quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Força Feminina apresenta Ação Oblata em Seminário da Campanha da Fraternidade


Com o tema: Fraternidade, Igreja e Sociedade e o Lema “Eu vim para servir” a Campanha da Fraternidade de 2015 vem provocar uma discussão acerca da relação entre Igreja e Sociedade. Todos os anos durante o período quaresmal a Igreja Católica propõe um tema para ser refletido e debatido. Neste ano, a Arquidiocese de Salvador propôs um Seminário para refletir o tema atingindo representantes das Paróquias e Comunidades da região.
A partir da proposta do Ver- Julgar- Agir durante todo o dia 08/02, no Colégio das Irmãs Salette aconteceu o encontro. Para a reflexão do Agir três Pastorais Sociais foram convidadas a apresentar sua missão e ação. Dentre ela se encontra o Projeto Força Feminina- Unidade Oblata em Salvador. Buscando sensibilizar os participantes sobre a realidade das mulheres em situação de prostituição, a equipe do Projeto Força Feminina refletiu as ações a partir da leitura do Texto da Mulher Samaritana, mostrando o encontro dela com Jesus de Nazaré. Foi apresentado e compartilhado o sonho de José Serra e Antônia de Oviedo desde a fundação da Congregação, os 150 anos de vida e missão no mundo e os 80 anos de presença Oblata no Brasil.



Com o desejo de que a Igreja de mãos dadas com a sociedade possa se comprometer com realidades desafiantes o Projeto Força Feminina segue acreditando na vida e na vida das mulheres...

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Por que se ataca a mulher Maria do Rosário?


A  pedido de Zero Hora, cientista política escreveu artigo opinativo sobre a ofensa de Bolsonaro a deputada

Por Telia Negrão*


Em dezembro de 1993, durante a Conferência Mundial de Direitos Humanos, realizada em Viena, as Nações Unidas adotaram uma declaração segundo a qual os direitos das mulheres e das meninas são direitos humanos. Acrescenta que a violência baseada no gênero, não importando a forma como se apresenta, é uma violação desses direitos, portanto passível de condenação por todos os estados-parte.

Embora para as mulheres não haja dúvida quanto ao seu pertencimento à humanidade, os tratamentos degradantes dados ao sexo feminino ao longo da história colocam em jogo sua dignidade. O Brasil como signatário dessa declaração, que segue anexada à Declaração Universal dos Direitos Humanos, obriga-se a cumpri-la, e sua política nacional é pautada pelos seus fundamentos.

Por óbvio que obter um consenso mundial de que os direitos humanos das mulheres e das crianças do sexo feminino constituem uma parte inalienável, integral e indivisível dos direitos humanos universais, resultou de imensas lutas em todo o planeta. Sob a consigna de que "sem as mulheres os direitos não são humanos” organizações e movimentos feministas, inclusive brasileiros, arrancaram por assim dizer, das Nações Unidas, palavras que afirmassem ser a participação plena das mulheres, em condições de igualdade, na vida política, civil, econômica, social e cultural, aos níveis nacional, regional e internacional, bem como a erradicação de todas as formas de discriminação com base no sexo/gênero, condições de humanidade.

Segundo a Declaração de Viena, a violência baseada no sexo da pessoa e todas as formas de assédio e exploração sexual, nomeadamente as que resultam de preconceitos culturais e do tráfico internacional, são incompatíveis com a dignidade e o valor da pessoa humana e devem ser eliminadas. E afirma "isto pode ser alcançado através de medidas de caráter legislativo e da ação nacional e cooperação internacional em áreas tais como o desenvolvimento sócio econômico, a educação, a maternidade segura e os cuidados de saúde, e a assistência social”.

Apesar de sua existência, todos os dias olhamos para o apedrejamento de mulheres pelos talibãs, as balas direcionadas para meninas como Malala, nos indignamos com as violências cotidianas. Mas não se espera de uma instância máxima da democracia em nosso país uma violência tão grave quanto a que está sendo vítima uma lutadora pelos direitos humanos, com mandato parlamentar, por outro deputado. E reiteradamente.
São conhecidas as atitudes e a virulência desse parlamentar, de origem militar, contra todo o projeto que busca resgatar os fatos reais sobre a ditadura em nosso país. Ele tentou obstruir os trabalhos da Comissão da Verdade, desqualificando a ação da sociedade e do Estado, defendendo e protegendo torturadores.

