quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Formação continuada - Rede Oblata 2017

Na manhã de segunda-feira, 31 de julho, no Projeto Força Feminina, Unidade Oblata em Salvador, aconteceu mais uma Formação para a Rede Oblata 2017 “Direitos das mulheres que exercem a prostituição à luz da missão”.


As educadoras sociais Daniela Moura e Rosilene Ferreira compartilharam saberes e propiciaram discussões a cerca da prostituição, dos seus agentes, de possíveis motivos e da prostituição vivida por brasileiros no exterior. Essa formação teve como fundamentação teórica os estudos do livro “Prostituição à Brasileira” de Luis Carlos Sebe B. Meihy e dos textos “Prostituição e Feminismo” de Marlene Rodrigues e “Movimento Feminino em Disputa” de Aline Godois Tavares. Daniela e Rosilene conduziram esse momento de forma lúdica, como se fosse uma roda de conversa, um bate-papo informal, no qual, as vidas de cinco pessoas que vivem a prostituição atualmente fora do Brasil foram expostas desde a sua infância até o momento presente. Os demais trabalhadores sociais contribuíram bastante com questionamentos, inquietações e acréscimos de informações, o que enriqueceu de modo muito singular a discussão.

Com a intenção de sensibilizar os colegas, demais trabalhadores sociais do PFF, foi executada a música “Prostituta” de Negra Gizza e eles foram convidados a ler depoimentos de mulheres atendidas na unidade espalhados pela sala a fim de fazer um paralelo entre a realidade já conhecida, mas não menos chocante e a realidade relatada através dos depoimentos explanados no livro. A música “Sonhos Roubados” de Maria Gadú embalou esse momento.





A partilha do que foi estudado iniciou-se com as educadoras sociais apresentando a proposta do encontro e os conteúdos e as discussões argumentadas no livro, sempre as relacionando com as realidades vivenciadas no PFF e no país. Como esse assunto instiga cada pessoa diferentemente, cada um dos trabalhadores sociais se manifestou naquilo que mais lhe tocou.





"O discurso fica engessado em duas polaridades que não cabem mais nos dias atuais e que precisa ser melhor estudado porque por mais que a prostituição esteja no emaranhado do capitalismo, o qual obedece à regras rígidas, as vidas das pessoas, os prostitutos e as prostitutas não devem mais se perder nesse jogo mercadológico, como se nada valessem.
Os direitos pessoais se perdem no espaço internacional e isso protege os trânsitos de toda ordem: tráfico de pessoas, de órgão, de animais, de armas.
Como o Capital Internacional , a prostituição  - e nela a vida das putas – funciona como moeda de troca. O capital, porém, tem autonomias e isenções, a prostituição não."


terça-feira, 15 de agosto de 2017

Amamos mulheres!

Amamos mulheres! Desde que elas se depilem totalmente a ponto de parecerem crianças. Sim, vaginas "infantis" são ovacionadas. Nenhum pêlo! Que nojo mulher com pêlo! Mulher tem pêlo? É sério? Depilação com cera, por favor! E finge que não dói.
Amamos mulheres! Essas divas. Mas parto normal, não. Vai estragar o brinquedinho? Vagina de cocotinha, lembra? Vagina de cocotinha não é capaz de colocar uma criança no mundo. Cirurgia, por favor!
Amamos mulheres! Com peitos durinhos. Põe silicone, ué! Uma cirurgia a mais, uma a menos, não faz diferença. Peitos que jorram leite pra alimentar um bebê? Isso existe? Com tanta latinha na farmácia... Não, amamentar, não. Que pretensão é essa de poder produzir o alimento do seu filho? Seca, leite. Você não consegue. Peito é pra fins sexuais. Apenas. Servidão.
Amamos mulheres! Que nojo de menstruação... Mulher menstrua? Sangue? Ai, vou desmaiar. Esconde esse absorvente. Shhhhh. Ninguém pode saber que sai sangue de você todo mês. Tem jeito de não menstruar. Vai! Faz isso! Que nojo! Hormônio pra dentro. Tá tudo bem.
Amamos mulheres! De barriga chapada: por que a sua não é? Lipoaspiração. Abdominoplastia. Cinta que tira o fôlego. Tudo a seu favor. O que não vale é ter a sua própria barriga. Onde já se viu? Que audácia amar seus pneuzinhos!
Amamos mulheres! Mas essa vagina não é igual ao do filme pornô. Vai lá! Tem cirurgia íntima! O Brasil é recordista mundial em cirurgias íntimas femininas. Uma cirurgia a mais, uma menos... Mais uma dose de cirurgia, por favor. Labioplastia ou ninfoplastia. Ninfo. Aproveita que também existe clareamento anal. Tudo rosinha. Ninfo. Rosinha. Sua vagina não serve. Nem seu ânus.
Amamos mulheres! De sobrancelha feita, cabelo pintado, escovado, maquiada, com esmalte, depilada, vagina e ânus rosadinhos, salto, sem menstruação, sem leite jorrando do peito, sem ver um filho passando em sua vagina. Mulheres... Cirurgias. Produtos pra maquiar. Naturalidade feminina? Nojo!
Amamos mulheres! Doces. Já tomou seu rivotril hoje? Gritou? Tá louca. The mad woman in the attic. Mulheres. Jovens. Eternamente. Um fio de cabelo branco é sinal de desleixo. Compra tinta, maquiagem, faz cirurgia, toma hormônio, rivotril, sinta a dor de cada pelinho sendo arrancado com cera quente. Vai em frente!
Amamos mulheres! Jovens, maquiadas, moldadas, dormentes, lipoaspiradas, siliconadas, alisadas, clareadas, refinadas, "limpas", de salto - nem sua altura serve! - desumanizadas, anestesiadas para a próxima cirurgia. São tantas Galateas...
Amamos mulheres! Já viu o 'the perfectv'? Novidade no mercado. Iluminador para a vagina. Rosa. Iluminada. Ninfa. Cocotinha. Depilada. Infantil.
Amamos mulheres! Desde que elas não sejam mulheres. Apenas estátuas moldadas. Apenas Galateas esculpidas por Pygmalion. Sem vida. Estão todas dopadas. Seja por remédios ou pela mídia.

