quinta-feira, 19 de julho de 2018

Relacionamento Abusivo



O relacionamento abusivo caracteriza-se como uma forma de violência psicológica no qual, em sua grande maioria, há uma dificuldade da pessoa agredida reconhecer tal tipo de violência, em especial quando existe a “naturalização” da agressão. Para muitas pessoas, violência só é caracterizada quando há agressões físicas, desconsiderando outras formas de violência como a verbal e psicológica. Para além disso, é importante apontar que os relacionamentos abusivos não só podem ocorrer em âmbito conjugal, mas em todos os contextos como na escola (professor X aluno), nas organizações (empregador X empregado), na família( pais X filhos), ou (filhos X pais)  e também com amizades.



Na maioria das vezes é difícil identificar uma situação abusiva, pelos simples fato da mesma ocorrer de forma velada e sútil, sendo um dos indicativos, por exemplo, a forma desconfortável como você se sente em relação a tal pessoa ou a tal situação. A relação de poder e submissão são caracterizadas quando há entre a vítima e o agressor grau de dependência emocional, financeira ou social. A culpa é um dos sentimentos mais recorrentes que podem ocorrer pelas vítimas de relacionamentos abusivos, pois quase sempre o agressor costuma internalizar a culpa na vítima, desqualificando-a, destruindo sua autoestima e aos poucos aniquilando o lado saudável da vida psíquica da pessoa agredida. Este ciclo de violência pode amplificar crenças sabotadoras na vítima, as quais podem dificultar ainda mais sua saída desta relação. Para as vítimas de relacionamentos abusivos o mais importante é identificar o abuso em si como violência. Reconhecer que a culpa não é da vítima e que não há futuro naquela relação desta forma. Agressores têm necessidades de poder e controle e podem em alguns momentos demonstrar pequenas mudanças para que obtenham algum ganho futuro.

Busque uma rede de apoio: familiares e amigos são sempre importantes neste momento, onde você precisará de amparo emocional. Procure uma ajuda profissional: Acompanhamento psicológico pode ser de grande ajuda, visto que pode auxiliar na identificação do problema, no restabelecimento da autoestima e autonomia do indivíduo. E SEMPRE denuncie aos órgãos competentes que orientarão quais medidas serão necessárias, com o fim de preservar sua integridade.
O relacionamento abusivo caracteriza-se como uma forma de violência psicológica no qual, em sua grande maioria, há uma dificuldade da pessoa agredida reconhecer tal tipo de violência, em especial quando existe a “naturalização” da agressão. Para muitas pessoas, violência só é caracterizada quando há agressões físicas, desconsiderando outras formas de violência como a verbal e psicológica. Para além disso, é importante apontar que os relacionamentos abusivos não só podem ocorrer em âmbito conjugal, mas em todos os contextos como na escola (professor X aluno), nas organizações (empregador X empregado), na família( pais X filhos), ou (filhos X pais)  e também com amizades.

Autor – Luciano Mesquita de Sousa – Psicólogo Especialista em Psicologia Sistêmica e Clínica

terça-feira, 17 de julho de 2018

Cirandas Parceiras “Mediação no Contexto de Violência, é Possível?”


O 2º Encontro de Cirandas Parceiras teve como tema “Mediação no Contexto de Violência, é Possível?”. A facilitadora da palestra, dra. Lúcia Carvalho, educadora, juíza arbitral e mediadora de conflitos trouxe informações importantes no que tange à violência, os envolvidos e as diversas formas de se chegar à conciliação. Ela também propôs formas de se evitar a violência e os momentos de conflito.
O senso comum faz as pessoas pensarem que é impossível viver em paz, principalmente quando todos os dias os jornais evidenciam isso, com manchetes chocantes que exaltam a violência de todas as formas. Mas, pensar soluções de evitar a violência se faz necessário a fim de mudar esse ponto de vista tão viciado na sociedade.
Dra. Lúcia pontuou como formas de se evitar ou resolver conflitos, mudanças comportamentais como a mudança do tom de voz, a escuta atenta ao outro, acolhendo o que ele expressa, sem críticas e sem comentários negativos, ter empatia, sempre a fim de solucionar a problemática trazida pelo indivíduo, valorizando-o em sua condição humana.
Os participantes deste diálogo acharam importante as atitudes e os comportamentos ensinados por dra. Lúcia, mas ressaltaram a dificuldade de colocá-las em prática devido ao hábito de responder de forma nervosa à raiva e aos conflitos.

