terça-feira, 14 de maio de 2013

Dramatização à reflexão sobre a exploração sexual marca início do XI Encontro da Rede Oblata

As equipes presenciaram a dramatização que provocava a sentir e visualizar a realidade da exploração sexual.
Com a chegada de todas as equipes das Unidades Oblatas do Brasil, Argentina e Uruguai, na Casa de Retiro São José em BH, foi iniciado o XI Encontro da Rede Oblata.
Um momento de oração, partindo da realidade de exploração, intercedendo as bênçãos do Redentor, Pe. Serra e Madre Antonia para que os participantes possam entrar profundamente na reflexão sobre a vida, a exploração sexual e o tráfico de pessoas.
Conduzidas inicialmente pela Ir Manuela, o XI Encontro presenciou a uma dramatização que provocava a sentir e visualizar a realidade da exploração sexual nos dias de hoje.
Finalizado o momento de mística, foi apresentado um vídeo de boas vindas ao XI Encontro da Rede Oblata, com imagens da chegada das equipes na Casa de Retiro e que falava de “carinho, sorriso e abraço”. Confira o vídeo no link http://www.youtube.com/watch?v=OBs8ZQPPZS0&feature=youtu.be.
Posteriormente, uma reportagem sobre a exploração sexual infantil, em vários Estados e municípios do Norte e Nordeste Brasileiro, foi apresentado aos participantes que ficaram indignados com a realidade do tema abordado na reportagem. “Assustador!”, “Chocante!”, “É impressionante!” – comentários proferidos por alguns participantes.
A manhã será encerrada com a palestra de Renato Roseno, que tem o tema “As reflexões sobre a exploração sexual contemporânea”, com espaço para perguntas.
Logo a seguir será o intervalo para o almoço e no retorno, Roseno continua com a palestra “Legislação sobre as Redes de Exploração Sexual e de Tráfico de Pessoas”.
Confiram alguns registros realizados na manhã.




terça-feira, 7 de maio de 2013

Representantes de Unidades Oblatas participam da 5ª Semana Social Brasileira – Regional 3 (Bahia e Sergipe)

Estado para que e para quem?


 

Representantes de duas unidades da Rede Oblata, Força Feminina (Salvador) e a Pastoral da Mulher de Juazeiro, participam do encontro regional da 5ª Semana Social Brasileira, em Feira de Santana/BA. Através das Semanas Sociais Brasileiras, cinco preocupações sempre estiveram presentes em seu contexto, história, motivações e resultados:

 
 
 
 
a) um diagnóstico da realidade sócio-política e econômica do país;

b) uma mobilização ampla de todas as forças vivas da sociedade (eclesiais e não eclesiais);

c) tomada de posição com relação a alguns compromissos concretos em âmbito global;

d) o protagonismo real e efetivo dos leigos;

e) o caráter propositivo dos debates.

 
Com o tema "Participação da sociedade no processo de democratização do Estado Brasileiro", o encontro que ocorreu durante três dias - de 03 a 05 de maio, contou com a participação de Joviniano Neto - Cientista Político, que propôs uma reflexão acerca do Estado e seu papel, considerando o processo desigual de distribuição de renda, que gera as sequelas percebidas na sociedade.

Com sete mini-plenárias, as unidades da Rede, representadas por Railane Delmondes - Unidade de Juazeiro, Louraine Carvalho e Rosilene Ferreira - Unidade Força Feminina (Salvador), participaram com Jaqueline Leite - coordenadora do CHAME - Centro Humanitário de Apoio a Mulher, da oficina sobre Tráfico de Seres Humanos, onde foram propostas maiores intervenções na sociedade que garantam formação a esta, acerca do tema, que em sua complexidade, demanda maior atenção para o enfrentamento e atendimento das mulheres em situação de tráfico, buscando atentar as diferenciações entre tráfico e prostituição, considerando que em ambos os problemas existem favoráveis para essa situação que intimamente ligada a todo processo histórico de violência às mulheres, reforçado por uma sociedade marxista e patriarcal, onde os papéis da mulher a estigmatizam e a põem em condições desfavoráveis na sociedade e consequentemente, estas se tornam mais vulneráveis as variadas violações de direitos.

