sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Avaliação Institucional 2017

“Ainda que todas as portas se fechem, eu abrirei uma.” 
Padre Serra

As apresentações dos projetos desenvolvidos neste ano a fim de avaliar e a programação das ações do Planejamento 2018 ocorreram no PFF com a participação do consultor Daniel Rech e a Irmã Provincial Lúcia Alves 


















A espiritualidade perpassou toda a atividade e os presentes foram convidados a resumir em uma palavra o sentimento proporcionado pelos projetos desenvolvidos na unidade a fim de com essas palavras reforçar o compromisso e a força das ações do PFF. As ações realizadas nos Projetos este ano foram apresentadas, destacando os avanços, as dificuldades e as superações vivenciadas.

















Os pontos que requereram mais atenção na avaliação foram enfatizados e a equipe se organizou em pequenos grupos para programar mudanças para o Planejamento de 2018 a fim de tornar as mulheres mais autônomas e protagonistas de sua própria história através da formação política e da construção de cidadania.























São momentos como esses, de aprendizado e reflexão conjunta que fortalecem e unem a equipe com o propósito de dar o melhor atendimento àquelas que muitas vezes só encontram essas portas abertas.






Ainda dá tempo de realizar sua inscrição!


Espiritualidade Equipe


"Nosso cotidiano tem sentido? É possível revivificar o cotidiano? 
Permanece algum fogo sob as cinzas do cotidiano? Há lugar para o risco, para a ousadia?
No interior do Brasil, onde o fogão a lenha é ainda comum, as pessoas têm o hábito de enterrar, à noite, as brasas entre as cinzas, e assim manter vivo o fogo até à manhã seguinte.
Em lugar de limpar completamente o fogão, conservam-se as brasas incandescentes debaixo de camadas de cinza para poder acender o fogo rapidamente no dia seguinte.
A preocupação principal é, pois, não deixar que o fogo do dia anterior se apague completamente ao final da jornada. Pelo contrário, as brasas escondidas debaixo da cinza durante a longa e escura noite ficam bem protegidas para que o fogo possa voltar de novo à vida com as primeiras luzes da manhã.
O velho fogo não morre, mas conserva o seu calor, a fim de estar preparado para acender o novo fogo."
Padre Onofre - SIES



Em um local bastante aprazível a equipe do Projeto Força Feminina passou o dia na Espiritualidade facilitado pelo Padre Onofre Araújo no espaço do SIES - Serviço Inaciano de Espiritualidade.



A reflexão do dia foi sobre a Resiliência e a importância de manter acesa a nossa chama interior, além de pensar sobre o sentido da vida. Através de vídeos, de textos e partilhas em conjunto o dia transcorreu em reflexões, leituras, meditação... Esse momento permitiu o encontro consigo e em conseqüência, o encontro com o Divino que habita em nós.


“Muitas vezes é justamente uma situação exterior extremamente difícil que dá à pessoa a oportunidade de crescer interiormente para além de si mesma.” Victor Frank


quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Estrangeira no próprio país

A cada olhar atravessado na rua, a cada vigilância atenta de um segurança em uma loja, assim me sinto no Brasil

Por  Djamila Ribeiro, da Carta Capital


Estive em Oslo, entre 7 e 14 de outubro, a convite da embaixada norueguesa no Brasil. Participei de uma série de encontros com representantes do governo, sindicato de jornalistas, movimentos sociais, institutos de pesquisa. Foi uma experiência incrível de troca e aprendizado.
Um dos meus compromissos era ministrar duas palestras, uma na Universidade de Oslo e outra na Embaixada do Brasil, na mesma cidade. Nesta última, várias brasileiras que moram na capital norueguesa estiveram presentes. Ao fim do seminário, uma delas fez uma pergunta que me levou a refletir bastante.

Ela contou ser filha da mistura entre negro e branco, mas que, por ter a pele clara, era considerada branca no Brasil. Por conta disso, nunca refletia sobre o racismo. Ao morar na Noruega, percebeu que não era branca. Os habitantes do país não a viam como, e se confundiam em acertar sua origem. Na Europa, percebeu que era vista como o “outro”, aquela que não é branca e é estrangeira.
A partir desse choque de realidade, ela passou a questionar seu papel. Ao sentir na pele ser olhada como alguém que não se encaixa, percebeu a necessidade de se posicionar, e me perguntou: “Só fui perceber isso na vida adulta, mas, quando volto para o Brasil, sou bem tratada e com respeito, deixo de ser estrangeira ou estranha. Você, como mulher negra, sabe bem o que é sofrer com essa dupla violência, inclusive em seu próprio país. Como é para você ser estrangeira em seu próprio país?”
Demorei um tempo para processar a densidade daquela pergunta. É exatamente esse o sentimento que me acomete. É duro, inclusive, ter de admitir que na maioria das vezes sou mais bem tratada fora do que no próprio Brasil.

