é possível tratar através de pequenas cirurgias, como a criocirurgia e a conização. Já nos estágios mais avançados, as opções terapêuticas podem incluir a histerectomia total, a radioterapia, a braquiterapia e a quimioterapia”, esclarece Dálvaro Júnior.
Alerta
Em 2015, a Organização Mundial da Saúde (OMS), no relatório “Controle integral do câncer do colo do útero: Guia de práticas essenciais”, lançou um alerta para todos os países sobre a prevenção e o controle da doença. De acordo com o documento, estima-se que pelo menos 1 milhão de mulheres em todo o mundo vive com câncer do colo do útero. E, na maioria dos casos, sem acesso aos serviços de saúde para a prevenção, tratamentos curativos ou cuidados paliativos.
Entre as principais diretrizes de prevenção detalhadas no relatório, está a vacinação de meninas com idade entre 9 a 13 anos, com duas doses da vacina contra o HPV.“Além da vacina, que protege contra os principais tipos de HPV causadores de câncer, é possível também prevenir a infecção pelo vírus através do uso de preservativos durante o ato sexual e, claro, monitorar possíveis infecções através do acompanhamento regular com um médico ginecologista”, afirma Castro Junior.
Tratamento 
Com uma equipe especializada, formada por médicos cirurgiões e clínicos, além de profissionais de enfermagem, farmácia, assistência social e psicologia, o Serviço de Oncologia do Hospital Santa Izabel é referência no tratamento de câncer na Bahia. Além de integralizar todo o tratamento em um único lugar, desde as consultas clínicas, passando pela cirurgia oncológica, radioterapia e tratamento quimioterápico, até a internação, o Instituto Baiano do Câncer do Hospital Santa Izabel possui um parque tecnológico completo, com equipamentos de diagnóstico e tratamento de última geração.

Fonte: Correio* 

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Descriminalização do aborto no Chile retoma as discussões sobre o tema no mundo

América Latina ainda abriga boa parte dos países que consideram o abordo um crime; o Brasil está entre eles
A aprovação do projeto que legaliza o aborto no Chile trouxe mais uma vez à tona, o debate sobre o assunto. A medida votada pelo Poder Legislativo colocou fim ao status do país como o último na América Latina a proibir o aborto em todas as circunstâncias, inclusive em casos de estupro. 
Tabu: países localizados na América Latina como o Brasil, ainda consideram a prática do aborto crime
(Foto: Fernando Frazão/ Agência Brasil)

A iniciativa deverá passar agora pela aprovação do Tribunal Constitucional, pois a oposição recorreu a essa corte para impugná-la. O projeto legaliza o aborto em caso de inviabilidade do feto, de perigo de vida para a mãe e de gravidez decorrente de estupro.
Na sessão considerada histórica, o Senado aprovou o projeto promovido pelo governo de Michelle Bachelet, com 22 votos a favor e 13 contra o relatório de uma comissão mista sobre os procedimentos em casos de estupro contra menores de 14 anos.
Falar de abordo no mundo é muito mais do que uma mera polêmica onde uns são contra e outros a favor. O fato é que segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), 22 milhões de abortos ocorrem por ano em locais insalubres e sem a estrutura adequada. Em média, 47 mil mulheres morrem todos os anos por complicações decorrentes do procedimento.
Membros da oposição argumentaram que a medida viola a Constituição. O Chile legalizou o aborto por razões médicas em 1931, mas a prática foi banida em todas as circunstâncias durante a ditadura de Augusto Pinochet, entre 1973 e 1990. Também no mesmo dia, a Câmara de Deputados também tinha aprovado - por 70 votos a favor, 45 contra e uma abstenção - artigo que estabelece que as meninas possam abortar sem o consentimento de seus pais.
Os grupos defensores dos direitos das mulheres acreditam que se a prática fosse descriminalizada, não só a mulher gestante que decidisse pela interrupção da gravidez, mas também o terceiro que realiza o procedimento deixariam de ser penalizados por isso. Dados mais recentes apontam ainda que, pelo menos, 221 chilenas estavam cumprindo algum tipo de pena por abortar ou ajudar no ato.  A legalização permite que regras sejam estabelecidas para que o aborto ocorra de forma segura, sem risco de vida para a gestante.
Aborto no mundo
Legislações tão duras, capazes de punir a mulher até mesmo por abortos espontâneos ainda existem.  No ano passado, em El Salvador, Glenda Xiomara Cruz, de 19 anos, nem sabia que estava grávida quando foi buscar ajuda médica por estar sofrendo intensas dores abdominais. Denunciada pelo próprio hospital por esse aborto espontâneo, foi sentenciada a 10 anos de prisão.
Outro caso no mesmo país é o de Mirna Ramírez, que saiu da prisão em 2015 após 12 anos. Ela deu a luz a um bebê prematuro, quando tinha 34 anos, no banheiro de sua casa. Foi denunciada por uma vizinha a quem havia pedido ajuda, que declarou às autoridades que Mirna havia tentando matar a criança que nasceu após sete meses de gestação.
Uma boa parcela dos países que proíbem a prática está na América Latina, América Central e África. O Brasil, inclusive integra a lista junto com a Venezuela e o Paraguai. Na contramão, no entanto, há países emergentes em território latino como Cuba, Guiana, Guiana Francesa e Uruguai, onde o aborto é permitido. A análise pode ser feita a partir de dados compilados pelo World Abortion Laws, mapa que reproduz o comportamento da lei do aborto ao redor do mundo.
No entanto, inúmeros dos países desenvolvidos no continente Europeu e na América do Norte – entre eles Estados Unidos Canadá, Espanha, Portugal e França, por exemplo - o aborto é descriminalizado. Segundo um levantamento feito pelo Instituto Guttmacher junto com a OMS, no ano passado, a política rígida no que toca a questão do aborto não traz qualquer modificação no número de procedimentos realizados na ilegalidade.
O resultado do levantamento indica que, nos países ricos, os abortos caíram de 46 casos por cada mil mulheres em 1990 para apenas 27 em 2014. Nos países em desenvolvimento, a redução foi insignificante, de 39 para 37 casos. Ainda de acordo com o estudo, se em 1990 cerca de 39 milhões de casos de abortos eram registrados nos países pobres, hoje eles chegam a 50 milhões. Nos países ricos, a direção foi oposta direção oposta, passando de 12 milhões para 7 milhões.
Fonte: Correio

