quarta-feira, 29 de abril de 2015

Oficina Roda Viva e Cantinho da Beleza: experiências de atendimento às mulheres na Unidade Força Feminina

Na Unidade Força Feminina, entre as várias atividades realizadas, acontece a Oficina Roda Viva e o Cantinho da Beleza, dois espaços de acolhida com perspectivas diferenciadas no que se refere à estratégia, mas uma consonância nos resultados esperados: fortalecimento dos vínculos e possibilidade de mudança em aspectos claros na vida das mulheres atendidas.

A Oficina Roda Viva é um espaço que proporciona aprendizagem e diálogo, intercalando com atividades manuais na linha do artesanato que permite que a mulher desenvolva ou aprimore suas capacidades.
A dinâmica de aprendizagem utilizada é voltada para mulheres que tem afinidade e desejam aprimorar a técnica. Durante os dois últimos meses – abril e março, a Oficina aconteceu com a técnica do biscuit, com aulas básicas da técnica. O biscuit é uma massa de fácil modelagem manual, aceitando tingimento e pintura com diversos tipos de tintas e corantes. Com esta técnica de artesanato é possível modelar diversas peças e fazer muitos enfeites.
Nessa Oficina ensinamos como fazer imãs para geladeira em formas variadas como flores, frutas e animais e decoração de garrafas de vidro, que podem ser utilizadas como arranjos de mesas e estantes. Destaca-se a receptividade das mulheres que fica evidente pelo número de participantes nos encontros.



O Cantinho da Beleza com 04 encontros no mês garantiu o atendimento a 60 mulheres, entre os turnos pela manhã e à tarde, com serviços diversificados. Os desafios enfrentados nessa atividade são compartilhados por toda a equipe, estando a atenção da acolhida voltada desde a abertura do portão.
Com o propósito principal de elevação da auto-estima das mulheres, o Cantinho da Beleza busca priorizar o acompanhamento efetivo à todas as mulheres, e isso envolve atenção nas conversas individuais com cada mulher, mas também na forma como o coletivo se organiza dentro do espaço.
O Cantinho da Beleza, além de ser um espaço de acolhida, também é lugar de encontro. É o dia voltado às mulheres, para que as mesmas tenham um olhar especial e atencioso ao belo em si mesma e que muitas vezes se encontra escondido pelas dores diárias. Embora seja um espaço pequeno, as mulheres adoram, tanto que chegaram a batizar como “o nosso cantinho”, demonstrando a importância desse espaço de cuidado e escuta.
A aproximação exige dos profissionais envolvidos no atendimento, um repensar constante sobre sua prática, e a própria experiência direciona as ações que são pautadas pela lógica do cuidado e de uma assistência além do assistencialismo, mas de resgate do sentido da vida.
Sem dúvida, as ações pensadas buscam contribuir no processo de mudança na vida das mulheres, resignificando as experiências de violações vivenciadas na prostituição, através de espaços como esses, de acolhida, diálogo e troca.

Força Feminina celebra aniversário das Mulheres

Ao final de cada mês, a Unidade Força Feminina se reúne com as mulheres para celebrar a vida com muita festa e alegria. O espaço foi preparado com muita música e dança para lembrar o dia de São Jorge.
Inicialmente foi apresentado um vídeo com a oração cantada de São Jorge, onde foi possível observar a espiritualidade de cada mulher, e como a fé de renovação é despertada a cada primavera festejada. Após o vídeo todas dançaram alegremente e entoaram os parabéns.
A celebração contou com a presença de 15 mulheres e filhos de algumas.
Ao longo dos anos a Unidade tem favorecido a realização destas comemorações, pois se acredita ser um momento importante para as mulheres, principalmente aquelas que desejam celebrar o aniversário nesse espaço que consideram ser sagrado.
Para algumas mulheres é o único momento de celebração, pois muitas delas vieram de locais distantes, como o interior do estado da Bahia e não possuem familiares próximos.
Sem dúvida, encontramos a possibilidade nesse momento de construirmos cada vez mais vínculos, baseados na acolhida e no respeito.



sexta-feira, 10 de abril de 2015

Força Feminina Convida!


Teatro e Música são destaques na celebração de Páscoa com as mulheres do Força Feminina

Em clima de fraternidade e renovação, a Unidade Força Feminina celebrou com as mulheres a Festa da Páscoa, que foi marcada por dramatizações teatrais e música.
Inspiradas numa reflexão do Pe. Adroaldo Palaoro, SJ, sobre a Ressurreição de Jesus, a dinâmica da celebração consistiu na encenação da experiência dos três personagens que foram protagonistas diante do túmulo vazio: Maria Madalena, Simão Pedro e João, o discípulo amado.  Três mulheres representaram cada uma desses personagens, que expressam diferentes sentimentos e atitudes diante do acontecimento da morte e ressurreição de Jesus Cristo.