Grada Kilomba, em seu livro Plantation Memories: Episodes of everyday racism, afirma que a mulher negra é o “outro do outro”, por ser essa dupla antítese de branquitude e masculinidade. Quem não é pensada a partir de si mesma, mas por meio do olhar masculino e branco.
A cada seguida de segurança na loja, olhar de estranhamento quando estou em lugares que julgam não ser para mim, a cada “você deveria ser passista e não estudar filosofia”, a cada reportagem mostrando os números absurdos de assassinatos de jovens negros, de mulheres negras assassinadas, sei bem o que essa moça quis dizer.

Quando ligo a tevê e vejo pouquíssimos negros, penso viver na Escandinávia. Ser negra brasileira é sentir-se estrangeira no próprio país.
Patricia Hill Collins, intelectual estadunidense, afirma que o local em que as mulheres negras ocupam dentro do movimento feminista é o de “forasteira de dentro”. Por estar e ao mesmo tempo não estar, entende esse lugar como um espaço de fronteira ocupado por grupos com poder desigual, pois, ao mesmo tempo que essas mulheres estão dentro de algumas instituições, não são tratadas como iguais.
Collins aponta, porém, a necessidade de se tirar proveito desse lugar. O fato de sermos estrangeiras nos possibilita também estar num espaço de fronteira, num “não lugar” que pode ser doloroso, e é, mas também um lugar de potência.

Reconfigurar o mundo por meio de outros olhares pode ser uma perspectiva potente desse lugar, pois tem o poder de gerar algum pertencimento que não seja o de pertencer a uma sociedade doente e desigual.

Fonte: Geledés

Encontro de Reflexão e Lazer

Um momento de troca de experiências, cumplicidade, encontro com o "EU" que passa despercebido na correria do dia-a-dia, esse foi O Encontro de Reflexão e Lazer desenvolvido pelo Projeto Força Feminina com as mulheres atendidas. 




O dia ocorreu no Parque da Cidade no Itaigara conduzido pelas profissionais do CIEG - Centro Interdisciplinar de Estudos Grupais - Jane Carvalho e Angelica Souto que desenvolveram técnicas vivenciais de Grupos Operativos baseado na teoria da Psicologia Social criada por Dr. Enrique Pichon - Rivière, como: contribuir para a adaptação ativa do Ser Humano no meio social, promovendo a saúde psicossocial através do trabalho de grupo.


As mulheres se sentiram contempladas pelo momento preenchido por, alongamento, respiração, dança, música e trabalhos em equipe. Foi uma manhã especial!

Ao termino realizamos a culminância do encontro com um almoço coletivo. 


segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Sexo sem proteção amplia DSTs em idosos


A indústria farmacêutica tem investido, ao longo dos anos, em uma infinidade de recursos para prolongar a vida sexual de idosos. No entanto, a resistência quanto ao uso do preservativo durante as relações sexuais resultou em um dado preocupante: de 2014 para 2015, o número de pessoas com mais de 60 anos infectadas por HIV – vírus causador da Aids – cresceu cerca de 29% em todo o país.
O aumento não resume-se apenas aos casos de infectados por HIV. De acordo com registros do Ministério da Saúde, no mesmo período, o número de pessoas com mais de 50 anos que adquiriu sífilis subiu 28%.
Em alguns municípios da Bahia, os registros de doenças sexualmente transmissíveis (DST) em idosos também têm sido crescentes, segundo a Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab). Em 2016, foram registrados 28 casos de sífilis em pessoas com mais de 50 anos em Feira de Santana e, até outubro de 2017, já foram contabilizados 36 casos da doença.
Os registros de herpes em idosos na cidade dobraram: cresceu de sete casos, em 2016, para 14 em 2017. Em Vitória da Conquista, os números de ocorrências da mesma doença duplicaram de três para seis casos. Em Candeias, a infecção por HIV aumentou de um caso, no ano passado, para cinco, registrados até outubro de 2017.
286

