sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

Prostitutas, mas não só: fotos inéditas mostram realidade do Centro


ACESSE: http://www.correio24horas.com.br/noticia/nid/prostitutas-mas-nao-so-fotos-ineditas-mostram-realidade-do-centro/

Semana de Acolhida

 “Bendito quem inventou o belo truque do calendário, pois o bom da segunda-feira, do dia 1º do mês e de cada ano novo é que nos dão a impressão de que a vida não continua, mas apenas recomeça…”
                                                           Mário Quintana



Foi com essa frase e com o intuito de fazer renascer bons sentimentos que a equipe do Projeto Força Feminina se preparou para receber as mulheres neste início de 2018.





E, como todo início traz a benção e a possibilidade do recomeço, de fazer novo as coisas velhas, de animar novamente os corações, os sonhos adormecidos, os amores esquecidos, assim lembramos a nós mesmas enquanto equipe e as mulheres que o lugar do velho e do passado é exatamente no passado, pois o presente sempre nos brinda com novas possibilidades, e para atingirmos o sucesso faz-se necessário muitas vezes a mudança de posturas já gastas com o tempo, pois há comportamentos que precisam ser renovados para fazer sentido no momento atual. O tempo é parceiro nessa empreitada, ele sempre nos dá um novo dia, mas cabe as nós fazermos o novo também em nossas ações, escolhas, atitudes, palavras e comportamentos... Para aí, quem sabe podermos ter resultados novos, e até mais satisfatórios!

Renovar é acreditar na vida, acreditar que cada minuto é tempo de reencontrar consigo mesmo, reativar os sonhos e a força de vontade para realizá-los. Guimarães Rosa diz que o que a vida quer de nós é coragem*, então que tenhamos a coragem suficiente para vivermos o tempo novo, sem fazer as velhas coisas!!!



Receber as mulheres em 2018, abrir a casa logo na segunda-feira foi uma grata surpresa, pois assim como nós as mulheres estavam com muita garra e com muito gás para resolver suas pendências e dessa forma, construir um futuro mais feliz. Elas trouxeram suas demandas de saúde, de moradia, de preocupações familiares e com o futuro, mas também trouxeram a força e a fé que se faz necessária para a materialização de tudo isso. Que tudo o que elas desejam em suas vidas se realize.



As relações de convivência foram reafirmadas para que além de ser um ano de Resoluções e de Vitórias, este também seja um ano de paz, de amor e de união entre todas!

2018 aqui estamos e faremos o que nos cabe para que os sonhos sejam cumpridos!!!

A nossa Força é Feminina!!!



“O correr da vida embrulha. A vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem.” Guimarães Rosa

sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

Quando me descobri negra

Tenho 30 anos, mas sou negra há apenas dez. Antes, era morena

O lindo texto a seguir é um trecho do recém-lançado livro “Quando me descobri negra”,  que a escritora Bianca Santana quis compartilhar com todas AzMinas. 
As ilustrações do livro são de Mateu Velasco
As ilustrações do livro são de Mateu Velasco

Tenho 30 anos, mas sou negra há apenas dez. Antes, era morena. Minha cor era praticamente travessura do sol. Era morena para as professoras do colégio católico, para os coleguinhas – que talvez não tomassem tanto sol – e para toda a família que nunca gostou do assunto. “Mas a vó não é descendente de escravos?”, eu insistia em perguntar. “E de índio e português também”, era o máximo que respondiam. Eu até achava bonito ser tão brasileira. Talvez por isso aceitasse o fim da conversa.

Em agosto de 2004, quando fui fazer uma reportagem na Câmara Municipal, passei pela rua Riachuelo, onde vi a placa “Educafro”. Já tinha ouvido falar sobre o cursinho comunitário, mas não conhecia muito bem a proposta. Entrei. O coordenador pedagógico 14 15 me explicou a metodologia de ensino com a cumplicidade de quem olha um parente próximo. Quando me ofereci para dar aulas, seus olhos brilharam. Ouvi que, como a maioria dos professores eram brancos, eu seria uma boa referência para os estudantes negros. Eles veriam em mim, estudante da Universidade de São Paulo e da Faculdade Cásper Líbero, que há espaço para o negro em boas faculdades.
Saí sem entender muito bem o que tinha ouvido. Fui até a Câmara dos Vereadores, fiz a entrevista e segui minha rotina. Comecei a reparar que nos lugares que frequento as pessoas também não tomam tanto sol. O professor do Educafro toma. Será por isso que ele me tratou com tanta cumplicidade?

Pensei muito e por muito tempo. Não identifiquei nada de africano nos costumes da minha família. Concluí que a ascensão social tinha clareado nossa identidade. Óbvio que somos negros. Se nossa pele não é tão escura, nossos traços e cabelos revelam nossa etnia. Minha mãe, economista, funcionária de uma grande empresa, foi branqueada como os mulatos que no século XIX passavam pó de arroz no rosto porque os clubes não aceitavam negros.

Eu fui branqueada em casa, na escola, no cursinho e na universidade. É como disse Francisco Weffort: o branqueamento apaga as glórias dos negros, a memória dos líderes que poderiam sugerir caminhos diferentes daquele da humilhação cotidiana, especialmente para os pobres. Ainda em busca de identidade, afirmo com alegria que sou negra há dez anos. E agradeço ao professor do Educafro que pela primeira vez, em 21 anos, fez o convite para a reflexão profunda sobre minhas origens.

QUANDO ME DESCOBRI NEGRA – Bianca Santana

Coleção: Quem lê Sabe Por quê
Faixa etária: (a partir dos 12 ou 13 anos)
Páginas: 96
Preço sugerido: R$ 32,00
Capa: brochura
Formato: 14,5cm X 17,0cm
Conheça a autora!
Bianca (1)
A Bianca é jornalista e professora da Faculdade Cásper Libero. Mestra em educação pela Universidade de São Paulo. Militante feminista e de movimentos de educação. Blogueira do Brasil Post/ Huffington Post. Autora de artigos acadêmicos e materiais didáticos, estreia na literatura com a coletânea “Quando me descobri negra” (Sesi- SP).

Fonte: AzMina