A ausência do corpo de Cristo no sepulcro despertou reações diferentes:
- Maria Madalena se precipitou e não conseguiu pensar na ressurreição como uma possibilidade. Simão Pedro inspecionou o sepulcro, mas não conseguiu tirar conclusões, no entanto João reconheceu pelos sinais, a beleza e o mistério: Cristo ressuscitou.
A partir dessa experiência vivencial cada mulher foi convidada a refletir:
- Que sinais de ressurreição eu percebo em minha vida?  A partilha garantiu interação e expressão de belos sentimentos das mulheres, onde se percebeu a importância da espiritualidade na vida de cada uma delas em falas como:
“Jesus está presente sempre em minha vida,                                                           me guia e o sinal maior é a presença do Projeto na nossa vida!”







Nesse sentido, no encontro umas com as outras e no encontro consigo mesmas acontece o encontro com o Sagrado, com o Mistério.  A beleza se encontra nessa diversidade onde cada uma faz a experiência. E é nesse caminho de fé, que os sinais de ressurreição se mostram presentes, porque “a verdadeira Páscoa não acontece ao lado do sepulcro. Ela acontece quando os corações começam a pulsar de novo com um novo ritmo de vida e de esperança” (Pe. Adroaldo Palaoro sj).

Unidade Força Feminina participa do lançamento do livro “Esqueletos Urbanos: transformando o centro com os cidadãos”

O lançamento do livro aconteceu no dia 31 de março de 2015, na Centro Cultural da Prefeitura de Salvador e reuniu representantes de Movimentos Sociais do Centro como à Associação Comunitária dos moradores do  Centro Histórico,Associação dos moradores e amigos do  Centro Histórico, Movimento População da Rua, ACAC (Associação Comunitária Alzira do Conforto), Comissão de Resistência Moradia e Trabalho e o Projeto Força Feminina.















O Workshop “Que Cidade é essa” é fruto de uma parceria entre a Faculdade de Arquitetura da Universidade Federal da Bahia e o Centro de Estudos e Ação Social (CEAS), e teve como objeto de estudo os imóveis abandonados do centro histórico, os esqueletos urbanos de Salvador, onde foi estabelecido um catalogo de ideias arquitetônicas a fim de determinar usos para esses vazios urbanos, restaurando e demostrando o potencial da função social desses imóveis para que esses possam ser utilizados para beneficio da população.

A primeira parte do livro descreve o trabalho das instituições do Centro Histórico que participaram do Workshop como o Força Feminina relatando sua história, demandas e parcerias com instituições do Centro Histórico. No ano de 2012 a Unidade iniciou uma articulação com o CEAS e a UFBA, com a finalidade de apresentar alternativas para estes imóveis sem função pública e consequentemente garantir melhoria de vida a comunidade. 


Sem dúvida a parceria representa uma possibilidade de visibilidade ao trabalho da Unidade, além de favorecer integração com a comunidade e outras instituições. Como produto final o livro se torna mais um instrumento de comunicação, que traz em sua constituição, uma importante análise para a garantia plena dos direitos de pessoas e grupos em situação de vulnerabilidade, como as mulheres em situação de prostituição.

quinta-feira, 26 de março de 2015

Força Feminina tem formação sobre a descriminalização do aborto

Na manhã do dia 23 de março, a Unidade Força Feminina participou de uma formação sobre a descriminalização do aborto: uma questão de Saúde Pública e de Direitos Humanos. Este tema é de suma importância e contou com a participação da Doutora Greice Menezes – Médica Sanitarista, do MUSA (Programa de Estudos e Pesquisas de Gênero...), do ISC (Instituto de Saúde Coletiva), Coordenadora da GravSus–NE e UFBA (Universidade Federal da Bahia) e tem uma longa trajetória de estudos e pesquisas nessa área.