É compreendendo a importância do trabalho em rede, que a ação com as mulheres seja garantida, não somente com o trabalho de acolhida, mas cada vez mais buscando a intervenção em outros espaços políticos e de controle social, visando romper com o processo de invisibilidade a que são postas as mulheres em situação de prostituição.
Railane Delmondes - Unidade de Juazeiro, Louraine Carvalho e Rosilene Ferreira - Unidade Força Feminina (Salvador), participaram do evento.
 






segunda-feira, 29 de abril de 2013

Celebrando a Vida na Unidade Força Feminina


Ultima sexta feira do mês de abril, dia de celebrar a vida das mulheres atendidas na Unidade que aniversariam no mês em questão.

Com uma recepção amistosa, as mulheres foram se achegando no espaço ornamentado para recebê-las em clima aconchegante com almofadas espalhadas ao redor. Trazendo uma mensagem do sentido da celebração, as aniversariantes foram expressando o sentido da celebração na vida delas:

 “É muito bom pensar que tem alguém que sempre se lembra de nós nesse momento”.
“Eu só celebro meu aniversário aqui”.

Entre essas e outras falas, o momento marcado por muita emoção, foi celebrado com cada mulher que adentrava ao espaço - aniversariantes e não aniversariantes, mas que na partilha se uniram em interação e positividade para todos os presentes.



quarta-feira, 24 de abril de 2013

Quartas de Espiritualidade


Na Unidade Força Feminina, as quartas-feiras tem sido marcadas pelo espaço da espiritualidade, ou seja, espaço de partilha de vida, de compartilhar os desafios do cotidiano e de fortalecimento mútuo.

Neste espaço mulheres e equipe vivenciam a diversidade religiosa e buscam conjuntamente o sentido da vida. No encontro umas com as outras, no encontro consigo mesmas acontece o encontro com o Sagrado, com o Mistério.  A beleza se encontra na diversidade com que cada faz esta experiência.

Segundo Ivoni Reimer: “O falar de Deus acontece a partir da experiência. Assim, segundo a teologia feminista, só podemos falar da divindade a partir da experiência, como esta se relaciona à condição humana e sua finitude, seus anseios e esperanças, dando sentido à existência humana”.

Desse modo, no cotidiano das quartas feiras mulheres se contam e fazem a experiência do Sagrado a partir de seu cotidiano. Oxalá a vida se faça, cresça e frutifique a partir desta experiência.

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Fonte Nova: baianas e ambulantes protestam contra normas


Na semana de inauguração, a Arena Fonte Nova enfrenta algumas manifestações contrárias a sua organização e modelo de gestão. A primeira delas foi nesta quinta-feira, 4, protagonizada pelo Comitê Popular Copa-2014.
Em Salvador, o grupo (presente em todas as cidades-sede) reivindica a não retirada dos vendedores ambulantes nas competições, o financiamento e cadastro desses trabalhadores, a prestação de contas por parte do governo e uma maior contra-partida do setor privado.
"A intenção é buscar uma discussão, principalmente relacionada a questão pós-Copa, pois sabemos que boa parte dos contratos já estão firmados", disse um dos organizadores do movimento, Argemiro Ferreira. "Se boa parte do investimento é público, qual será a contra-partida para a população? E a contra-partida da Fifa, qual será?", completou.
Se em outras cidades, como o Rio de Janeiro, o movimento tem uma atuação mais voltada para as remoções de pessoas que habitam regiões próximas aos estádios, em Salvador a preocupação tange a outros problemas conjunturais.
"Em outros estados, como no Ceará, por exemplo, a maior preocupação é em relação as remoções forçadas. Em Salvador, no entanto, temos que atrair as pessoas para o debate do turismo sexual e da limpeza étnica. Os ambulantes também não podem ser excluídos desse processo", diz Argemiro.
Baianas de Acarajé - Outra manifestação acontece nesta sexta, a partir das 7h, em frente à arena. A  Associação das Baianas de Acarajé e Vendedoras de Mingau (Abam) realiza um  protesto a favor de espaços  ao redor do estádio  para as baianas vendedoras de acarajés durante os eventos da Fifa.
As baianas acompanharão, do lado de fora da arena, a cerimônia de inauguração oficial da Arena Fonte Nova, marcada para as 10h. O evento terá a presença da presidente da república, Dilma Rousseff, e dirigentes da Fifa.
A presidente da associação, Rita Santos, espera entregar a autoridades da entidade máxima do futebol o fruto de uma petição gerada na plataforma Change.org, com mais de 15 mil assinaturas.
A diretora de campanhas da Change.org, Graziela Tanaka, explica que as baianas desejam ser exceção à norma ditada na resolução da Fifa, que recomenda afastar  ambulantes em um  perímetro de até dois quilômetros das praças de jogos. "A questão fundamental é problematizar a forma como a Fifa atropela a identidade dos países que sedia a Copa", diz.


