terça-feira, 25 de julho de 2017
quarta-feira, 19 de julho de 2017
Descomplica o feminismo
Mulher, negra, trans: a vida real é uma somatória de opressões
Sarah Mund explica a teoria da interseccionalidade, que diz que as formas de exclusão não podem ser analisadas individualmente
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Fonte: http://azmina.com.br/2017/07/mulher-negra-trans-a-vida-real-e-uma-somatoria-de-opressoes/
Quando se olha de fora é fácil assumir que uma pessoa enfrenta preconceitos por variados motivos e experimenta as diferentes opressões como se elas simplesmente fossem acrescentadas uma a uma. Mas como inúmeras mulheres incríveis já compartilharam com a gente aqui na AzMina mesmo, em nossa atual sociedade ser uma mulher negra ou uma transexual cadeirante, para dar alguns exemplos, é muito mais complexo do que ser “só” mulher, “só” negra, “só” transexual ou “só” cadeirante. E existe um nome para isso: interseccionalidade.
O termo foi cunhado em 1989 pela advogada e ativista americana Kimberlé Crenshaw (mulher porreta envolvida com os movimentos Black Lives Matter [vidas negras importam] e #SayHerName [diga o nome dela] nos EUA e que tive o privilégio de ouvir em duas palestras na faculdade onde curso mestrado). Ela deu nome a um sentimento que muitos tinham, mas não sabiam como expressar, e que já tinha sido abordado por outros acadêmicos.
Segundo a teoria interseccional, diferentes formas de exclusão não atuam de forma independente, mas estão relacionadas e não podem ser examinadas individualmente
Foi por se encontrar em uma verdadeira sinuca que ela chegou a esse nome. Um caso em que estava trabalhando envolvia duas mulheres negras que estavam processando a empresa onde trabalharam por lhe negarem a oportunidade de serem promovidas; a empresa alegou que não praticava preconceito algum, já que entre os funcionários que cresceram dentro da corporação estavam tanto mulheres quanto negros. Mesmo que nenhuma mulher negra tenha tido a mesma oportunidade, o juiz estava tendo dificuldades em discordar da defesa, já que de fato a empresa não podia ser apontada por desfavorecer seus funcionários com base no sexo ou na etnia.
Foi assim que ela percebeu que precisava encontrar uma forma de descrever a opressão sofrida por mulheres negras, que embora tivesse semelhanças com o que passavam tanto mulheres quanto negros tinha, suas próprias particularidades
A primeira coisa que ela quis mostrar foi que essas mulheres eram invisíveis em pesquisas, já que a na grande maioria das vezes a categoria mulher se aplica às brancas e a categoria negro se aplica aos homens, de uma forma ou de outra elas acabavam ficando de fora dos resultados.
Para demonstrar isso de forma didática ela pensou em intersecções de estradas, quando uma rodovia se encontra com outra e aquele ponto de encontro é tanto parte de uma via quanto de outra, mas diferente de cada uma por si só. Embora o objetivo inicial de Crenshaw tenha sido encontrar uma maneira de melhor representar suas clientes na justiça ao descrever a realidade das mulheres negras, o termo, com sua simplicidade, engloba inúmeras possibilidades e se aplica às mais variadas formas de opressão que as pessoas podem enfrentar.
Como eu já falei antes aqui nesse espaço, a importância de darmos nomes às coisas é sem tamanho, pois só assim podemos de fato alcançar alguma mudança. Pode parecer extremamente otimista, mas o fato de darmos um nome permite que essas pessoas e suas realidades deixem de ser invisíveis e ganham representatividade.
E por falar em representatividade, vale a pena da próxima vez falarmos sobre a importância da representatividade, que vai muito além de incluir um punhado de atores de etnias diferentes em um filme ou novela para dizer que o elenco é diversificado. Ficou com alguma dúvida? Quer saber sobre algo específico? É só mandar a pergunta que a gente responde!
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Fonte: http://azmina.com.br/2017/07/mulher-negra-trans-a-vida-real-e-uma-somatoria-de-opressoes/
sexta-feira, 14 de julho de 2017
"É como se fosse eu que estivesse na prisão", diz mulher que registrou 15 BOs contra o ex...
A violência já tinha extrapolado o ambiente doméstico e começava a atingir a professora Taise Campos, 39, também fora de casa...
Crise afeta prostituição em todo país
As meninas da Vila Mimosa, zona de prostituição do Rio de Janeiro, enfrentam uma realidade ainda pior: sua clientela foi embora da cidade. Com isso, elas precisam buscar trabalho em outros lugares.
Em tempos de crise, até o trabalho mais antigo do mundo precisa se reinventar. Prostitutas de luxo do Rio de Janeiro e de São Paulo estão tendo que lidar com a escassez de clientes dispostos a pagar valores mais altos pelos serviços. Nem só o mercado de luxo, porém, passa por apertos.
As meninas da Vila Mimosa, zona de prostituição do Rio de Janeiro, enfrentam uma realidade ainda pior: sua clientela foi embora da cidade. Com isso, elas precisam buscar trabalho em outros lugares. A acompanhante de luxo paulistana Yasmin Bergamin resolveu rifar seus serviços pelo preço de R$ 30 por aposta. São cem números e o sorteio vai de acordo com os da loteria federal — ela ainda faz promoções de 2 números por R$ 50 e 3 por R$ 80. Dessa forma, o cliente leva um serviço que valeria R$ 3 mil por um centésimo do valor, e ela não perde um real com isso.
A paulista tatuada Valentina Valente é crítica à atitude. Passando uma temporada no Rio, ela conta que começou no ramo já durante a crise, há um ano. Ela cobra R$ 400 por hora.
— Eu iniciei em um momento de crise, mas acho complicado isso das meninas fazerem rifas. Assim, elas não estão só desvalorizando o trabalho delas, mas também o de outras garotas. A desvalorização do trabalho nem sempre é uma escolha, mas sim uma condição. Uma influente personagem da Vila Mimosa conta que, desde que as crises política e financeira se instalaram no país, o negócio no local está caindo.
— O problema é que a Vila Mimosa depende de peão. Como as obras pararam, o local esvaziou e as garotas estão tendo problemas para achar programa — conta ela, que preferiu não se identificar. — Agora, elas estão no meio da pista, topando fazer trabalhos dentro do carro mesmo por R$ 20, R$ 30. Muitas garotas que conheci por aqui foram embora, viajaram para Belo Horizonte, para o mundo. O perfil da carioca Gabi está num site de classificados de acompanhantes. Ela trabalha há cinco anos no ramo e se queixa de que, quando começou, era muito mais fácil achar trabalho.
— Senti um pouco a crise, o movimento deu uma caída. O último mês foi muito difícil, cheguei a perder alguns clientes que eram fixos — explica. — Os valores sempre são negociados. Na contramão, Rafinha começou a fazer programa há seis meses, por falta de trabalho formal. Antes, ela era atendente de telemarketing. Agora, segundo ela, sua condição financeira melhorou. — Agora, eu cobro R$ 150 a hora e estou recebendo um retorno financeiro positivo.
Fonte: Extra
quinta-feira, 13 de julho de 2017
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