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

200 euros por garota: Como uma rede de tráfico levou 33 brasileiras à prostituição na Itália


O sonho de morar na Europa e ganhar salários em euros levou pelo menos 33 mulheres do Rio Grande do Norte para a Itália entre os anos de 2006 e 2009. Ao embarcar para um emprego como dançarina em casas de shows europeias, no entanto, elas se tornaram escravas sexuais num esquema ítalo-brasileiro que fazia as jovens viajarem endividadas para serem exploradas sexualmente.

Veja reportagem na íntegra: http://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2017/07/22/-200-por-garota-como-uma-rede-de-trafico-do-rn-levou-33-brasileiras-para-prostituicao-na-italia.htm

Fonte: Uol Notícias

sexta-feira, 28 de julho de 2017

Ângela Davis em Salvador - Reitoria da UFBA

Angela Davis: “Quando a mulher negra se movimenta, toda a estrutura da sociedade se movimenta com ela”

Filósofa norte-americana exortou que o feminismo negro defenda punições alternativas à prisão. Professora defendeu que movimento no Brasil, incluindo o das domésticas, seja referência para EUA.



As pessoas me perguntam: 'Você já esteve no Rio?' Não. 'Você já esteve em São Paulo?' Não. Mas estive em Salvador e de novo e de novo", derreteu-se Ângela Davis rendendo de vez o auditório da Universidade Federal da Bahia (UFBA) nesta terça-feira. As pessoas que lotavam as cadeiras e as galerias, muitas reluzindo vastas cabeleiras afro em jogo com a de Davis - do graúna das fotos históricas, agora seu fios estão agora quase brancos -, ouviram a filósofa e ícone da luta pelos direitos civis dos EUA conclamar contra os que considera algozes, do Governo Trump ao sistema carcerário mundial "depositário dos humanos considerados lixo": "Com a força e o poder das mulheres negras desta região, nós resistiremos".
Davis comemorou que sua sexta visita ao Brasil desde os anos 90, a quarta apenas em Salvador, uma das cidades mais negras do Brasil, coincidisse com o Dia Internacional da Mulher Negra Latino Americana e Caribenha, 25 de julho. Em seu discurso de quase uma hora, a professora emérita do departamento de estudos feministas da Universidade da Califórnia criticou o encarceramento como meio de combater a violência de gênero: "Quão transformador é enviar alguém que cometeu violência contra uma mulher para uma instituição que produz e reproduz a violência? As pessoas saem ainda mais violentas da prisão. Adotar o encarceramento para solucionar problemas como a violência doméstica reproduz a violência que tentamos erradicar", afirmou na mesa de conferências imponente formada por mulheres negras.
A ativista argumentou que é preciso relacionar a violência de gênero a "violências institucionais" para buscar outras maneiras de combater o sexismo: "Não são as pessoas individualmente que decidem que a violência é a resposta; são as instituições ao nosso redor que estão saturadas de violência. Se o Estado usa a violência policial para solucionar problemas, há a mensagem de que a violência também pode ser usada para resolver problemas em outras esferas como os relacionamentos. Não podemos excluir a violência de gênero de outras violências institucionais", pontuou a filósofa.
Presa em 1970 acusada de conspiração e homicídio após envolvimento com o movimento dos Panteras Negras nos EUA e pesquisadora sobre o sistema carcerário, a ativista estabeleceu as relações entre o sistema escravista e o sistema prisional. "No passado houve quem defendesse a manutenção da escravidão de forma 'mais humanizada'. Esse argumento não nos faz sentido, mas há os que defendem a reforma do sistema carcerário hoje. A escravidão e o cárcere são instituições de repressão estruturadas no racismo. Abolir o sistema carcerário nos faz pensar a sociedade em que esse sistema de punição emerge e buscar novas formas de justiça", defendeu.