Os Encontros de Cirandas Parceiras ocorrem justamente neste sentido, vem para dialogar e para fazer luz sobre um tema a fim de desconstruir conceitos e hábitos que não servem mais.

Arraiá do Força Feminina


Eita animação boa!!! O Arraiá do Força Feminina não deixou a desejar para ninguém!!! Foi barraca de selfie, foi amendoim, foi alegria, animação, integração... e tudo de bom!
Ao chegar, as mulheres eram recepcionadas com muita animação e direcionadas a tirar fotos com adereços juninos na barraca do selfie. Todas adoraram.
O Arraiá do Força teve muita música e brincadeiras, onde mulheres e equipe festejaram. Um cordel de São João foi recitado pelos educadores, e em sequência, começaram as brincadeiras: acertar o rabo no burro, dança da laranja. Houve também a grande roda, com as danças da quadrilha.
Festejar o São João, em especial no nordeste, é uma forma de revisitar o passado, pois essa é uma das festas mais queridas do povo nordestino, as casas são preparadas, quadrilhas ensaiadas e roupas são decoradas para se comemorar a festa do milho, da laranja, do amendoim. É nesse momento que a roça está em festa e o coração cheio de gratidão, pois a oração feita em 19 de março, a São José foi atendida e o São João está sendo farto.





Que São José nos atenda sempre e os meses de junho possam ser sempre de festa e gratidão!

Passeio das Mulheres 2018

Em um momento de lazer e descontração, as mulheres atendidas pelo Força Feminina, unidade Oblata em Salvador, juntamente com seus filhos e a equipe do projeto curtiram uma programação diferenciada em um hotel fazenda, nas imediações de Salvador.

O dia foi muito proveitoso, houve uma integração entre todos, mulheres, filhos, equipe, incluindo a colaboração dos funcionários do hotel. A animação começou desde a saída de Salvador, com uma dinâmica no ônibus, na qual, todas terminaram cantando músicas de suas preferências.

Ao chegar, a recepção foi bastante calorosa, um café da manhã esperava pelos presentes, logo em seguida, houve uma acolhida e uma oração inicial por parte da equipe do Força Feminina a fim de relembrar acordos de convivência e desejar felicitações às mulheres, especialmente às mães em decorrência do Dia das Mães.
O roteiro de atividades proposto pelo hotel possibilitou integração e lazer diferenciados, com a ordenha das vacas, passeio de charrete, montaria de cavalo e pôney para as crianças, além de diversões ao redor da piscina. As refeições também foram um momento de confraternização à parte.



  
A natureza foi pano de fundo para as diversas fotos que foram tiradas, todas fizeram questão de registrar os momentos deste dia.


quinta-feira, 5 de julho de 2018

É assim que se combate o machismo: com o empoderamento das meninas e mulheres

Gina Vieira Ponte: A professora que enaltece a força das mulheres em sala de aula

"Falar dos direitos das meninas e das mulheres é uma questão da humanidade, porque todo mundo perde como sociedade quando não somos valorizadas."