"Gostamos de mulheres femininas": mentira! Porque vocês odeiam tudo o que é feminino: pêlos, sangue, parto, leite, cheiro natural de vagina, cores e sabores. Vocês não gostam de fêmeas. Vocês gostam que mulheres performem feminilidade. A qualquer custo. Que não sejam elas mesmas. Chora, Galatea. Em silêncio pra não incomodar.


VIA: Quartinho da Dany

Fonte: Facebook BECO DO POETA

DIÁLOGOS SOBRE DIREITOS DAS MULHERES

Na segunda-feira, 07 de agosto, Valtemi Barreto, da Equipe do Projeto Força Feminina, Unidade Oblata em Salvador, conduziu mais uma das formações para a REDE Oblata 2017. Com base no filme “As Sufragistas” de Sarah Gavron, a formação ocorreu com a participação intensa das trabalhadoras sociais que discutiram sobre a validação de direitos já conquistados pelas mulheres e se realmente esses direitos estão sendo respeitados na sociedade atual.


Bem como as sufragistas do início do século XX, as mulheres de hoje também têm muito a conquistar. Percebe-se a pouca participação das mulheres nos cargos de comando e na política, a dependência econômica em relação aos seus companheiros... É visível também o machismo no padrão do vestuário das mulheres em empresas ditas sérias, organizadas e de grande porte, visto que, nesses locais a mulher deve se “fantasiar” de homem para poder exercer o seu trabalho a fim de não despertar atenção / interesse sexual dos colegas homens, e ser respeitada, entre tantos outros casos de falta de respeito e desigualdades.



Em prol de melhores oportunidades e de igualdade para ambos os sexos e gêneros, é que o Projeto Força Feminina entra nesse tema a fim de entender e dialogar sobre os direitos das mulheres que foram tão oprimidas e silenciadas durante séculos, sem direito a exercer a sua sexualidade, sem direito ao planejamento familiar, sem direito de escolher a formação acadêmica que desejavam, enfim, sem direito a ter direitos...

O filme “As Sufragistas” toca nesse ponto central, ao retratar o que a personagem principal passa desde a sua infância até a fase adulta:
“É natural para Maud aceitar as péssimas condições de trabalho que lhe são impostas. É natural para Maud acreditar que ela deve ser grata ao patrão que a explora desde a mais tenra infância e chega até mesmo a abusar sexualmente dela e de suas companheiras de jornada. É natural para Maud, sentir-se inferior.”


A discussão seguiu-se e foi exibido o documentário “Virou o Jogo - A História de Pintadas” – com depoimentos dos moradores desta cidade localizada no interior da Bahia. Este fortaleceu no grupo a crença de que a educação é sim transformadora. Foi surpreendente observar o esclarecimento e a transformação de costumes relatada pelas pessoas entrevistadas, especialmente por pessoas de mais idade e em uma cidade do interior, onde muitas vezes os costumes são considerados mais atrasados.