 
Qui , 04/04/2013 às 21:06 | Atualizado em: 04/04/2013 às 22:18

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Discussão sobre o motivador primaz, da prostituição.

Na lógica perversa do capitalismo, onde tudo se converte em mercadoria, o corpo da mulher torna-se passível de compra e venda. Como em uma prateleira de supermercado, onde se escolhe tamanho, cor e prazo de validade. Como objetos que servem, ainda, para reforçar a dominação masculina por meio da satisfação de suas necessidades. Com a pobreza presente na vida das mulheres, sem opções que possibilitem formas que garantam sua sobrevivência, sujeitam-se a uma das explorações mais antigas em nossa história: a prostituição.
No imaginário das pessoas, a prostituição se dá em uma esquina, em uma boate, em um bordel, mas na realidade ela se expressa de várias formas e nas mais diversas conjunturas. Não se pode falar da prostituição sem questionar o porquê das mulheres estarem em tal situação. Sem pensar em qual contexto as levam a expor seus corpos inclusive a atos de violência.
Ao longo de nossa história, as mulheres sempre exerceram papéis de servir e cuidar se esquivando de seus desejos e suas vontades, encaixadas no que é dado como obrigação e naturalização pelo simples fato de ser mulher. A imposição dos papéis ditos femininos passa de geração a geração. Eles são reforçados pela cultura machista, por instituições como a igreja e o Estado, reproduzidos pela educação escolar e cobrados pela sociedade. A diferenciação entre as mulheres que são objeto de prazer masculino ou a esposa zelosa, prolonga-se e perpetuam-se. A intimidade entre marido-esposa é tratada como simples meio de reprodução e o desejo sexual (do homem), suprido por outra categoria de mulheres: as prostitutas, que justificam assim, que as mulheres “esposas zelosas”, não satisfaçam seus desejos.
É importante lembrar que em nenhum momento da história houve reconhecimento da mulher sobre seu trabalho, seja na esfera privada (doméstica), seja no espaço público. Lembremos que no século XIX, com as inovações tecnológicas, as mulheres foram discriminadas mesmo sendo ativas em ocupações em fábricas, mas sendo objetos de dominação masculina, principalmente no âmbito sexual, assim como menciona Goldman (2011):
Em nenhum lugar a mulher é tratada de acordo com o mérito de seu trabalho, mas apenas como sexo. Portanto, é quase inevitável que ela deva pagar por seu direito a existir, a manter uma posição, seja onde for, com favores sexuais. Assim, é apenas uma questão de grau se ela vende a si mesma, a apenas um homem, dentro ou fora do matrimônio, ou a vários homens. Quer os nossos reformadores o admitam ou não, a inferioridade econômica e social da mulher é a responsável pela prostituição.[...] Em vista desses horrores econômicos, é de se admirar que a prostituição e o tráfico de escravas brancas tenham se tornado fatores tão dominantes?. (GOLDMAN, 2011, p.249)
A posição da igreja católica sobre a prostituição, em muitos momentos da história, transitou entre a condenação e a tolerância. Tolerância essa geralmente mediada pelos tributos e impostos pagos pelos serviços dessas mulheres. Nas situações em que se atribuía à prostituição a responsabilidade de “conter o fogo masculino”, para que os homens não procurassem as mulheres de “boa família”, chegou a ser considerada uma instituição social de serviço público, sendo tolerada e regulada pelo Estado.
Os moralistas estão sempre prontos para sacrificar metade da espécie humana em nome de alguma instituição miserável da qual não podem escapar. Na verdade, a prostituição não é a salvaguarda da pureza do lar, nem as rígidas leis são uma salvaguarda contra a prostituição. [...] No entanto, a sociedade não tem uma palavra de condenação para o homem, ao passo que nenhuma lei é tão monstruosa que não possa ser posta em ação contra a vítima indefesa. (idem, ibidem, p.256)