TATIANA REIS/ESPECIAL PARA O HUFFPOST BRASIL
Gina Ponte é a 103ª entrevistada do projeto "Todo Dia Delas", que celebra 365 Mulheres no HuffPost Brasil.
No meio de livros de grandes mulheres, ela conta a sua própria história com lágrimas nos olhos. A menina negra que sonhava em ler, que sempre soube que seu lugar era na escola, agora ensina outras meninas a irem além. Depois de passar por um processo de desilusão com a própria profissão, a professora brasiliense Gina Viera Ponte, 46 anos, decidiu tomar as rédeas da sala de aula e criar métodos para atingir seus alunos adolescentes. Fez o premiado projeto Mulheres Inspiradoras que incentiva a leitura de grandes autoras da literatura mundial e brasileira e instiga as crianças a contarem a própria história.
Como os livros fazem parte da sua vida, não há como não iniciar esta história de outra forma. "Era um vez"... Uma menina que acreditava que a escola era um lugar mágico. A mãe dela não teve a oportunidade de estudar e ganhou uma enxada de presente de aniversário com cinco anos de idade, o pai carregava um sentimento de tristeza profundo por não ter aprendido a ler. Quando eles se juntaram na Brasília dos sonhos de Juscelino Kubistchek, tiveram oito filhos e um grande objetivo na vida: que todos estudassem.
Os dois tinham uma narrativa muito potente sobre a escola como algo que me daria super poderes! Era algo como 'no dia que você estudar, você vence o mundo'. Então eu queria aprender a ler e a escrever pra ver o que era aquilo que meu pai falava.
TATIANA REIS/ESPECIAL PARA O HUFFPOST BRASIL
O racismo se apresentou para Gina em forma de chacota e xingamentos.

A realidade quando ela chegou na escola, no entanto, foi outra. O racismo se apresentou para Gina em forma de chacota e xingamentos. "Além de ser negra, a nossa situação era precária, meu pai era vendedor ambulante e minha mãe resolveu ficar em casa pra cuidar dos filhos, plantávamos o que comíamos e só usávamos roupas usadas. Como estratégia de sobrevivência, eu resolvi me tornar uma criança invisível", conta.
Ela tinha dificuldades para aprender a ler e ninguém notou. Enganava as professoras decorando e repetindo a fala dos amigos. Até que um dia uma professora mudou o curso das coisas. "Apesar dos meus esforços pra ser invisível, ela me descobriu. Quando eu cheguei na carteira dela, pronta pra levar uma bronca, ela me colocou no colo", conta Gina com a voz embargada. "E isso para uma criança preta na escola é tão raro. Foi uma coisa muito potente pra mim, pensei 'ela não tem nojo de mim'. Ali, no colo dela, me senti passível de ser amada".
Ali, no colo dela, me senti inteligente e capaz de aprender, ela me deu um sonho. Ali, no colo dela, eu disse sim pra mim mesma.

ATIANA REIS/ESPECIAL PARA O HUFFPOST BRASIL
Como os livros fazem parte da sua vida, não há como contar sua história sem citá-los.
Ela se formou no magistério e se tornou professora do ensino infantil na rede pública do DF. Quando finalmente foi ensinar para adolescentes conheceu o caos. "Foi difícil, era menino pendurado na janela, uma gritaria. E como eu não acredito na educação pela ameaça, fiquei falando sozinha. Eu entrei na mesma sala onde 11 anos antes eu tinha sido aluna e fui tomada por uma sensação de fracasso, cheguei a entrar em um processo de depressão. A minha primeira reação foi pensar em desistir, aquilo não era pra mim, eu tinha sonhado errado. Mas, felizmente, eu continuo conversando com aquela menina que eu fui", aponta.
Gina foi atrás de respostas. Não podia ser só "fiquem quietos e estudem". "Todo mundo fala que os jovens viram as costas para a escola, mas é a escola que vira as costas pra eles. A gente tem uma educação pra obediência e subordinação e não para a construção do pensamento crítico ou para a criança aprender a se relacionar."
A mudança na sala de aula não estava na teoria, quem me daria o caminho seriam meus alunos.
ATIANA REIS/ESPECIAL PARA O HUFFPOST BRASIL
"Fui estudar, pesquisar e descobri que as mulheres são educadas para que o seu único valor seja ser desejada por um homem."
Quando sequer tinha computador ainda, entrou no Orkut para tentar entender o que os alunos acessavam, passou a ver a velocidade com que as crianças recebiam as informações e que elas estavam para além dos livros. Já na era do Facebook, ela se deparou com um vídeo de uma aluna dançando de uma forma depreciativa uma música machista. Aquele incômodo a fez questionar o por quê das meninas se exporem daquele jeito. "Fui estudar, pesquisar e descobri que as mulheres são educadas para que o seu único valor seja ser desejada por um homem. Começa com as princesas que tem a sua vida salva por um príncipe, com alguém que sofre, que rivaliza com outra mulher pra ter atenção do homem, imagine esse discurso sendo passado pra gente desde que a gente nasce? Ou então achar que ela nasceu pra ser mãe e que precisa cuidar de todo mundo, menos dela mesma?"
Falar sobre feminismo em sala de aula apenas com discurso não funcionaria, então, Gina criou uma estratégia. "Busquei me ressignificar como professora e buscar uma porta pro diálogo, com debate, colocando o aluno no centro". Ela criou o projeto Mulheres Inspiradoras com seus alunos do nono ano da Ceilândia, periferia do DF, em 2014. Eles deveriam estudar a biografia de dez mulheres da literatura e apresentar, da forma que quisessem, pro resto da escola.
A primeira questão do projeto é a valorização da mulher, mas ele é maior do que isso, porque ela fala sobre contestar o modelo tradicional da escola e dar voz aos silenciados.
TATIANA REIS/ESPECIAL PARA O HUFFPOST BRASIL
Depois de escutar tantas histórias, os alunos começaram a postar fotos com a frase "nós dizemos não a qualquer forma de violência contra mulher"