Foi exibida a apresentação “Mulheres que Fizeram História”, desde Leila Diniz à Irmã Dulce e Madre Tereza de Calcutá, ao som de “Pra Não dizer que Não Falei de Flores” do músico Geraldo Vandré.

E tecendo uma rede, a equipe verbalizou frases de direitos e empoderamento que precisam ser conquistados e postos em prática não só pelas mulheres, mas pela sociedade como um todo.



Às mulheres, força! Pois a luta ainda continua...




terça-feira, 8 de agosto de 2017

Médico alerta sobre perigos do câncer do colo do útero

Hospital Santa Izabel disponibiliza atendimento integralizado em oncologia

Terceiro tumor mais frequente na população feminina, atrás apenas do câncer de mama e do colorretal, e a quarta causa de morte de mulheres por câncer no Brasil, o câncer do colo do útero, também chamado de câncer cervical, é causado por uma infecção persistente por alguns tipos do papilomavírus humano - o HPV. “O vírus do HPV é fundamental para o desenvolvimento da neoplasia cervical e pode ser detectado em 99% dos cânceres de colo uterino”, afirma Dálvaro Castro Junior, oncologista do Hospital Santa Izabel.

O médico ressalta, no entanto, que a presença do vírus, por si só, não significa que a paciente irá desenvolver um quadro de câncer. “Estima-se que entre 75 e 80% dos adultos sexualmente ativos adquirem o HPV antes dos 50 anos de idade, mas a maioria das infecções é transitória. Entre os mais de 40 tipos já identificados do vírus, aproximadamente 15 são conhecidos como oncogênicos. Quando a infecção por HPV persiste, o tempo desde a infecção inicial até o desenvolvimento de neoplasia intraepitelial cervical de alto grau e, finalmente, o câncer invasivo leva em média 15 anos, embora tenham sido relatados cursos mais rápidos”, alerta o oncologista.
Dessa forma, a detecção da doença é realizada durante as consultas regulares com um médico ginecologista. “O rastreamento do câncer de colo uterino detecta lesões pré-malignas e em estágio inicial, e, nesses casos, o tratamento diminui a incidência e a taxa de mortalidade. O principal método de rastreamento é o teste de papanicolau (citologia oncótica). O exame clínico permite o diagnóstico das verrugas genitais. As lesões subclínicas podem ser diagnosticadas por meio de exames citopatológicos, histopatológicos e de biologia molecular ou pelo uso de instrumentos com poder de aumentar sua visualização após a aplicação de reagentes químicos para contraste”, acrescenta o oncologista.
Nos casos em que o câncer já foi identificado, o tratamento deve ser iniciado imediatamente. “O câncer de colo uterino é uma doença potencialmente curável. Quanto mais precoce for o diagnóstico, maior será a chance de cura. Quando o câncer é descoberto num estágio inicial, é possível tratar através de pequenas cirurgias, como a criocirurgia e a conização. Já nos estágios mais avançados, as opções terapêuticas podem incluir a histerectomia total, a radioterapia, a braquiterapia e a quimioterapia”, esclarece Dálvaro Júnior.
Alerta
Em 2015, a Organização Mundial da Saúde (OMS), no relatório “Controle integral do câncer do colo do útero: Guia de práticas essenciais”, lançou um alerta para todos os países sobre a prevenção e o controle da doença. De acordo com o documento, estima-se que pelo menos 1 milhão de mulheres em todo o mundo vive com câncer do colo do útero. E, na maioria dos casos, sem acesso aos serviços de saúde para a prevenção, tratamentos curativos ou cuidados paliativos.
Entre as principais diretrizes de prevenção detalhadas no relatório, está a vacinação de meninas com idade entre 9 a 13 anos, com duas doses da vacina contra o HPV.“Além da vacina, que protege contra os principais tipos de HPV causadores de câncer, é possível também prevenir a infecção pelo vírus através do uso de preservativos durante o ato sexual e, claro, monitorar possíveis infecções através do acompanhamento regular com um médico ginecologista”, afirma Castro Junior.
Tratamento 
Com uma equipe especializada, formada por médicos cirurgiões e clínicos, além de profissionais de enfermagem, farmácia, assistência social e psicologia, o Serviço de Oncologia do Hospital Santa Izabel é referência no tratamento de câncer na Bahia. Além de integralizar todo o tratamento em um único lugar, desde as consultas clínicas, passando pela cirurgia oncológica, radioterapia e tratamento quimioterápico, até a internação, o Instituto Baiano do Câncer do Hospital Santa Izabel possui um parque tecnológico completo, com equipamentos de diagnóstico e tratamento de última geração.