Demonstra também sua afiliação ao conservadorismo extremo, que se nega a reconhecer a existência homossexuais, negros, mulheres, todos vistos como vagabundos, gente sem valor. Seu pertencimento às ideologias identificadas com o breviário fascista o aproxima a grupos nazistas, homofóbicos, batedores e estupradores de mulheres. Infelizmente, faz eco em parcela da sociedade que assim se posiciona. Aqui no Rio Grande do Sul também se elegeu um representante desse campo de ideias, e havia um tempo em que acreditávamos que a vedação constitucional de promoção de ideologia que viola os direitos humanos poderia impedir esses acontecimentos.

Mas por que Bolsonaro, esse é o nome de alguém tão inacreditavelmente pustulento em suas ideias, além de agredir Maria do Rosário, esse é o nome da deputada que defende os direitos humanos, a agride como mulher? Por que a desqualifica como tal? Por que a ameaça de estupro, dizendo-lhe, com outras palavras, "se quisesse a estupraria mas não o faço porque não merece”?
Lembrei-me de imediato de Silvia Pimentel, brasileira que integra o Comitê das Nações Unidas para a Mulher – Cedaw, autora de uma obra jurídica baseada em decisões judiciais sobre violência sexual no Brasil. O livro Estupro, crime ou cortesia, analisa a tese de um juiz do interior de São Paulo que absolve um estuprador sob a alegação de que, em sendo tão destituída de beleza, a violência sexual contra uma mulher não passa de uma cortesia!

Essa sentença que nos produz mal estar ao lê-la, não está distante do que afirmou Bolsonaro e vem motivando as campanhas de que "nenhuma mulher merece ser estuprada”. O corpo das mulheres é um território sagrado, como de todos os humanos, portanto, é inviolável, não é objeto, não é mercadoria, não é carne exposta ao consumo e que se escolhe de acordo com o aspecto.

A tese, de que as mulheres provocam o estupro por seus modos, suas roupas e disponibilidade seriam o aval da violação sexual, de alta legitimidade social, também nada mais é do que uma violação aos direitos humanos.
Bolsonaro, ao ameaçar e desdenhar de uma forte e linda mulher como a ex-ministra, tenta atingi-la naquilo que mais nos identifica como humanas e humanos, a nossa dignidade. Afetando-a e destruindo-a, abre o caminho para a derrota das ideias de democracia, de cidadania, de igualdade, de respeito, de tolerância, bases da convivência humana. Reafirma elementos da mais rude cultura patriarcal, que percebe as mulheres como pessoas de tão pouco valor na hierarquia social, a ponto de serem o mais simples objeto sexual. Ao colocar-se em tal posição, não percebe esse deputado que ele próprio se destitui da condição humana.

O que não se pode entender é como Bolsonaro, seus amigos no Congresso e seguidores em assembleias legislativas e câmaras de vereadores como vimos há poucos dias em Sergipe, continuam impunes para o todo e sempre. Violam por palavras e ameaças de estupro os fundamentos de nosso país e de nosso Estado.
A impunidade, nós sabemos, tem sido a maior inimiga das mulheres ao longo dos séculos. No Brasil se abusa da lei, mesmo daquela entre as dez mais conhecidas, a Maria da Penha. Muitos homens conhecem, muitos a odeiam e dela desdenham, seguindo-se o rumo de uma violência a cada 25 segundos.

Ameaça, calúnia, difamação, desqualificação, humilhação pela condição feminina, constituem violências de gênero explicitamente descritas na Lei Maria da Penha e também na Convenção Interamericana para Prevenir, Punir e Eliminar a Violência Contra as Mulheres e na Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação à Mulher – Cedaw. Como pode esse parlamentar desconsiderar esses mecanismos legais, ultrapassar a linha vermelha do respeito à dignidade humana? Para que servem a Constituição e os regramentos do decoro parlamentar?

Com base em todos esses fundamentos, integro uma parcela da sociedade que não admite convivência com fascistas, pois seus métodos impossibilitam a defesa de diferentes concepções de mundo. Estes que promovem matança de gays, que estimulam os estupros corretivos de lésbicas, que ajudam a matar a juventude negra, que odeiam nordestinos, e se pudessem transformavam as mulheres em seres desprezíveis, de acordo com a formulação que elaboram dessa metade da humanidade.