Davis lembrou a trajetória de mulheres negras brasileiras e enfatizou a sua importância na construção de novas lideranças e de novos formatos de liderança. Questionou seu lugar como difusora privilegiada das ideias do feminismo negro por ser norte-americana. "As mulheres dos EUA têm muito a aprender com a longa história de luta do feminismo negro no Brasil." "Mãe Stela de Oxossi me falou sobre a importância das mulheres negras na preservação das tradições do candomblé. Vi a importância de Dona Dalva para manter a tradição do samba de roda no Recôncavo Baiano", contou. Ela também elogiou o movimento organizado bem sucedido das trabalhadoras domésticas negras. "Nos EUA não conseguimos estruturar essa categoria com sucesso. A liderança dessas mulheres não se estrutura naquele individualismo carismático masculino que vimos no passado. É um tipo de liderança que enfatiza o coletivo e as comunidades onde vivem", afirmou ela.
A professora fez questão de mencionar Carolina Maria de Jesus, autora de Quarto de despejo, um diário de uma moradora de favela em São Paulo dos anos 60, para dizer que a escritora “nos lembrou que a fome deveria nos fazer refletir sobre as crianças e o futuro”. Também disse que a antropóloga e ativista baiana Lélia Gonzalez foi pioneira nas conexões entre raça, classe e gênero quando pouco se falava nisso. "Ela já falava sobre os elos entre negros e indígenas na luta por direitos. Essa é uma das lições que os EUA podem aprender com o feminismo negro daqui.''
Davis foi ovacionada ao dizer que considera o movimento das mulheres negras o mais importante do Brasil hoje "na busca por liberdade". Antes de Salvador, num encontro internacional sobre feminismo negro e decolonial em Cachoeira, ela já havia defendido o poder de transformação da mobilização: "Quando a mulher negra se movimenta, toda a estrutura da sociedade se movimenta com ela, porque tudo é desestabilizado a partir da base da pirâmide social onde se encontram as mulheres negras, muda-se a base do capitalismo".
A conferência na UFBA foi encerrada com a insistência de Davis na necessidade de novas abordagens feministas sobre o sistema carcerário. "Não reivindicamos ser incluídas em uma sociedade profundamente racista e misógina, que prioriza o lucro em detrimento das pessoas. Reivindicar a reforma do sistema policial e carcerário é manter o racismo que estruturou a escravidão. Adotar o encarceramento como estratégia é nos abster de pensar outras formas de responsabilização. Por isso, hoje faço uma chamada feminista negra para abolirmos o encarceramento como forma dominante de punição e pensarmos novas formas de justiça."
FONTE: EL PAÍS

Cirandas Parceiras “Violência Obstétrica - Rita Calfa, gestora do Tsylla Balbino”

Em 19 de julho foi realizado o terceiro encontro de “Cirandas Parceiras” deste ano, evento que visa sensibilizar a sociedade civil quanto aos direitos das mulheres. O tema desta edição foi Violência Obstétrica apresentado pela enfermeira, professora universitária e gestora da Maternidade Tsylla Balbino, Rita Calfa.


A apresentação de Rita Calfa ofereceu a todxs presentes suas explicações claras, deixando à vontade com o seu jeito simples de trazer à tona, informações importantes sobre a saúde física, emocional e psicológica da mulher em um dos momentos mais sonhados e idealizados pelas mesmas – o momento do parto.