Além disso, os alunos precisavam ir atrás de mulheres inspiradoras da vida deles. Então, eles foram atrás de mães, avós, tios, vizinhos, de histórias de família guardadas. "Foi muito transformador também dizer pra essas mulheres: olha, você é importante. Acabou acontecendo uma ressignificação das próprias vivências delas", aponta Gina.
A professora leu mais de 150 entrevistas com duros casos de abandono, de violência, de cuidado total apenas à família, de abdicar de vontades próprias, de mulheres que casaram cedo ou sofreram abusos, mas especialmente de superação. Histórias tão preciosas que  acabaram se transformando em um livro.
 Falar dos direitos das meninas e das mulheres é uma questão da humanidade, porque todo mundo perde como sociedade quando não somos valorizadas.

TATIANA REIS/ESPECIAL PARA O HUFFPOST BRASIL
"Falar dos direitos das meninas e das mulheres é uma questão da humanidade."
O projeto se estendeu e foi parar nas redes sociais. Depois de escutar tantas histórias, os alunos começaram a postar fotos com a frase "nós dizemos não a qualquer forma de violência contra mulher" e a compartilhar experiências. A ideia acabou ganhando doze prêmios nacionais e internacionais. No ano passado, com apoio da Organização de Estados Ibero-americanos, Gina passou a fazer um programa piloto para que os Mulheres Inspiradoras fosse inserido como política pública em todas as escolas da rede pública do DF. Além de estar fazendo um mestrado, ela também está tentando inserir a ideia dentro de seis escolas que funcionam no sistema prisional.
Ficha Técnica #TodoDiaDelas
Texto: Tatiana Sabadini
Imagem: Tatiana Reis
Edição: Andréa Martinelli
Figurino: C&A
Realização: RYOT Studio Brasil e CUBOCC
O HuffPost Brasil lançou o projeto Todo Dia Delas para celebrar 365 mulheres durante o ano todo. Se você quiser compartilhar sua história com a gente, envie um e-mail paraeditor@huffpostbrasil.com com assunto "Todo Dia Delas" ou fale por inbox na nossa página no Facebook.
Todo Dia Delas: Uma parceria C&A, Oath Brasil, HuffPost Brasil, Elemidia e CUBOCC