Maria do Rosário dispensou a solidariedade, exausta de tão atacada. Mas exige justiça e reparação. Para nós, justiça é a cassação do mandato de um deputado que ameaça de estupro, mas dispensa a vítima. É responder na justiça por violação aos direitos humanos. Reparação é a sociedade unir-se na defesa dos direitos humanos das mulheres, mantendo o desejo de justiça.

* Cientista politica e jornalista, Telia Negrão coordena o Projeto de Monitoramento da Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação à Mulher (CEDAW) da Organização das Nações Unidas (ONU) e a ONG Coletivo Feminino Plural. Também é pesquisadora associada do Núcleo Interdisciplinar de Estudos sobre Mulher e Gênero (NIEM) da UFRGS.


Fonte: Zero Hora

Disponível em www.adital.com.br 

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Violência de gênero afeta saúde reprodutiva das mulheres.

Adital

As gravidezes não desejadas, infecções por transmissão sexual e os abortos espontâneos são mais frequentes nas mulheres que informam terem sido vítimas de violência em algum momento de suas vidas. Ante essa realidade, a Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPS/OMS) difundiu um comunicado instando o setor da saúde — especialmente, os serviços de saúde sexual e reprodutiva — a envolver-se nas atividades dirigidas a prevenir e responder a violência contra a mulher.
"Esse é um problema de grande magnitude, com muitas implicações para a saúde”, afirma a doutora Carissa F. Etienne, diretora da OPS/OMS. "O setor da saúde tem um papel tanto na prevenção como na resposta”, assinalou e acrescentou que, para abordá-lo, também é necessário o envolvimento de outros setores. 
A violência contra a mulher continua sendo um grave problema de saúde pública nas Américas, onde uma de cada três mulheres experimenta durante a sua vida violência física ou sexual por parte do seu companheiro ou violência sexual por parte de alguém que não é seu companheiro, e onde 20% das mulheres informam terem sido vítimas de abuso sexual quando eram crianças. As mulheres jovens entre 15 e 19 anos de idade são as mais expostas ao risco de violência física ou sexual por parte do seu companheiro, e muitas delas indicam que sua primeira experiência sexual foi um ato que não buscaram ou que lhes foi imposto. 
Essa violência não só provoca lesões ou inclusive a morte, mas que ademais tem uma repercussão pouco reconhecida na saúde reprodutiva das mulheres, que se traduz em mais complicações na gravidez, assim como em gravidezes não desejadas, abortos espontâneos e infecções de transmissão sexual (ITS), incluído o HIV. Em alguns países das Américas, os níveis de gravidez não desejada são duas a três vezes maiores nas mulheres que informam terem sofrido violência nas mãos do seu companheiro, que naquelas que não passaram por isso. A perda de gravidezes é duas vezes maior nas mulheres que informam terem sido vítimas de violência, tanto que o risco de parto prematuro é 1,6 vezes superior.

Há estudos nos quais também se constata que a violência é uma causa importante de mortalidade materna. A violência infligida pelo companheiro foi a causa principal de morte materna — responsável por 20% dessas mortes — em três cidades dos Estados Unidos entre 1993 e 1998. Por sua vez, se comprovou que as hemorragias foram três vezes mais comuns nas grávidas vítimas de atos de violência em uma província do Canadá, em 2003. Entre 3% e 44% das grávidas na América Latina e Caribe informam terem sofrido atos de violência por parte do seu companheiro durante a gravidez. 

O papel do setor da saúde 

O papel do setor da saúde inclui entre outras cosas a coleta de dados sobre a prevalência de violência, que possam ser utilizados como insumo para a elaboração de políticas e a programação, e ao mesmo tempo capacitar seus trabalhadores a fim de que possam prestar uma atenção integral, sem emitir juízo algum para as sobreviventes da violência doméstica. Os trabalhadores da saúde deveriam de garantir às sobreviventes os serviços jurídicos e de apoio social. As estratégias de saúde pública deveriam incluir atividades dirigidas a mudar as normas sociais e os comportamentos vinculados à violência. 
Ademais, no caso das mulheres vítimas de agressão sexual, os serviços de saúde deveriam avaliar sua necessidade de profilaxia contra o HIV ou as ITS, colocar à sua disposição meios anticonceptivos de emergência, oferecer abortos sem risco de conformidade com as leis nacionais (nos casos em que uma mulher chega aos serviços de saúde, quando já é demasiado tarde para a anticoncepção de emergência ou se esta fracassou) e proporcionar apoio em saúde mental.