Ela comunicou as melhorias realizadas durante os últimos seis anos no qual ela se encontra como gestora da maternidade. Na formação também foram citados exemplos de violências sofridas no momento do parto e foi explicado que, com a legalização, muitas práticas antigas tiveram a necessidade de deixar de ocorrer, em sua totalidade ou diminuindo-se drasticamente, a fim proporcionar uma maior qualidade no atendimento da mulher visando a sua saúde integral.



Segundo Rita Calfa, atualmente, o parto está mais humanizado, a equipe que acompanha as mulheres é mais sensível a elas e a esse momento, a “Tsylla Balbino” foi uma das primeiras maternidades a permitir a presença de um acompanhante no momento do parto e essa presença, é fundamental, pois inibe a violência contra a mulher.




A palestra aconteceu em um clima de aprendizagem significativa, na medida em que houve a identificação dxs  presentes com as situações trazidas pela facilitadora.


Agradecimentos fraterno à  Rita Calfa!

quinta-feira, 27 de julho de 2017

Todos os meses do ano... 25 de julho!

Mas, em julho pudemos dar mais visibilidade às mulheres negras e suas lutas, resistência, enfretamento a violência e a ressignificação constante diante de uma sociedade racista, machista, sexista e intolerante.

Em Salvador, ocorreram diversos eventos e o Projeto Força Feminina não poderia estar de fora contemplando a grandiosidade de temáticas que serviram de formação profissional e pessoal.

Esses eventos ocorreram em alusão aos 25 de julho consagrado a todas as mulheres negras da América Latina, Caribe e do Brasil. Data que tem um marco histórico de resistência política contra a opressão do racismo, do sexismo e de outras formas de dominação política-cultural e social imposta às populações negras.

#Diálogo Contemporâneo - Sheila Walker (“Pensar nos triunfos apesar dos problemas” )



#Diálogos sobre a violência contra a Mulher (Cê vai se arrepender de levantar a mão para mim).



#Marcha das Mulheres




#IIº Ciclo Internacional Mulher Negra e Ancestralidade – UNEB (Grupo de Estudos - CANDACES)





#conferência de Ângela Davis 




quarta-feira, 19 de julho de 2017

Descomplica o feminismo

Mulher, negra, trans: a vida real é uma somatória de opressões

Sarah Mund explica a teoria da interseccionalidade, que diz que as formas de exclusão não podem ser analisadas individualmente


Quando se olha de fora é fácil assumir que uma pessoa enfrenta preconceitos por variados motivos e experimenta as diferentes opressões como se elas simplesmente fossem acrescentadas uma a uma. Mas como inúmeras mulheres incríveis já compartilharam com a gente aqui na AzMina mesmo, em nossa atual sociedade ser uma mulher negra ou uma transexual cadeirante, para dar alguns exemplos, é muito mais complexo do que ser “só” mulher, “só” negra, “só” transexual ou “só” cadeirante. E existe um nome para isso: interseccionalidade.


O termo foi cunhado em 1989 pela advogada e ativista americana Kimberlé Crenshaw (mulher porreta envolvida com os movimentos Black Lives Matter [vidas negras importam] e #SayHerName [diga o nome dela] nos EUA e que tive o privilégio de ouvir em duas palestras na faculdade onde curso mestrado). Ela deu nome a um sentimento que muitos tinham, mas não sabiam como expressar, e que já tinha sido abordado por outros acadêmicos.
Segundo a teoria interseccional, diferentes formas de exclusão não atuam de forma independente, mas estão relacionadas e não podem ser examinadas individualmente
Foi por se encontrar em uma verdadeira sinuca que ela chegou a esse nome. Um caso em que estava trabalhando envolvia duas mulheres negras que estavam processando a empresa onde trabalharam por lhe negarem a oportunidade de serem promovidas; a empresa alegou que não praticava preconceito algum, já que entre os funcionários que cresceram dentro da corporação estavam tanto mulheres quanto negros. Mesmo que nenhuma mulher negra tenha tido a mesma oportunidade, o juiz estava tendo dificuldades em discordar da defesa, já que de fato a empresa não podia ser apontada por desfavorecer seus funcionários com base no sexo ou na etnia.
Foi assim que ela percebeu que precisava encontrar uma forma de descrever a opressão sofrida por mulheres negras, que embora tivesse semelhanças com o que passavam tanto mulheres quanto negros tinha, suas próprias particularidades
A primeira coisa que ela quis mostrar foi que essas mulheres eram invisíveis em pesquisas, já que a na grande maioria das vezes a categoria mulher se aplica às brancas e a categoria negro se aplica aos homens, de uma forma ou de outra elas acabavam ficando de fora dos resultados.