sexta-feira, 29 de junho de 2018

"Eu era ingênua e virava uma presa fácil”, desabafou Sabrina Sato

Apresentadora revela relacionamento abusivo e ameaça de morte


A queridíssima Sabrina Sato revelou, em conversa com a revista Marie Claire, que já passou por maus bocados no campo sentimental. A estrela da Record que está grávida de 5 meses, deu detalhes de um relacionamento abusivo que sofreu.
“Antes dos 30, tive vários relacionamentos abusivos, mas não percebia. Fazia de tudo para agradar o cara, e ele só me fazia achar que estava errada. A pessoa tem total controle sobre você, e você acha que isso é amor. Não é. Relacionamento abusivo é doença. Tive um namorado que me ameaçava entrando na contramão na Avenida Paulista. E sóbrio. Dizia: ‘Vou acabar com a gente’. Não passo mais por isso”, detalhou a apresentadora.
Sabrina descreveu, ainda, que foi criada como uma mulher forte e não sentiu machismo na sua família. “Meu avô teve três filhas mulheres e as criou como homens. Todas fizeram faculdade e trabalharam. Minha mãe era psicóloga da Apae, trabalhava na loja da minha avó e criava os filhos. Ela diz que o pai dela a criou para ser samurai, não para ser gueixa. Meu pai também me criou para ser independente. De tanto falar ‘estude, não dependa de homem’, cheguei a ter medo de me relacionar. Até os 19, 20 anos, passei a vida tão preocupada com a carreira que tinha medo de me apaixonar e sofrer. Fiz muita terapia antes de namorar e perdi a virgindade aos 20 anos. Mas eu era ingênua e virava uma presa fácil”, contou a mulher de Duda Nagle.

segunda-feira, 25 de junho de 2018

A outra Copa que o Brasil precisa ganhar

Para devolver aos brasileiros a paixão por sua identidade, também temos de ganhar a Copa da confiança
Um torcedor acompanha o jogo entre Brasil e Suíça.  EFE

Sou dos que querem que o Brasil ganhe a Copa outra vez. Tenho certeza de que a maioria espera o mesmo, já que o que falta hoje a este país são motivos de alegria. Não acha, meu querido e genial Xico Sá? Mas gostaria que os brasileiros conquistassem também outra copa, a da tolerância, a de se sentirem orgulhosos de ter nascido aqui.Desejo essa vitória social para que aqueles 60 milhões de brasileiros, na maioria jovens, que, de acordo com a última pesquisa do Datafolha, gostariam de deixar o país por falta de oportunidades, possam alcançar seus sonhos aqui sem necessidade de fugir. Sair livremente do próprio país, neste mundo de globalização, para enriquecer-se com novas experiências, é algo que não pode deixar de fascinar jovens brasileiros. Mas querer ir embora porque não encontram o indispensável necessário para se realizar aqui é um crime que deveria envergonhar aqueles que os governam. Ninguém abandona suas raízes sem dor.
Para devolver aos brasileiros a paixão por sua identidade, também temos de ganhar a Copa da confiança, aceitar as diferenças que nos dividem, porque seria utopia pretender que todos podemos pensar a vida da mesma forma.

"Cada um cresce com suas ideias e sua visão do mundo. Se todos pensássemos e amássemos igual, o mundo seria de uma monotonia avassaladora."

As guerras fratricidas, a vontade de pretender que todos pensem como nós, os rótulos colocados nos outros como estigmas de segregação nascem da incapacidade de reconhecer a originalidade do outro. A intolerância, as excomunhões e a soberba de se acreditar mago das receitas fáceis para conflitos complexos costumam acabar na porta do inferno, onde Dante Alighieri, na Divina Comédia, escreveu: “Deixai toda esperança, vós que entrais.”
Para o Brasil, país que adotei como meu com todos os seus defeitos e virtudes, desejo neste momento não só que ganhe a Copa do Mundo para que milhões possam viver um sopro de felicidade, mas também que essa vitória seja a antecipação de outra felicidade maior: a de voltar a ser um país com mais pessoas se respeitando do que se odiando. O Brasil só voltará a ser um país reconciliado consigo mesmo quando for capaz de recuperar a Copa de sua riqueza humana, aquela que os brasileiros aprenderam a levar sempre na mala pelo mundo afora. Aquele patrimônio da alma que fazia um amigo europeu dizer, sempre que encontrava um estrangeiro que o fascinava, “deve ser brasileiro”.