Disponível em: www.adital.com.br 

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Assessoria ao Espaço Viva Mulher busca aproximação aos espaços de prostituição em Feira de Santana

O trabalho de assessoria junto ao Espaço Viva Mulher na cidade de Feira de Santana vem atingindo uma nova etapa. A fim de garantir ainda mais aproximação às mulheres em contexto de prostituição, o trabalho tem buscado utilizar de instrumentos facilitadores como a aproximação as áreas de prostituição onde é possível encontrar um bom número de mulheres.
A primeira visita garantiu uma primeira aproximação tanto das mulheres quanto da realidade do local, com suas características e estrutura. A boa receptividade já garantiu o agendamento conforme solicitação das próprias mulheres de um espaço de formação para tratar do tema das Doenças Sexualmente Transmissíveis.
Apesar de ser em outra cidade, quando parte das mulheres encontradas são oriundas da cidade de Salvador e desejaram obter informações de como acessar esse espaço, para serviços como encaminhamentos médicos e atendimento psicológico que foram as maiores solicitações.

Nesse ínterim que o caminho vem sendo construído e fortalecido a cada dia, principalmente por entender que cada dia a missão do Instituto das Irmãs Oblatas do Santíssimo Redentor de trabalhar com as mulheres em situação de prostituição deve se fazer presente em mais lugares!

Acontece 6º Encontro das Cirandas


O encontro teve como tema a Violência contra a Mulher e foi mediado por Amélia Araújo que é Assistente Social do Distrito do Centro Histórico – SMS. 

Através de uma dinâmica lúdica a temática foi trazida e discutida com maestria e interação das pessoas presentes, entre elas representantes do Centro de Convivência Irmã Dulce dos Pobres, discentes das Faculdades Dom Pedro II, UNIRB, UFBA, UNIME, entre outros participantes.Este espaço de encontro tem fortalecido as parcerias da Unidade e trazido formação sobre temas de relevância social, ampliado assim as discussões centrais da nossa ação de trabalho junto a rede assistencialista.


segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Força Feminina realiza 5º- Encontro das Cirandas Parceiras


No dia 27/08 a partir das 14 hs aconteceu na Unidade Força Feminina o quinto encontro das Cirandas Parceiras. Este é um espaço do encontro, fortalecimento das Instituições parceiras da Unidade e formação sobre temas de relevância social. Durante os meses fevereiro, março, abril e julho foram realizados quatro encontros sendo os temas: Prostituição e Gênero, Impactos da Copa no Brasil e na cidade de Salvador, Exploração de Gênero no desenvolvimento do Turismo e tráfico de pessoas. Neste mês de agosto o tema de debate foi: Conquistas e vivências das Transexuais tendo como debatedora e assessora Paulett Furacão, coordenadora da LGBT.

O encontro proporcionou um rico espaço de diálogo e questionamento acerca do respeito às Lésbicas, Gays, transexuais, travestis e bissexuais. E mais do que o respeito a um grupo ou outro o encontro proporcionou um espaço diálogo no sentido de questionar as formas discriminatórias e preconceituosas como muitas vezes se olha uma realidade ou uma pessoa diferente.  As diferenças estão presentes em todas as pessoas e culturas. Paulett Furacão chamou atenção a respeito destas questões e motivou o grupo a refletir estes temas buscando sempre desconstruir estigmas e preconceitos.

Dentre as várias Instituições presentes no encontro vale ressaltar a forte presença de estudantes de várias Faculdades de Salvador. A seguir destacamos:

                    Mulheres atendidas pela Unidade
                    Cáritas Regional NE3
                    Centro de referência Irmã Dulce dos Pobres
                    Comunidade Marta e Maria
                    Estudantes das Faculdades: Jorge Amado, Unijorge, Dom Pedro II, Unime, Unirb, Estácio FIB, UFBA
                    SETRE (Secretária do trabalho, emprego, renda e esporte)
                    Secretária de Justiça e Direitos Humanos
                    Distrito Sanitário de Saúde
                    Movimento de população de Rua
                    Representantes das Pastorais Sociais
                    Coordenação da LGBT