Para demonstrar isso de forma didática ela pensou em intersecções de estradas, quando uma rodovia se encontra com outra e aquele ponto de encontro é tanto parte de uma via quanto de outra, mas diferente de cada uma por si só. Embora o objetivo inicial de Crenshaw tenha sido encontrar uma maneira de melhor representar suas clientes na justiça ao descrever a realidade das mulheres negras, o termo, com sua simplicidade, engloba inúmeras possibilidades e se aplica às mais variadas formas de opressão que as pessoas podem enfrentar.

Como eu já falei antes aqui nesse espaço, a importância de darmos nomes às coisas é sem tamanho, pois só assim podemos de fato alcançar alguma mudança. Pode parecer extremamente otimista, mas o fato de darmos um nome permite que essas pessoas e suas realidades deixem de ser invisíveis e ganham representatividade.
E por falar em representatividade, vale a pena da próxima vez falarmos sobre a importância da representatividade, que vai muito além de incluir um punhado de atores de etnias diferentes em um filme ou novela para dizer que o elenco é diversificado. Ficou com alguma dúvida? Quer saber sobre algo específico? É só mandar a pergunta que a gente responde!


Fonte: http://azmina.com.br/2017/07/mulher-negra-trans-a-vida-real-e-uma-somatoria-de-opressoes/

#éhoje!!!!


sexta-feira, 14 de julho de 2017

#enfrentamentoaviolênciacontramulher



"É como se fosse eu que estivesse na prisão", diz mulher que registrou 15 BOs contra o ex...

A violência já tinha extrapolado o ambiente doméstico e começava a atingir a professora Taise Campos, 39, também fora de casa...

Crise afeta prostituição em todo país


As meninas da Vila Mimosa, zona de prostituição do Rio de Janeiro, enfrentam uma realidade ainda pior: sua clientela foi embora da cidade. Com isso, elas precisam buscar trabalho em outros lugares.
Em tempos de crise, até o trabalho mais antigo do mundo precisa se reinventar. Prostitutas de luxo do Rio de Janeiro e de São Paulo estão tendo que lidar com a escassez de clientes dispostos a pagar valores mais altos pelos serviços. Nem só o mercado de luxo, porém, passa por apertos.
As meninas da Vila Mimosa, zona de prostituição do Rio de Janeiro, enfrentam uma realidade ainda pior: sua clientela foi embora da cidade. Com isso, elas precisam buscar trabalho em outros lugares. A acompanhante de luxo paulistana Yasmin Bergamin resolveu rifar seus serviços pelo preço de R$ 30 por aposta. São cem números e o sorteio vai de acordo com os da loteria federal — ela ainda faz promoções de 2 números por R$ 50 e 3 por R$ 80. Dessa forma, o cliente leva um serviço que valeria R$ 3 mil por um centésimo do valor, e ela não perde um real com isso.
 A paulista tatuada Valentina Valente é crítica à atitude. Passando uma temporada no Rio, ela conta que começou no ramo já durante a crise, há um ano. Ela cobra R$ 400 por hora.
— Eu iniciei em um momento de crise, mas acho complicado isso das meninas fazerem rifas. Assim, elas não estão só desvalorizando o trabalho delas, mas também o de outras garotas. A desvalorização do trabalho nem sempre é uma escolha, mas sim uma condição. Uma influente personagem da Vila Mimosa conta que, desde que as crises política e financeira se instalaram no país, o negócio no local está caindo.
— O problema é que a Vila Mimosa depende de peão. Como as obras pararam, o local esvaziou e as garotas estão tendo problemas para achar programa — conta ela, que preferiu não se identificar. — Agora, elas estão no meio da pista, topando fazer trabalhos dentro do carro mesmo por R$ 20, R$ 30. Muitas garotas que conheci por aqui foram embora, viajaram para Belo Horizonte, para o mundo. O perfil da carioca Gabi está num site de classificados de acompanhantes. Ela trabalha há cinco anos no ramo e se queixa de que, quando começou, era muito mais fácil achar trabalho.
— Senti um pouco a crise, o movimento deu uma caída. O último mês foi muito difícil, cheguei a perder alguns clientes que eram fixos — explica. — Os valores sempre são negociados. Na contramão, Rafinha começou a fazer programa há seis meses, por falta de trabalho formal. Antes, ela era atendente de telemarketing. Agora, segundo ela, sua condição financeira melhorou. — Agora, eu cobro R$ 150 a hora e estou recebendo um retorno financeiro positivo.
Fonte:  Extra