A regulação vigorou durante boa parte do século XIX em quase todos os países europeus, mas implicava para as prostitutas no seu registro, exames médicos obrigatórios custeados por elas sem ajuda do Estado e a internação compulsória quando constatada alguma doença venérea. Aos homens, na qualidade de clientes, não havia nenhuma cobrança. Mesmo nos casos que envolviam doenças, ficavam isentos de qualquer responsabilidade, tendo em vista que a raiz de todo o mal, no caso a sífilis, estaria nas mulheres.
Na Europa no fim do século XIX, teve inicio o movimento contra a regulamentação da prostituição, incitado pelas feministas. Josefine Butler, uma feminista da Federação Abolicionista Internacional que participava do movimento, afirmava em 1875:
Se a prostituição é uma necessidade social, uma instituição de saúde pública, então os ministros, os prefeitos da polícia, os altos funcionários e os médicos que a defendem, faltam a todos os deveres, não lhes consagrando as suas filhas. (SANTOS, 1982, p.21)
Podemos observar que os homens ficam isentos da reprovação e as mulheres carregam censuras e estigmas, reforçando as desigualdades entre mulheres e homens.
Discutir sobre prostituição não é um debate fácil, desta forma, não podem ser desconsiderados elementos importantes que fortalecem sua construção e ressaltar que ela está associada diretamente a violência sexual, pobreza, mercado sexual e autonomia das mulheres.
Atualmente, presenciamos a proposta do Projeto de Lei Nº 4211/2012, que regulamenta a atividade das profissionais do sexo, apresentado pelo Deputado Federal Jean Wyllys (PSOL). Tal projeto, na nossa compreensão, reforça a naturalização da prática como diz Legardinier:
A questão ética levantada pela prostituição, que envolve a violação dos direitos humanos é dissolvida na vicissitude do vocabulário, substituído pela conotação “trabalhador”, que legitima a ideia superficial de uma profissão como qualquer outra. (LEGARDINIER, 1998, p.01).
O projeto legitima a exploração do corpo e da vida das mulheres, além de minimizar o debate em garantias de direito trabalhista, inclusive associando a pauta da autonomia, defendida por nós feministas, na perspectiva da construção de uma sociedade em que as mulheres exerçam suas vontades, seus desejos e possam fazer suas escolhas. Porém tal argumento não cabe nessa pauta, pois não existe um leque de opções para uma mulher que se encontra em situação de prostituição. O exercício da prostituição, para a grande maioria das mulheres não é uma escolha, é uma condição social à qual as mulheres estão sujeitas para garantir no mínimo sua existência e reproduzir o padrão de beleza imposto (no caso, as prostitutas de luxo) e através disto, reforçar o poder masculino sobre as mulheres. É inadmissível que aceitemos que este projeto seja aprovado, nosso posicionamento é contrário à regulamentação da prostituição como profissão. Precisamos aprofundar o debate a partir de uma visão mais crítica e ampla sobre as condições de vulnerabilidades que envolvem mulheres nessa situação.
Nesse sentido, pensar sobre a problemática da prostituição das mulheres enquanto uma expressão da questão social, e por essa razão reconhecer a profundidade crítica na reflexão das muitas expressões das contradições de um Estado capitalista, desigual, opressor, injusto; que esmaga “corações e mentes” e que destrói os corpos e a dignidade das mulheres.
*Por Débora Mendonça, militante da Marcha Mundial das Mulheres no Ceará.