casos de HIV em idosos foram registrados na Bahia em 2016. Na capital, foram registradas 122 ocorrências da infecção pelo vírus causador da Aids
Além da resistência ao uso de preservativo, o Ministério da Saúde também atribui a alta das ocorrências de DSTs em idosos a uma questão cultural: "As pessoas que, hoje, estão na terceira idade, iniciaram a vida sexual num contexto em que não existia a Aids, por exemplo. Elas não tiveram o hábito de usar o preservativo e não se reconhecem como um grupo vulnerável", informou o órgão, por meio de nota.
Em relação à sífilis, o MS esclarece que o Brasil apresentou, nos últimos anos, melhoria da vigilância epidemiológica, com incremento de testagem e da notificação. "Estes fatores devem ser considerados ao se analisar os dados de crescimento registrado da doença. Em 2014, a sífilis adquirida em adultos passou a ser de notificação compulsória para fins de vigilância na rede de saúde. Portanto, a melhoria da vigilância resultou em um maior número de casos notificados".
Tabu
Se há resistência quanto ao simples uso de preservativo, tratar sobre temas que envolvem sexualidade com este público é um desafio para médicos e especialistas. A geriatra Ana Paula Medeiros afirma que o fato de o sexo ser um tabu entre os idosos, dificulta não só a prevenção de DSTs, mas também o diagnóstico e, consequentemente, o tratamento.
"Os pacientes, sobretudo os mais velhos, têm dificuldades de falar abertamente sobre qualquer problema que envolva a sexualidade. Muitos deles, principalmente as mulheres, até omitem que ainda são sexualmente ativas", contou.
Para os homens idosos, a omissão sobre a vida sexual pode ser ainda mais perigosa, sobretudo para aqueles que fazem uso de medicamentos para disfunção erétil sem prescrição e orientação médica.
"Remédios para impotência sexual que são comercializados ilegalmente não têm eficácia comprovada. Além disso, mesmo os prescritos, tomados de forma indiscriminada, podem trazer efeitos colaterais graves. Já se tem notícias de pessoas que sofreram um acidente vascular cerebral ou parada cardíaca após o uso desses remédios que são, na maioria das vezes, vasodilatadores, ou seja, facilitam a abertura dos vasos sanguíneos do corpo", explicou.
O acesso ao atendimento médico e a construção de uma relação de confiança com os profissionais de saúde, segundo a especialista, pode ser a solução para a reverter o aumento do número de casos de DSTs entre pessoas da terceira idade.
"É importante que o paciente busque um profissional de confiança e que relate qualquer tipo de problema que possa interferir na saúde. Não cabe ao médico julgá-lo, mas diagnosticá-lo para buscar o melhor tratamento", afirmou.
Prevenção
De acordo com o Ministério da Saúde, apesar do crescimento do número de registros de DSTs em idosos, o foco das campanhas de incentivo ao uso de camisinha tem sido a população jovem, pois são, ainda, os que apresentam dados de maior crescimento de infecção por DSTs, segundo os dados epidemiológicos.
"Destaca-se o aumento [da detecção de HIV] em jovens de 15 a 24 anos, sendo que entre 2006 e 2015, a taxa entre aqueles com 15 e 19 anos mais que triplicou, passando de 2,4 para 6,9 casos a cada 100 mil habitantes. Entre os jovens de 20 a 24 anos, a taxa dobrou, passando de 15,9 para 33,1 casos a cada 100 mil habitantes", informou o órgão.
Entretanto, o Ministério da Saúde afirma, ainda em nota, que as infecções sexualmente transmissíveis entre idosos têm sido motivo de preocupação. "Ao longo dos anos, o Ministério da Saúde tem realizado ações na prevenção do HIV e sífilis entre pessoas na faixa etária acima de 50 anos".
"
Não cabe ao médico julgar, mas buscar o melhor tratamento
Ana Paula Medeiros,geriatra
O órgão federal garante, também, que vem diversificando as ações de prevenção de DSTs "dentro de um conceito de prevenção combinada, que inclui distribuição de preservativos masculinos e femininos, gel lubrificante, ações educativas e ampliação de acesso a novas tecnologias, como testagem rápida, profilaxia pós e pré-exposição".

IDOSAS SÃO INFECTADAS POR PARCEIROS, DIZ ESPECIALISTA

O aumento do número de registros de doenças sexualmente transmissíveis em idosos decorrentes do sexo sem proteção tem causado, de acordo com o ginecologista Adalton Teixeira, a infecção, sobretudo, de mulheres idosas que têm relacionamento estável. 

O Ministério da Saúde não dispõe de dados sobre a ocorrência de DSTs por sexo, no entanto, segundo ele, pelo menos uma entre cinco pacientes diagnosticadas com DSTs em seu consultório foram infectadas pelos parceiros, que tiveram relações sexuais fora do casamento sem preservativo e, por sua vez, transmitiram as doenças para as esposas.

“Não trata-se de um julgamento acerca de fidelidade, do que é certo ou errado em um relacionamento. Trata-se do cuidado, do zelo que a pessoa deve ter com a própria saúde e com a saúde do parceiro. Deve existir uma responsabilidade no ato sexual, independente da idade”, afirmou. 

Teixeira orienta que o uso da camisinha deve ser indiscriminado. “Sabemos que muitos idosos tiveram, ao longo dos anos, a sexualidade anulada. Porém, é preciso que, pouco a pouco, haja uma mudança de hábito e que perca-se a vergonha de comprar e usar a camisinha”, disse. 

Alerta

O aumento da ocorrência de DSTs em idosos, segundo o médico, desmistifica a ideia de que as doenças sexualmente transmissíveis eram a realidade apenas de profissionais do sexo, homossexuais e a população trans. “Todas as pessoas sexualmente ativas correm o risco de adquirir HIV caso ignorem o uso de preservativo, independente da orientação sexual, da idade,  ou classe social”, alertou. 

Fonte: A tarde