Segundo a Dra. Greice Menezes a questão do aborto está posta em pauta e precisa ser discutida, pois é uma das maiores causas da morte de mulheres, sobretudo entre as negras, pobres e jovens, chegando a triste realidade de a cada três mulheres, uma morre por aborto. Segundo as pesquisas realizadas, afirma Dr. Greice, “é a terceira causa de morte materna no Brasil e em Salvador é a primeira”, índices alarmantes quando comparado com a taxa aceitável da OMS – Organização Mundial de Saúde, que equivale a óbito de 10 por 100 mil nascidos vivos.
Um recente estudo realizado pelo MUSA em algumas cidades do Nordeste, como Salvador, Recife e São Luiz, apresentou índices de óbito de mulheres após realização de abortos que preocupam, principalmente por considerar que a maioria dos mesmos são realizados de forma clandestina, sem devidos cuidados médicos que ocasionam em complicações como infecções generalizadas. Os estudos buscaram aprofundamento da análise da escolaridade como condicionante que impulsiona na realização de abortos, mostrando a forte ligação entre a prática e o acesso a educação. Três grupos serviram como base de análise, relacionando a relação mãe x filha. Quando mães e filhas tinham escolarização até o fundamental incompleto os dados de gravidez indesejada e aborto foram maiores, chegando a 60%, contrário aos índices onde mães e filhas possuem nível superior. Tomar como partida esse eixo de análise, permite desconstruir conceitos que descaracterizam o fator social da realização de abortos no país.

As pesquisas ainda apontam que em países onde a legislação permite a realização de abortos em algumas condições, o número reduziu. Claro que nesses países há um avanço maior na educação, já que com o aumento da escolaridade decresce a realização de abortos.
Muito mais do que discutir: sou contra ou a favor do aborto, se faz imprescindível discutir a heterogeneidade das situações como desigualdades de classe, raça, geração e gênero. Os legisladores e profissionais da área de saúde precisam discutir mais o tema e encarar o aborto como um grave problema de Saúde Pública, com intrínseca relação em acesso a educação, lazer e cultura.

A precariedade das condições sociais que grande parte da população brasileira vive, deve ser um ponto de partida para proposições de políticas publicas na área da saúde e da educação como mote incentivador no enfrentamento desse problema que matam muitas mulheres e que apresentam outras questões como: qualidade de atendimento nos serviços públicos do país.


Drª Greice concluiu a apresentação colocando-se à disposição para outros momentos formativos e nos animou, como “profissionais que adotam posturas éticas em nosso trabalho com as mulheres, a manter o debate aberto”.

terça-feira, 24 de março de 2015

Equipe se reúne em Formação sobre Espiritualidade Oblata

Impulsionados pela Celebração de Nascimento da Madre Antonia, nascida no dia 16 de março de 1822 e pela proximidade do Encontro da Rede Oblata, encontro formativo que acontecerá no mês de maio em Salvador, a Unidade Força Feminina, se reuniu para refletir sobre a espiritualidade Oblata e sua missão.
Com mediação da Ir. Analita Albani, a equipe de trabalhadores entrou em sintonia com toda a Congregação das Irmãs Oblatas e com cada mulher que participa nos Projetos, já que essas mulheres impulsionam a ação e missão das Oblatas.
A partir da história de vida da Madre Antonia, foi proposta na partilha reconhecer e partilhar os valores e atitudes desta grande mulher que conseguiu viver com coerência a resposta ao chamado de Deus e à missão a ela confiada.  Ao colocar o pé na realidade e deixar-se tocar por ela, a mesma brindou-nos um grande legado de pedagogia e de espiritualidade, sendo feita então uma reflexão e aprofundamento da Espiritualidade Oblata, buscando reconhecer a força e o sentido da nossa vida e da missão.
A Espiritualidade Oblata está focada na Pessoa, na Vida e Missão Libertadora de Jesus Cristo Redentor – Sua Encarnação e Redenção, experimentando na realidade em que vivemos um Deus Pai e Mãe, que se interessa por toda pessoa e faz surgir Vida onde ela está ameaçada, oprimida, oculta, machucada. Este Deus se faz presença solidária, humanizadora e libertadora em Jesus, que é a fonte de nossa Espiritualidade. Apostamos por continuar a Sua Missão profética que se manifesta num compromisso de comunhão e solidariedade, com atitudes de entrega, paciência, acolhida, amor, partilha, alegria, simplicidade, perdão e sensibilidade.
Somos chamad@s e convocad@s a trilhar as pegadas do Redentor acolhendo, escutando, acompanhando e orientando, contemplando Jesus que não só se aproxima das excluídas, mas oferece-lhes oportunidades de transformação.
Percebemos também que a Espiritualidade Oblata está em sintonia com a Campanha da Fraternidade deste ano com o lema “Eu vim para servir”. Diz o hino extraído de uma mensagem do Papa Francisco: “Preciso de gente que cure feridas. Que saiba escutar, acolher, visitar. Igreja de portas abertas, sem medo de amar. Um Deus que se inclina e lava seus pés. As chagas do ódio e da intolerância, se curam com o óleo do amor-compaixão”.
A manhã foi concluída com um momento de partilha e agradecimento pela oportunidade que a equipe tem de ir se preparando para o próximo encontro formativo da Rede de Pastoral Oblata.


Ir. Analita Albani