Meu desejo é que este volte a ser um país que, em um momento em que o mundo se vê tentado a erguer novos muros, desperte inveja por sua capacidade de integração, por sua arte em saber dialogar e agregar. Foi essa capacidade dos brasileiros de saber enriquecer tudo através da mistura que minha esposa, Roseana, brasileira, me explicou ao pousar aqui. Aprendi que, ao contrário de Espanha, onde as coisas se comem separadas, no Brasil é tudo misturado no mesmo prato. O Brasil é antigo e moderno porque é um amálgama de mil riquezas diferentes, físicas e espirituais, que dão forma e sabor a um novo conceito de humanidade. Tentar dividi-lo injetando os demônios do ódio de uns contra os outros é renegar tudo de melhor e mais cobiçado que possui.
Que 2018 seja lembrado como o ano em que o Brasil venceu duas copas juntas: uma nos estádios na Rússia e outra em outubro, aqui, nas urnas, quando decidirá o seu destino político, fonte hoje de insatisfação e, ao mesmo tempo, de esperança, uma palavra desprezada em nossos dias, quando se esquece que é o motor da existência. Por mais rico que seja um povo, sem esperança de algo melhor para todos, e não só para um punhado de privilegiados, restariam apenas o vazio e o medo. Restaria aquela porta desesperadora e fria do inferno da Divina Comédia de Dante. Por que não apostar na porta que nos conduzirá a uma nova era, em que poderemos viver juntos vitórias e derrotas, sem medo de nos olharmos nos olhos outra vez?



Cirandas Parceiras 28 de junho!!!


Comunicamos a todxs que o "Cirandas Parceiras  Mediação no Contexto de Violência, é Possível?" será transferido para o dia 28 de junho, na quinta-feira, devido ao jogo do Brasil que acontecerá em 27 de junho, às 15 horas.

Vamos torcer pelo Brasil na quarta-feira e pensar em mediação de conflitos na quinta-feira, ok?


Aguardamos a tod@s!

#cirandasparceiras28dejunho
#projetoforcafeminina
#redeoblata




quarta-feira, 20 de junho de 2018

Conceição Evaristo é oficialmente candidata à Academia Brasileira de Letras

Aos 71, Conceição Evaristo pode ser a primeira mulher negra a ocupar uma cadeira da ABLImagem: Wikimedia Commons

Acesse o site: https://universa.uol.com.br/noticias/redacao/2018/06/19/conceicao-evaristo-e-ofocialmente-candidata-a-academia-brasileira-de-letras.htm




COPA DO MUNDO RÚSSIA 2018: A ressaca de uma ofensa machista viral

Reação à brincadeira de mau gosto de torcedores brasileiros ajudou a identificar três deles Assembleia Legislativa e OAB de Pernambuco repudiam ato e PM de Santa Catarina abre processo administrativo sobre o caso


A atitude dos brasileiros que achavam que faziam uma brincadeira com uma mulher na Rússia, falando, em português, sobre a genitália dela sem que ela entendesse, causou reações para além do tribunal da internet. Em um vídeo, ao menos quatro brasileiros uniformizados cercam uma mulher – que seria uma repórter - e gritam repetidamente uma frase em alusão ao órgão sexual feminino. A mulher, que não entende português, apenas sorri um pouco constrangida e tenta repetir o que eles dizem (“boceta rosa”).