Fonte: Correio* 

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Descriminalização do aborto no Chile retoma as discussões sobre o tema no mundo

América Latina ainda abriga boa parte dos países que consideram o abordo um crime; o Brasil está entre eles
A aprovação do projeto que legaliza o aborto no Chile trouxe mais uma vez à tona, o debate sobre o assunto. A medida votada pelo Poder Legislativo colocou fim ao status do país como o último na América Latina a proibir o aborto em todas as circunstâncias, inclusive em casos de estupro. 
Tabu: países localizados na América Latina como o Brasil, ainda consideram a prática do aborto crime
(Foto: Fernando Frazão/ Agência Brasil)

A iniciativa deverá passar agora pela aprovação do Tribunal Constitucional, pois a oposição recorreu a essa corte para impugná-la. O projeto legaliza o aborto em caso de inviabilidade do feto, de perigo de vida para a mãe e de gravidez decorrente de estupro.
Na sessão considerada histórica, o Senado aprovou o projeto promovido pelo governo de Michelle Bachelet, com 22 votos a favor e 13 contra o relatório de uma comissão mista sobre os procedimentos em casos de estupro contra menores de 14 anos.
Falar de abordo no mundo é muito mais do que uma mera polêmica onde uns são contra e outros a favor. O fato é que segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), 22 milhões de abortos ocorrem por ano em locais insalubres e sem a estrutura adequada. Em média, 47 mil mulheres morrem todos os anos por complicações decorrentes do procedimento.
Membros da oposição argumentaram que a medida viola a Constituição. O Chile legalizou o aborto por razões médicas em 1931, mas a prática foi banida em todas as circunstâncias durante a ditadura de Augusto Pinochet, entre 1973 e 1990. Também no mesmo dia, a Câmara de Deputados também tinha aprovado - por 70 votos a favor, 45 contra e uma abstenção - artigo que estabelece que as meninas possam abortar sem o consentimento de seus pais.
Os grupos defensores dos direitos das mulheres acreditam que se a prática fosse descriminalizada, não só a mulher gestante que decidisse pela interrupção da gravidez, mas também o terceiro que realiza o procedimento deixariam de ser penalizados por isso. Dados mais recentes apontam ainda que, pelo menos, 221 chilenas estavam cumprindo algum tipo de pena por abortar ou ajudar no ato.  A legalização permite que regras sejam estabelecidas para que o aborto ocorra de forma segura, sem risco de vida para a gestante.
Aborto no mundo
Legislações tão duras, capazes de punir a mulher até mesmo por abortos espontâneos ainda existem.  No ano passado, em El Salvador, Glenda Xiomara Cruz, de 19 anos, nem sabia que estava grávida quando foi buscar ajuda médica por estar sofrendo intensas dores abdominais. Denunciada pelo próprio hospital por esse aborto espontâneo, foi sentenciada a 10 anos de prisão.
Outro caso no mesmo país é o de Mirna Ramírez, que saiu da prisão em 2015 após 12 anos. Ela deu a luz a um bebê prematuro, quando tinha 34 anos, no banheiro de sua casa. Foi denunciada por uma vizinha a quem havia pedido ajuda, que declarou às autoridades que Mirna havia tentando matar a criança que nasceu após sete meses de gestação.
Uma boa parcela dos países que proíbem a prática está na América Latina, América Central e África. O Brasil, inclusive integra a lista junto com a Venezuela e o Paraguai. Na contramão, no entanto, há países emergentes em território latino como Cuba, Guiana, Guiana Francesa e Uruguai, onde o aborto é permitido. A análise pode ser feita a partir de dados compilados pelo World Abortion Laws, mapa que reproduz o comportamento da lei do aborto ao redor do mundo.
No entanto, inúmeros dos países desenvolvidos no continente Europeu e na América do Norte – entre eles Estados Unidos Canadá, Espanha, Portugal e França, por exemplo - o aborto é descriminalizado. Segundo um levantamento feito pelo Instituto Guttmacher junto com a OMS, no ano passado, a política rígida no que toca a questão do aborto não traz qualquer modificação no número de procedimentos realizados na ilegalidade.
O resultado do levantamento indica que, nos países ricos, os abortos caíram de 46 casos por cada mil mulheres em 1990 para apenas 27 em 2014. Nos países em desenvolvimento, a redução foi insignificante, de 39 para 37 casos. Ainda de acordo com o estudo, se em 1990 cerca de 39 milhões de casos de abortos eram registrados nos países pobres, hoje eles chegam a 50 milhões. Nos países ricos, a direção foi oposta direção oposta, passando de 12 milhões para 7 milhões.
Fonte: Correio