Reprodução do vídeo dos brasileiros fazendo a 'brincadeira'. 
Rapidamente o vídeo viralizou. E não demorou para que parte de seus protagonistas fossem identificados. O primeiro foi Diego Valença Jatobá, advogado e ex-secretário de Turismo, Esporte e Cultura de Ipojuca, cidade pernambucana, a 50 quilômetros da capital, onde fica a praia de Porto de Galinhas, uma das mais famosas do Estado. Hoje, trabalha com a organização de eventos e shows no Recife e região. O segundo, é o tenente Eduardo Nunes, da Polícia Militar de Santa Catarina. O engenheiro civil Luciano Gil Mendes Coelho é o terceiro. De acordo com O Globo, Coelho foi preso em 2015 em uma operação da Polícia Federal que investigava o desvio de dinheiro público na Prefeitura de Araripina (PE), onde ele trabalhou na gestão de Alexandre Arraes (PSB).
Após o reconhecimento de parte dos envolvidos, a Polícia Militar de Santa Catarina confirmou que Nunes serve à corporação, afirmou que a atitude é “incompatível com a profissão”, e disse que abriria um processo administrativo disciplinar sobre o militar. Já em Pernambuco, a Assembleia Legislativa do Estado fez um ato de repúdio ao vídeo na segunda-feira. A OAB em Pernambuco, por sua vez, entrou com um pedido de análise de conduta no tribunal de ética e disciplina da Ordem contra Jatobá e afirmou estar tentando apurar a identidade dos demais. Além disso, publicou uma nota repudiando o fato.
A exposição desses brasileiros nas redes levou a uma investigação por parte da imprensa sobre a história deles. De acordo com o jornal O Globo, Jatobá foi condenado pelo Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco (TCE) por irregularidades na prestação de contas de 2012 do município, quando ele atuava na gestão do então prefeito Pedro Serafim (PDT). Ele também foi condenado por dever, segundo a Justiça, cerca de 37.500 reais de pensão alimentícia à ex-mulher, em um processo iniciado em 2014, segundo O Globo.
Diego Jatobá, ostentando dólares em uma foto de 2013. 
Os torcedores não imaginavam que a brincadeira poderia ir tão longe. Mas não por desconhecer o poder das redes. Jatobá, inclusive, já tinha um antecedente com a internet depois que uma foto em que ele aparece ostentando um maço de notas de dólares na mão se espalhou em 2013. Na época, como figura pública, teve que se explicar. Disse que estava em uma casa de câmbio, que o dinheiro não era dele, e que estava fazendo uma brincadeira com um amigo.


Por outro lado, a experiência dos torcedores mostrou, uma vez mais, que a reação feminina no Brasil é rápida e imediata no melhor estilo “mexeu com uma, mexeu com todas”, lema que marcou a primavera feminista em 2015. Milhares de brasileiras se identificaram com a moça que, ingenuamente, repetia a grosseria, e tomaram as redes com o repúdio à atitude.


Parece que os rapazes do vídeo estão com medo de perder o emprego.
É pra gente se solidarizar com o sofrimento deles? Ah, vão a merda.
Medo temos nós de viver em uma sociedade machista, misógina, racista e homofóbica.
Eles que agora lidem com o medinho deles

Ver graça em cercar uma mulher e gritar “boceta rosa” sem que ela entenda do que se trata - e mesmo que ela entendesse – parece hoje uma atitude que se descolou da nova realidade brasileira e mundial. Empresas ou pessoas físicas que teimam em duvidar dessa resistência têm entrado numa longa fila de pedidos de desculpas públicas. “Não é engraçado. É machismo. Misoginia. E vergonha. Muita vergonha”, escreveu a atriz Leandra Leal em seu Instagram, ao reproduzir trecho do vídeo, para seus milhares de seguidores. "Parece que os rapazes do vídeo estão com medo de perder o emprego. É pra gente se solidarizar com o sofrimento deles? Ah, vão à merda", escreveu a jornalista esportiva Milly Lacombe em sua conta no Twitter. Não à toa, o repúdio foi além do tribunal das redes sociais e não se limitou somente às mulheres.
Foi exatamente essa reação que aumentou a curiosidade sobre quem eram os torcedores e chegou-se à identificação, até agora, de três deles. Por ora, Jatobá e Nunes podem ser punidos como profissionais. E os demais torcedores só não correm o mesmo risco ainda porque, por enquanto, não foram identificados.